Festmag

Entrevistas no image

Published on Julho 27th, 2011 | by Inês Henriques

0

Luísa Maíta: Um Lero muito bom

A cantora brasileira Luísa Maíta atuou este domingo no Festival Músicas do Mundo, em Sines, e falou à FEST MAGAZINE.

«É a minha primeira vez na Europa. A tournée [digressão] tem sido demais», disse Luísa já a entrar no elevador, depois do gravador desligado e de quatro entrevistas seguidas. No dia em que chegou a Portugal e rumou a Sines para, às 21:45, se estrear no palco luso. A FEST MAGAZINE foi a última e embora mostrasse cansaço, a cantautora brasileira não se negou a mais meia dúzia de perguntas.

Luísa Maíta tem 28 anos, um ar super clean, uma voz doce, uma sensualidade ingénua, como se estivesse longe, num mundo seu. É assim fora e em cima do palco. O seu disco de estreia “Lero Lero” mistura o samba sofisticado, a eletrónica, passa pela onda jazz e tem tempo ainda para um funk. Mas a base do seu trabalho é mesmo a Música Popular Brasileira (MPB).

«Acho que sou influenciada pela música brasileira. O que canto tem uma ‘brasileidade’ forte e de maneiras diferentes. Acho que procuro trazer uma coisa pop para o som porque eu tenho essas influências também», assume Luísa, filha de pai sírio e mãe judia, o que encaixa na perfeição num era de globalização.

Para primeiro álbum em nome próprio – começou na banda Urbanda, com ‘shows’ apenas em terras de Vera Cruz – apostou na «conversa». ‘Levar um lero’, no Brasil, é ter uma conversa, mas para Luísa a música permite um diálogo diferente.
«[O disco] Fala da relação de amizade entre dois amigos íntimos, com a mesma linguagem, do mesmo luga, que entendem um ao outro só de olhar. Esse álbum é uma forma de me comunicar, uma conversa com as pessoas. Lero é uma conversa, o disco é uma conversa. Na música você expressa coisas que numa conversa não consegue», explicou.

Num país em que a música ecoa a cada esquina, que a cada minuto desabrocham novas caras, Luísa acredita que o que é preciso é «ir trabalhando. Keep working». «A única maneira de sair da coisa genérica e criar uma coisa pessoal», recusando entrar pela «coisa pensada», já que «cria distância da essência se é pensada».

A cantautora brasileira adora ‘essa’ boa onda dos festivais, quer pelo público, «que não sai diretamente do trabalho» e pelo convívio com os outros músicos – excecionais, diga-se – porque «a música está mais presente. Não é como se cada um saísse da sua casa em São Paulo…».

YouTube Preview Image

Luísa Maíta recebeu o Prémio Revelação da 22.ª edição do Prémio Música Brasileira. Espera-se que deixe a revelação para passar a ser uma artista confirmada. Pelo concerto em Sines, aparenta ter credenciais para isso. É um som bom, numa voz doce, com sabor do Brasil, mas com um toque ‘world’.

Siga-nos aqui:

Tags: ,


About the Author



Comments are closed.

Back to Top ↑