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Literatura no image

Published on Maio 10th, 2011 | by Carla Luís

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58 sugestões de leitura em registo descontraído de conversa de café

Na exatidão dos números, foram 58 as sugestões de leitura partilhadas, em registo descontraído, no Auditório da APEL na Feira do Livro, no passado domingo. Em hora e meia de diálogo e troca de experiências, o escritor David Machado, o editor Manuel Alberto Valente, o livreiro Sérgio Lavos, o jornalista Luís Ricardo Duarte e o escritor, jornalista e crítico literário José Mário Silva falaram dos melhores livros editados entre junho de 2010 e maio de 2011, o período compreendido entre a última e a atual edição da Feira do Livro de Lisboa.

Moderado por José Mário Silva, o encontro começou com a intervenção de David Machado, que optou por levar consigo apenas sugestões de contos em jeito de homenagem a um género literário com tão pouco destaque. Manuel Alberto Valente, chamado a encontrar possíveis explicações para a pouca atenção dada ao conto, remeteu a questão para o auditório afirmando tratar-se de um género pouco procurado pelos leitores. Num país de dimensões reduzidas e onde as preferências se centram no romance, as tiragens dos contos são forçosamente menores, o que faz com que os custos aumentem. Refere o editor que, entre pagar 19 euros por um livro de contos de 200 páginas ou o mesmo valor por um romance de 500, as escolhas recaem tendencialmente no romance de 500.

Da produção seguiu-se para a distribuição. Sérgio Lavos, livreiro que se diz privilegiado pela possibilidade de contactar diretamente com o leitor e, assim, auscultar as suas preferências, confirma a pouca atenção dada ao conto e o fenómeno do “livro ao quilo” – o livreiro conta que alguns leitores pediram que lhes fosse sugerido um livro grande para levar para as férias, oportunidade para recomendar Jonathan Franzen, capaz de igualar em peso Ken Follett ou outros escritores de maior volume.

Interessante foi perceber que também as leituras podem ser geracionais – diz Manuel Alberto Valente que “somos o tempo em que começámos a ler” e, se o editor centrou as suas escolhas em autores consagrados como Mario Vargas Llosa, Thomas Mann, Roman Gary ou António Lobo Antunes, já o jornalista Luís Ricardo Duarte prefere destacar os escritores portugueses nascidos na década de 70, geração dinâmica de quem os livros acabam por gerar múltiplas reacções artísticas de áreas tão diversas como o teatro, a música, o cinema, a dança ou a arquitetura.

Entre uma intervenção e outra, houve ainda tempo para que algumas curiosidades fossem reveladas, como a aposta de Manuel Alberto Valente em Milan Kundera para o próximo Nobel da Literatura.

Da esquerda para a direita: Luís Ricardo Duarte, Manuel Alberto Valente, José Mário Silva, David Machado e Sérgio Lavos

Da esquerda para a direita: Luís Ricardo Duarte, Manuel Alberto Valente, José Mário Silva, David Machado e Sérgio Lavos

Feitas as contas, entre sugestões que de tão consensuais acabariam por se repetir, quem assistiu ao encontro seguiu para casa com 48 diferentes propostas de leitura, numa seleção cuidada entre o que de melhor se editou por cá ao longo do último ano. A lista é extensa, mas merece ser reproduzida:

 David Machado

“Os Objectos Chamam-nos”, Juan José Millás

“Contos dos Subúrbios”, Shaun Tan

“Pássaros na Boca”, Samanta Schweblin

“Um Repentino Pensamento Libertador”, Kjell Askildsen

“Break it Down – Demolição”, Lydia Davis

 Manuel Alberto Valente

“O Sonho do Celta”, Mario Vargas Llosa

“Doutor Fausto”, “Os Buddenbrook”, Thomas Mann

“Sôbolos Rios que Vão”, António Lobo Antunes

“A Noite das Mulheres Cantoras”, Lídia Jorge

“A Cidade de Ulisses”, Teolinda Gersão

“Um Promontório em Moledo”, António Sousa Homem

“Uma viagem à Índia”, Gonçalo M. Tavares

“Livro”, José Luís Peixoto

“a máquina de fazer espanhóis”, valter hugo mãe

“O Bom Inverno”, João Tordo

“A Boneca de Kokoschka”, Afonso Cruz

“Deixem Falar as Pedras”, David Machado

“Última Paragem, Massamá”, Pedro Vieira

“Viva México”, Alexandra Lucas Coelho

“La Coca”, “Tempo Contado”, “Com os Holandeses”, …, J. Rentes de Carvalho

 “Tanta Gente, Mariana”, Maria Judite de Carvalho

“O Novíssimo Testamento”, Mário Lúcio Sousa

“Os Pretos de Pousaflores”, Aida Gomes

“Liberdade”, Jonathan Franzen

“Sunset Park”, Paul Auster

“Rabos de Lagartixa”, “O Feitiço de Xangai”, Juan Marsé

“Dublinesca”, Enrique Vila-Matas

“Anatomia de um Instante”, Javier Cercas

“O Revisor”, Ricardo Menéndez Salmón

“Uma Vida à sua Frente”, Romain Gary

“Um Encontro”, Milan Kundera

“O Seminarista”, “Bufo & Spallanzani”, Rubem Fonseca

“Ponto Ómega”, Don DeLillo

“O Homem que Gostava de Cães”, Leonardo Padura

 Sérgio Lavos

“Ponto Ómega”, Don DeLillo

“La Coca”, “Tempo Contado”, J. Rentes de Carvalho

“Viva México”, Alexandra Lucas Coelho

“Dublinesca”, Enrique Vila-Matas

 “Uma Proposta Modesta”, Jonathan Swift

“Pergunta ao Pó”, John Fante

 Luís Ricardo Duarte

“Uma viagem à Índia”, Gonçalo M. Tavares

“Livro”, José Luís Peixoto

“Deixem Falar as Pedras”, David Machado

“O Seminarista”, Rubem Fonseca

“Liberdade”, Jonathan Franzen

“Tudo o Que eu Tenho Trago Comigo”, Herta Müller

“O Cemitério de Praga”, Umberto Eco

“Contos Carnívoros”, Bernard Quiriny

“Os Dois Amigos”, Kirmen Uribe

“Vidas Imaginárias”, Marcel Schwob

 José Mário Silva

“HHhH – Operação Antropóide”, Laurent Binet

“A Outra”, Ana Teresa Pereira

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