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Published on Março 7th, 2011 | by Sara Santos Silva

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Fantas’11: Uma edição sem extensões pelo país, em que o cinema asiático brilhou novamente

Se há pelo menos dois anos que Mário Dorminsky, diretor do festival, tem vindo a negar uma “crise” no Fantasporto, este bem pode ter sido o ano em que ela mais se fez sentir. A começar pelo óbvio, a continuada redução nos patrocínios e apoios, mas também o decréscimo no número de filmes: de 403, no ano passado, para 307 este ano.

A edição foi ainda marcada pela ausência de extensões do festival pelo país e algumas estreias praticamente na mesma altura das estreias nacionais, como foi o caso de Exorcismus: La Poseción de Emma Evan, do Splice e do Season of the Witch. A verdade é que, aos fins de semana, algumas sessões esgotaram e, mesmo durante a semana, o Rivoli tinha espetadores nos dois auditórios do início da tarde até de madrugada. O Fantasporto, ao contrário do que se tem escrito, não está a “perder o fulgor”.

O cinema asiático continua a ser o mais forte do certame. I Saw the Devil, de Kim Woon Jee (vencedor no Fantas’04 com A Tale of Two Sisters), Bedevilled, do estreante Yang Chul-soo, Miyoko, do ainda desconhecido Yoshifumi Tsubota, The Housemaid, de Im Sang Soo, e Hahaha, de Hong Sang Soo, foram os mais surpreendentes. Uma direção de fotografia sempre impecável, bandas sonoras extraordinárias e representações acima da média.

Fora do contexto oriental, o argentino Pablo Trapero é, sem dúvida, um nome a registar. Ganhou o prémio de Melhor Realizador na Semana dos Realizadores do Fantas com Carancho. E foi merecido.

Claro que nem só de bons filmes se faz um festival e o Fantasporto não é exceção. The Chameleon, Season of the Witch, The Resident foram alguns dos piores que, na minha opinião, passaram pelo Rivoli. Sufferrosa também não correspondeu às expetativas. Ao contrário do que se fazia crer, não passou de um bom exercício de videoarte, em que a interatividade foi apenas entre o realizador (presente no pequeno auditório) e o filme. É um projeto interessante, mas não se pode dizer que seja um “bom filme”.

É de louvar o programa especial Artes Plásticas e Cinema, coordenado por Beatriz Pacheco Pereira. Foram produzidos 17 filmes por estudantes (da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e da Escola das Artes da Universidade Católica) como forma de prestar o devido reconhecimento a alguns dos maiores artistas portugueses. A pintura ao vivo funcionou muito bem, encaixou-se perfeitamente no conceito do festival, e os resultados dos ateliês livres complementaram o ambiente do piso 3 do Rivoli.

Destaque ainda para o discurso implacável de Mário Dorminsky na sessão de encerramento, em que apelidou Lisboa de “minúsculo país” e pediu desculpa a “alguma” comunicação social por não ter existido “nenhum incêndio no Rivoli”, “nem sangue a correr pelas ruas do Porto”. “Ninguém conhecido andou despido nos corredores dos hotéis, não houve sessões públicas de vodu, os feiticeiros não vieram ao Rivoli e não importamos o caquético jet 7 que aparece invariavelmente nas revistas cor-de-rosa”, ironizou de forma cáustica. Melhor que isto, só mesmo os problemas técnicos na altura em que Maria de Medeiros recebeu o prémio carreira e a fotografia escolhida de Lee Jung-Jae, em The Housemaid, a propósito do prémio de melhor ator da Semana dos Realizadores.

As Noites do Rivoli, em modo de pré-Fantas, encheram o grande auditório de música e humor e revelaram-se uma iniciativa excelente de revitalização do espaço, que nos fez perceber que o Rivoli ainda faz falta. Para terminar, o Baile dos Vampiros calhou em fim de semana de Carnaval o que foi perfeito (apesar do atraso de mais de uma hora, visto que houve uma peça de teatro mesmo antes no Sá da Bandeira). Muitos aproveitaram para festejar o feriado nesta mega festa, em que Alexis Taylor (Hot Chip) e os Filthy Dukes eram os cabeças de cartaz. O mestre de cerimónias Adolfo Luxúria Canibal mostrou-se uma peça interessante e fundamental numa noite que só terminou quando os primeiros raios de  sol apareceram e os vampiros se viram obrigados a dar por terminada mais uma edição do Fantasporto.

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