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Published on Fevereiro 7th, 2010 | by Rui Baptista

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Fantasporto: Celebrar 30 anos de muito e bom cinema

Apesar das inúmeras dificuldades, o Fantasporto volta a impor-se como um dos mais importantes festivais de cinema do país. Para a 30ª. edição foram seleccionados cerca de 400 filmes, entre longas e curtas-metragens, oriundas dos quatro cantos do mundo, numa programação que não deixará ninguém indiferente. Mas, tal como é habitual, o festival não se faz só de sessões de cinema, estando previstas conferências, debates, workshops e exposições.

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"Fantasporto Presents" criado em 2005 pela ziiiiiing design

Robótica e Cinema
À semelhança do programa especial do ano passado, Arquitectura e Cinema, o Fantasporto centra-se agora no tema Robótica e Cinema. Comissariado pelo professor Eduardo Silva do Laboratório de Sistemas Autónomos do Instituto Superior do Porto e pela Sociedade Portuguesa de Robótica, o programa visa apresentar «uma nova visão num cruzamento da ciência e das artes.»
Além da exibição de diversos filmes (técnicos e de ficção), estão previstas conferências com cientistas, demonstrações de robótica durante o festival, no Espaço Cidade do Cinema – situado em frente ao Rivoli.

Abertura e encerramento
A abertura do certame cabe a Solomon Kane, de Michael J. Basset. Baseado nas histórias criadas por Robert E. Howard, o filme conta as origens do herói, um puritano do século XVII que vagueia pelo mundo para lutar contra o mal. Para a sessão de encerramento foi escolhido The Crazies, de Breck Eisner, um remake da obra homónima de George A. Romero, de 1973. Tal como no original, um vírus transforma os habitantes de uma pequena localidade em psicopatas que acabam por semear o caos e a violência por todo o lado.
Nas secções competitivas – que a organização assume como sendo «de elevada qualidade» e nas quais «não faltarão o factor entretenimento» – a maior dificuldade será arranjar tempo para ver tudo.

Secção Oficial de Cinema Fantástico
Na Secção Oficial de Cinema Fantástico as maiores atenções vão para [REC] 2, dos espanhóis Jaume Balagueró e Paco Plaza. A dupla dá continuidade ao grande vencedor do Fantas de 2007, e adiante-se, desde já, que o filme começa onde o primeiro terminou. Na sequela acompanhamos uma equipa de forças especiais que tenta determinar o que aconteceu dentro do edifício em quarentena.
Do país a norte, França, chega La Horde, de Yannick Dahan e Benjamin Rocher. O filme centra-se num grupo de polícias que procura vingar a morte de um colega. A perseguição dos criminosos leva-os até um edifício abandonado. Enquanto isso, lá fora, em Paris, dá-se um outro confronto: o dos mortos contra os vivos…
Em Jennifer’s Body, Megan Fox reencarna um demónio com um apetite voraz por rapazes numa comédia de terror de Karyn Kusama. Já Vincenzo Natali, galardoado por diversas vezes no Fantasporto, traz Splice, «uma visão aterradora da clonagem humana».
Depois da trilogia sobre a vingança, o realizador sul-coreano Chan-wook Park apresenta agora Thirst, um drama sobre um padre que após uma experiência médica falhada, se transforma num vampiro…
Também na competição fantástica, agora na língua de Camões, encontramos Embargo, uma adaptação da obra homónima de José Saramago. Dirigido por António Ferreira, o filme conta a história de Nuno, «um homem que trabalha numa roulotte de bifanas, mas que inventou uma máquina que promete revolucionar a indústria do calçado – um digitalizador de pés».

Semana dos Realizadores
Na Semana dos Realizadores, secção mais focada no cinema de autor, podemos encontrar Fish Tank, de Andrea Arnold. Vencedor do Prémio do Júri do Festival de Cinema de Cannes, o filme centra-se numa jovem e problemática adolescente cuja vida vai mudar com a vinda de um estranho no seio da família. Já The Time That Remains, do cineasta palestiniano Elia Suleiman, explora um tema recorrente, as relações entre os judeus e os árabes.
Mas nesta secção vão ser exibidas também obras de pendor fantástico, mais precisamente de terror. Hierro, de Gabe Ibáñez, um thriller psicológico sobre uma mãe que busca desesperadamente pelo seu filho, é exemplo disso. Por sua vez Conor McPherson centra-se nos fantasmas das histórias irlandesas em The Eclipse.
E num estilo muito diferente, Yoshiharu Ashino apresenta um filme de animação co-produzido pelo Japão, Rússia e Canadá. First Squad decorre durante a Segunda Guerra Mundial onde um grupo de adolescentes soviéticos com habilidades especiais terá que defrontar um exército de mortos-vivos ao “serviço” da Alemanha nazi.

Orient Express
Na Secção Orient Express vale a pena destacar o último trabalho de Shinya Tsukamoto, Tetsuo: The Bullet Man. O realizador volta a explorar o mito do homem-máquina, 20 anos depois do primeiro Tetsuo. Também japonês, Air Doll, de Hirokazu Koreeda, uma boneca insuflável ganha vida e apaixona-se por um empregado de um videoclube. E séculos antes, na Coreia, Yoo Há retrata o relacionamento homossexual entre um imperador e o chefe da sua guarda pessoal em A Frozen Flower.
E não podemos deixar de lado Robo-geisha, de Noboru Iguchi, e Vampire Girl vs. Frankenstein Girl, de Yoshihiro Nishimura e Naoyuki Tomomatsu, que em poucas palavras se resumem a muito sangue e violência. Puro gozo visual.

Cinema Francês
Nas retrospectivas a atenção recai sobre a que foca o Cinema Francês. Uma óptima oportunidade para ver ou rever obras como Alphaville, Une Étrange Aventure de Lemmy Caution, de Jean-Luc Godard, Hiroshima Mon Amour, de Alain Resnais, La Belle Et La Bête, de Jean Cocteau ou Les Visiteurs Du Soir, de Marcel Carné.

Cinema Português
Quanto ao cinema português, o homenageado este ano é o realizador e produtor Luís Galvão Teles, do qual serão exibidos os filmes A Confederação – O Povo É Que Faz A História (1978), A Vida É Bela…!? (1982), Retrato De Família (1992), Elas (1997), Tudo Isto É Fado (2003) e Dot.com(2006).
Ainda quanto ao cinema nacional, estão previstas várias sessões de curtas-metragens organizadas pela Casa da Animação, ETIC, Cineclube de Avanca, Festival Black & White e a Agência da Curta Metragem.

Cidade do Cinema
Para os que procuram um ambiente mais calmo e descontraído, o Espaço Cidade do Cinema, recebe a segunda edição do Fantas em Curtas. São cerca de 180 curtas-metragens, repartidas por 21 sessões, incluindo trabalhos de França, Espanha, Eslováquia, Portugal e Irlanda. A entrada é livre.

Masterclasses de Colin Arthur e David Marti
Importa ainda salientar as duas masterclasses com Colin Arthur da DDT – Barcelona e David Marti da Dream Factory – Madrid. Colin Arthur trabalhou no departamento de caracterização de filmes como Clash Of The Titans, 2001: A Space Odyssey e Conan E Os Bárbaros, e David Marti foi galardoado com um Óscar para Melhor Caracterização em 2007, pelo trabalho realizado em O Labirinto do Fauno. No final está marcada uma conversa com Colin Arthur, David Marti e Filipe Melo, argumentista e produtor da curta-metragem I’ll See You In My Dreams. As SFX Masterclasses decorrerão nos dias 24 e 25 de Fevereiro, sendo o preço de 35 euros.

Fantasporto 2010
26 de Fevereiro a 6 de Março, no Rivoli Teatro Municipal
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