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Crónicas no image

Published on Julho 4th, 2011 | by Inês Henriques

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Maria Gadú: cai bem a qualquer hora

Maria Gadú já ganhou o coração do público português. No domingo, entre Expensive Soul e Ney Matogrosso, encaixou lindamente.

No Brasil cabe tudo. Quando surgem, os artistas parecem ter sempre algo novo, mesmo muitas vezes sendo, à segunda e terceira audições, semelhantes a um outro artista. Não nascem todos os dias Chicos, Caetanos, Jobins, Bethânias, mas a música brasileira continua a ser um filão em que (quase) tudo parece soar a novo.

No domingo, no Delta Tejo, o festival do café e da lusofonia, foi o dia do país irmão no palco principal – salvo a abertura que pertenceu aos portuguesíssimos Expensive Soul. Mari Gadú já tinha estado por cá há um par de meses. Na altura, perdi esse concerto e mesmo gostando da música que passava nas rádios, não senti frustração por falhar o espetáculo.

Mas domingo decidi que seria uma boa oportunidade. E por isso, resolvi ficar a conhecer melhor Mayra Corrêa Aygadoux. E se é doce ouvi-la numa qualquer coluna de pc ou de rádio, melhor é ao vivo. Em festival de verão. Num fim de tarde. Num serão de vinho regado a fogo. Numa sala intimista.

O repertório oferece uma oscilação de toadas melódicas. Do samba-canção ao lado mais jazz/blues, passando pela faceta pop. E Gadú prima, a certa altura, pela coragem. De entre os covers apresentados (os brasileiros “Lanterna Dos Afogados” ou “Trem Das Onze”, tantas vezes cantado e já pertença de todos) surge “Ne Me Quitte Pas” de Brel (falar do tema e dizer que é de Brel é quase uma redundância, mas adiante…). É quase uma heresia mexer num clássico. O francês deixa a desejar mas, como uma miúda de pouco mais de sete anos, consegue dar a sua intensidade ao tema, consegue fazer-se ouvir sem ferir os mais puristas.

Maria Gadú, para quem ainda não conhece, faz lembrar Cássia Eller, na voz meio-rouca, na descontração. Mas, ainda assim, é ela mesma. Agora é esperar pelo próximo trabalho e perceber se esta jovem de 24 anos é talento puro ou golpe de sorte e de que forma se vai afirmar num panorama como o da MPB.

A noite não foi só da cantora. Foi de Ney Matogrosso. Djavan era o escolhido (e uma das razões da minha ida ao Alto da Ajuda, Monsanto), mas não pôde vir. Vi Ney, pela primeira vez, o ano passado no mítico Coliseu do Porto, também em estreia. Sem a exuberância visual de outros ‘carnavais’, mas sempre ‘picante’, o músico fez-me sair da sala a pensar em “Beijo Bandido” e a levar comigo o que ali tinha ouvido. Desta vez, porém, sentiu-se que aquele não era o sítio para se ouvir “Beijo Bandido”. E o Delta Tejo é, quase de certeza, o festival mais ‘intimista’ do verão.

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