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Especial Fantasporto no image

Published on Fevereiro 21st, 2011 | by Sara Santos Silva

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José Mário Branco regressa ao Rivoli com sala cheia

A aparente simplicidade na conceção deste espetáculo não diminuiu a grandiosidade de José Mário Branco. Pelo contrário, acentuou-a. Sozinho em palco, sentado num modesto banco de madeira, envolvido apenas pelo som da sua guitarra, pela voz projetada pelo microfone e por umas luzes em tons de amarelo que irrompiam na escuridão, o cantautor voltou à sua terra natal e foi recebido por um Rivoli completamente lotado.

A noite foi marcada por uma chuva copiosa e, assim, o último espetáculo das Noites do Rivoli foi o plano mais acolhedor para dar início ao fim de semana. A efervescência dos sons da Revolução mostrou-se atual, talvez mais do que nunca. As letras satíricas e o espírito de “inquietação” e de humor latente foram despertando paulatinamente as consciências e a revolução começou em Vim de Longe. “Andamos a ver se vemos o caminho a percorrer entre o Abril que fizemos e o que está por fazer”, lança José Mário Branco. Eu vou p’ra longe, p’ra muito longe, onde nos vamos encontrar… “p’ra partir esta merda toda?” – interpela e a plateia reage entusiasta. “Acendam essas luzes pá! Quero ver estas caras!”, pede e ironiza: Vejo tanta revolta, “embora ainda esteja um bocadinho calada para meu gosto”. “Vamos todos para a Praça Tahrir, eles é que estão a dar a lição agora, companheiros! Tem de se acabar com esta merda!”, incita José Mário Branco. A sala responde com um retumbante aplauso de pé e alguns risos à mistura.

O concerto terminou com uma comovente homenagem a Isabel Alves Costa, ex-diretora artística do Rivoli, que faleceu em 2009, e uma mensagem de força e esperança. Os Meninos de Amanhã (Elogio do Revolucionário) encerrou o espetáculo de quase duas horas e com José Mário Branco relembramos: “há tanta gente virada para trás, gente que vive do menos mal e do tanto faz”.

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