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Crónicas no image

Published on Junho 13th, 2011 | by Adelaide Williams

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Clara Ponty… em direção à luz – into the light (PT/EN)

6 de junho de 2001, Café de la Danse. Neste mundo sem tempo, é raro o artista que pode roubar 90 minutos das nossas vidas sem o crime ser notado. Clara Ponty anunciou a sua intenção de nos levar numa viagem e foi fiel à sua palavra.

Sinceramente, não estava com disposição para viajar e estava desconfiada dos padrões minimalistas de alguns dos primeiros temas. Não me devia ter preocupado, pois era claro que a ‘menina’ Ponty é guiada por uma forte visão artística. Foi a consistência desta visão que deu um caráter tão forte à sua atuação.

Individualmente, houve temas que pareceram luz através de uma teia bem engendrada, e é precisamente essa qualidade etérea que ela evoca tão bem. Ficou claro que, apesar de uma exímia técnica de piano, Clara evitou o virtuosismo para o seu próprio bem. Na verdade, os músicos misturaram-se numa fina tela de expressão controlada, proporcionando uma paleta grande e variada para as suas dádivas.

A experiência coletiva de Clara e dos seus músicos foi muito benéfica, na medida em que se movimentavam com facilidade entre estilos, ecos de Steve Reich misturados com elementos brasileiros e pop orelhuda, mas tudo feito com pezinhos de lã e bom humor que ninguém poderia ficar ofendido.

Há muitos artistas que desejam trazer-nos tragédia e horror, e que parecem ter sondado as profundezas do desespero. Muitos parecem querer partilhar este dom. Carla Ponty não. A artista valoriza os prazeres mais simples da vida e tem o dom de comunicá-los através da música. Eu, por exemplo, deixei o concerto com um passo mais leve do que quando entrei.

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June 6th 2011@ Café de la Danse. In this time-starved world it is a rare artist who can steal 90 minutes of our lives without the crime being noticed. Clara Ponty announced her intention to take us on a voyage and was true to her word.

I was not in the mood for travel and was suspicious of the minimalist patterns of some of the opening numbers. I need not have worried, for it was clear that Miss Ponty is guided by a strong artistic vision. It was this consistency of vision which gave such a strong character to her program.

Individually, there were items which seemed light to the point of gossamer, but it is exactly this ethereal quality which she evokes so well. It was clear that, despite a fine piano technique, she eschewed virtuosity for its own sake. In fact, the entire group of musicians was blended in a fine display of controlled expression, providing a large and varied palette for her offerings. 

The collective experience of Clara and her musicians was a great boon, as they moved easily from style to style, echoes of Steve Reich mixed with Brazilian elements and bubblegum pop, but all done with such a light touch and good humour that no-one could be offended. 

There are many artists who wish to bring us tragedy and horror, and who appear to have plumbed the depths of despair. Many seem to wish to share this gift. Not so Carla Ponty, who shows an appreciation of life’s more gentle pleasures and has the gift of communicating it in music. I, for one, left the concert with a lighter step than when I entered.

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