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Música no image

Published on Setembro 7th, 2011 | by Inês Henriques

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Reportagem: 35.º Avante: a música, a política e o amor

A Festa do Avante comemorou 35 anos e, durante três dias foi um espaço onde coube tudo, desde a política ao amor.

O tempo lá deu tréguas e os três dias da Festa do Avante, na Quinta da Atalaia, margem sul do Tejo, foi brindada por dias de sol e noites amenas. Ao local acorreram cerca de 150 mil pessoas. Aqueles há que lá vão pelo partido, para rever camaradas, trocar ideias e sentirem-se mais próximos num país onde a crise se instalou, não só à beira-mar, mas em tudo o que era terreno. Outros há que lá vão pelos concertos, onde a música portuguesa é rainha, mas que deixa espaço para outras línguas.

É uma festa onde cabe tudo, de facto. Até o amor e o romantismo, aquela caraterística inerente ao ser humano e que parece cair em desuso. Pois bem, Avante amor. Domingo, cerca das 20:00 – atraso de meia hora devido ao comício de Jerónimo de Sousa -, deu início Marco Rodrigues ao seu concerto no Auditório 1.º de maio, situado ao largo da baía do Seixal. Aos poucos foi enchendo. Afinal, tratava-se de fado, ainda que de uma nova geração. Cedo agarrou no público. E o momento aconteceu pela quarta música, a “Valsa das Paixões”, que o cantor normalmente divide com Mafalda Arnauth. Desta vez, fê-lo sozinho.

Começou por perguntar quem sabia dançar a valsa. E eis que, do meio do público, um rapaz, que diria ter entre 17 e 19 anos, se chega afoito ao palco, entrega um bilhete a Marco Rodrigues: «A Valsa das Paixões, para dedicar à Marta», estava escrito. Aplausos entusiastas. E a Marta, meio tímida, mas destemida, lá se levantou para a ovação. E os dois, o rapaz de 17 a 19 anos e a Marta, juntos, ficaram de pé todo o tempo daquela música, como se Marco Rodrigues a cantasse só para eles, como se naquela tenda à beira-mar situada estivesse vazia de gente. Aquela atuação ganhou mais força ainda e leva a pensar que o romantismo é algo que nunca deixa de estar na moda. Um clássico.

Os 35 anos do Avante foram ainda brindados com um concerto dos Trovante. Para muitos miúdos que por lá andavam, e não eram poucos, aquele nome deve ter soado a qualquer coisa pré-histórica. A bem da verdade, estão aí para as curvas, até porque todos acabam por estar ligados à música. As canções continuam intemporais, têm uma sonoridade muito própria. E foram os únicos a ter direito a encore. Dois, na verdade. Era sábado à noite, depois deles só mesmo o ‘até amanhã’.

No meio de tanta música, num recinto à pinha onde se demora eternidades a chegar a qualquer lugar, fica difícil (para não dizer quase impossível) assistir a tudo. Para além da música, há a comida, há a camaradagem. Ouve-se o que se pode e estes são apenas dois dos momentos musicais escolhidos de entre tantos outros que se poderiam escolher e que dariam, com certeza, boas histórias.

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