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Published on Fevereiro 7th, 2010 | by Manaíra Athayde

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Joaquim de Almeida: «Já estou com vontade de ir embora»

Joaquim de Almeida é o mais internacional dos actores portugueses. Há trinta anos a viver nos Estados Unidos e sendo fluente em sete línguas, o artista esteve no Festival de Cinema Bragacine, onde foi premiado pela longa carreira. Conhecido como o Phil Hartman latino, Joaquim afirma estar arrependido de ficar em Portugal mais um mês do que o previsto e que o cenário lusitano de festivais de cinema não deixa a desejar, mas que o país está muito aquém do desejado a nível de produção cinematográfica.

Costuma frequentar muitos festivais. O que há de mais importante nestes eventos?
Os festivais são importantes para levar o cinema a sítios que não só os grandes centros urbanos. Nas cidades menores, por exemplo, se não houver festivais há um certo cinema que não chega. Primeiro, porque já não se tem muitos cinemas; segundo, porque as pessoas vêem muitos filmes pela televisão e não há essa cultura cinéfila. Além disso, os festivais criam o incentivo para as pessoas continuarem a fazer cinema, especialmente os mais jovens, que estão no ramo há pouco tempo. Ainda há a oportunidade de juntar pessoas que gostam de cinema para trocar experiências, o que cria uma irmandade no cinema. Muitas vezes conheci em festivais pessoas com quem fui trabalhar só mais tarde. Fiz filmes no Chile e em tantos outros países da América do Sul que, se calhar, não teria feito se não tivesse conhecido as pessoas em festivais.

Portugal está aquém do panorama do cinema mundial?
Em termos de festival, não. Estamos muito aquém é a nível de produção cinematográfica. Portugal faz pouco cinema, faz poucos filmes por ano. Não são os festivais que vão trazer isso de volta, infelizmente.

Os festivais ajudam a eternizar a obra ou a consagrar o artista?
Ajudam as duas coisas, tanto a obra quanto o artista. Acho que uma pessoa que já está no cinema há muito tempo vai por causa da confraternização. É importante que os artistas ajudem os festivais, principalmente aqueles que ainda são considerados pequenos e que precisam de mais gente conhecida para que se dê importância ao festival.

Mas não é complicado que se precise de gente mais conhecida para que um festival tenha importância? Os filmes por si só já não garantem mais a qualidade dos festivais hoje em dia?
Os festivais servem, antes de tudo, para vender e os artistas atraem os media, então é isso.

Quais os núcleos de cinema com grande potencial ou que são grandes promessas neste momento?
O cinema brasileiro está estourado, tem muitos realizadores e uma economia que está a crescer e a fomentar mais possibilidades. O cinema mexicano também está em grande. Além disso, este ano temos um grande filme chileno, chamado La Nana, que tem passado em festivais do mundo inteiro e está a ser distribuído nos Estados Unidos, o que é uma coisa rara. Além disso, há o cinema chinês, com todos aqueles artistas fantásticos e que não conhecemos aqui; o cinema da Índia, que hoje é o maior produtor do mundo; e o cinema árabe, bastante criativo.

Acabou de ganhar o Prémio de Honra no Bragacine. Depois de tantos anos de carreira, os prémios ainda têm o mesmo significado que no início?
Prefiro menos prémios e mais cinema. Para mim o importante é trabalhar, pois mais do que cinema, gosto de fazer cinema. Na minha casa, nos Estados Unidos, há cem canais que passam cinema constantemente, sem publicidade; hoje em dia temos essa possibilidade de ganhar uma enorme cultura cinematográfica. Ninguém no cinema trabalha por obrigação, o cinema faz-se porque se gosta da profissão. Portanto, o que tenho são anos e mais anos de uma coisa de que gosto de fazer, independente dos prémios, e espero continuar a fazer por muito mais tempo.

Ainda mora em Nova Iorque?
Não, morei 27 anos em Nova Iorque, mas há seis anos que vivo em Los Angeles, na praia de Santa Mónica. Já estou arrependido de ter dito que ficava cá mais um mês. Estou com vontade de ir embora. [Ouvir a resposta]

Quanto aos projectos…
Tenho vários. Alguns foram adiados para o ano, o cinema pára em Dezembro e recomeça em Janeiro e nessa altura já estarei de volta a Los Angeles. Tenho dois ou três projectos e agora vamos ver as datas.

São séries?
Não, são filmes. Não gosto de fazer séries de televisão, faço de vez em quando.

Pode-nos dizer quais são os filmes, então?
Não, porque as gravações foram adiadas duas vezes e quero ter a certeza de que os faço. Para já tenho os filmes que fiz este ano, como The Way, aqui ao lado, em Espanha. Quanto aos demais que ainda estão por fazer, vamos ver; nunca se fala das coisas antes de começarem a ser feitas, dá má sorte.

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