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Crónicas no image

Published on Agosto 28th, 2011 | by Sara Santos Silva

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Noites Ritual’11: elétricas e ritmadas

Aqui não há tendas, nem bandas estrangeiras, nem inúmeros quilómetros a percorrer até ao recinto. As Noites Ritual são um festival diferente e incluem-se na dita “ressaca de festivais”. Fizeram agora 20 anos e o ritual apenas perdeu o rock no nome. O ecletismo mantém-se, o festival cresce e os portuenses continuam a acarinhar estas noites tão especiais para a cidade e para o panorama musical português.

“A música portuguesa a gostar dela própria”. O Tiago Pereira que me perdoe o uso desta expressão, mas nenhuma outra diria melhor o que as Noites Ritual fazem sentir. Ao contrário do que muito se pensa (e pouco se diz), este não é um festival menor; é sim uma homenagem à boa música que se faz em Portugal. Este ano, a organização estabeleceu preços simbólicos – entre os três e os sete euros -, mas a enchente foi igual ou maior à dos anos anteriores, em que por norma não se pagava entrada. Em exposição, “25 anos, 25 fotos” do habitué Cameraman Metálico, na sala VIP do Pavilhão. A grande novidade foi a iniciativa Ritual Late Night DJ’s, no Pavilhão Rosa Mota, das 3:00 às 6:00 da manhã, que, no entanto, não teve a adesão que possivelmente se esperava. O recinto estava controlado, mesmo sem o policiamento excessivo de outros anos. Para além disso, a pontualidade impera nas Noites Ritual.

Primeira noite / Eletricidade

Os Zen, que regressaram aos palcos em junho, no Hard Club, eram indubitavelmente os mais aguardados da noite. Com o primeiro álbum, “The Privilege of Making the Wrong Choice” (1998), revelaram-se uma banda explosiva de funk e rock e talvez os quase 10 anos afastados dos palcos tenham contribuído para que este grupo portuense tenha permanecido mítico.

O concerto flamejante foi um dos momentos altos deste primeiro dia. O vocalista, Rui Silva a.k.a. Gon, exuberante e incendiário saltou com ousadia para o público e nem a queda desamparada o impediu de repetir a proeza. Em boa pronúncia nortenha, mostraram ao longo de todo o concerto um enorme prazer em estar a tocar na sua terra natal. Terra essa que os recebeu entusiasticamente.

André Tentugal é exímio em tudo o que faz. Para além de ter realizado alguns dos melhores telediscos nacionais dos últimos tempos (X-Wife, Mind Da Gap, Os Tornados) e de ter colaborado com a Videoteca do Bodyspace, mostra-nos agora o seu talento na música com o projeto We Trust. Rodeado de Rui Maia, Nuno Sarafa, Gil Amado, João André e Sérgio Freitas, o coletivo foi a grande atração do palco Ritual. O single “Time (Better Not Stop)”, do álbum que ainda vai ser lançado este ano, foi entoado em coro por toda a plateia e, na noite seguinte, muitos ainda entravam no recinto a cantarolar o refrão.

Destaque ainda para os Linda Martini e para os X-Wife, que tiveram atuações ao nível a que já nos deixaram habituados. Em relação a Linda Martini, desde os primeiros concertos a que assisti, em 2007, que todos os músicos se mostram ainda mais aguerridos, nomeadamente a baixista Cláudia Guerreiro.

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