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Published on Outubro 17th, 2011 | by Filipe Pedro

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33.º Trans Musicales: Sons de amanhã para ouvir hoje

Quase 100 artistas de 20 países, entre os quais Spank Rock, Shabazz Palaces, Alexander Tucker, Fuel Fandango, Ghostpoet, Epic Rain, Robin Foster, Colin Stetson e Stuck In The Sound, atuam no 33.º Festival Trans Musicales, de 1 a 3 de dezembro, em Rennes, França. Pensem em novos artistas, com álbum de estreia a editar em breve e em dúzia e meia de bandas independentes de culto – essa é a filosofia de programação do festival de novas músicas que acontece desde 1979 na capital bretã.

Aos nomes citados junta-se, por exemplo, o rock noise jazzístico e experimental dos catalães Za! (sex 2, Hall 4, 21:30), o eletro de vanguarda do inglês Zomby (sáb 3, Hall 9, 21:00), o blues rock psicadélico e revivalista dos britânicos Wolf People (sáb 3, Hall 3, 04:45), o indie pop eletro dos bascos We Are Standard (qui 1, Liberté, 01:40), a pop eletrónica do dj inglês Totally Enormous Extinct Dinosaurs (sex 2, Hall 4, 04:10), o eletro new beat punk do mexicano Silverio (sex 2, Hall 9, 02:35), o dubstep soul dos britânicos SBTRKT (sex 2, Hall 4, 01:45) ou o caldeirão rock dos norte-americanos Holloys (sáb 3, Hall 3, 03:05).

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Zomby - "Digital Fauna"

O Rencontres Trans Musicales de Rennes (Trans), capital da Bretanha, no noroeste de França, promove anualmente encontros de culturas e géneros musicais sem preconceitos, fruto do elevado grau de melomania do diretor e programador Jean-Louis Brossard – desconhece-se outro festival com cem atuações em que o seu o responsável seja visto frequentemente a correr de um lado para o outro, a dar entrevistas, a participar nas conferências de imprensa, a aplaudir as bandas e, espantem-se, a incentivar encores – e não julguem que corre apenas em “casa”, pois já foi visto a “voar”, literalmente, no festival de Benicassim, em Espanha.

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Totally Enormous Extinct Dinosaurs - "Garden"

A criação de uma lenda
Depois de um formato inicial mais ou menos caseiro, o Trans teve um crescimento significativo na transição dos anos oitenta para os noventa, altura em que passou a ser conhecido como “festival das descobertas”. Massive Attack, Nirvana, Björk, Portishead, Beck, Lenny Kravitz, Daft Punk, The Chemical Brothers ou Ben Harper, só para citar alguns, foram nomes dados a conhecer, na Europa Continental, por estes “encontros especiais”, chamemos-lhes assim.

No Trans, ao longo dos últimos 15 anos, testemunhámos atuações premonitórias, como os primeiros passos de Goldfrapp, Nitin Sawhney, Delta 72, Make Up, Bobby Conn, Gotan Project, Nicola Conte ou Zero 7, artistas que em início de carreira mostraram o seu trabalho a pouco mais de duzentas pessoas.

Na 25.ª edição, Ben Harper e Beth Gibbons ofereceram prendas especiais ao festival: o primeiro atuou sozinho em palco e segunda reuniu-se com os franceses Le Peuple De L’Herbe para interpretar temas de “Dummy”, álbum de estreia dos Portishead. E fizeram-no sem cachet, agradecendo o “empurrão inicial” oferecido pelo festival.

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SBTRKT - "Wildfire"

Portugueses que deixam saudades
Por lá passou também Paulo Furtado, o nosso compatriota Legendary Tigerman, deixando os franceses boquiabertos e a pedir dois encores, em 2003. Com similar saudosismo, recorda-se a passagem de General D por Rennes na apresentação do disco “Pé Na Tchôn, Karapinha Na Céu” (1996). DJ Ride (2009) e os Batida (2010) fecham o estrito leque de artistas lusos que atuaram no principal festival de música da capital bretã.

A par de festivais como o SWSX (Austin, Texas, EUA), Dour (Bélgica) ou Primavera Sound (Barcelona, Espanha), a importância deste evento é reconhecida internacionalmente, na medida a que ele acorrem profissionais do meio musical, imprensa e até mesmo organizadores de festivais de locais tão distintos quanto Japão, Coreia do Sul, Austrália, Alemanha, Reino Unido, Brasil, Canadá ou EUA. Não estranhe se desconhecer os nomes dos cerca de 100 artistas da presente edição do Trans, sendo natural que venha a ouvir falar neles mais tarde. Se não acontecer, foram erros de casting. Arriscar faz parte do jogo.

Mudança indesejada
Apesar do eixo do Trans iniciar uma gradual mudança, em 2011, o Parc Expo do aeroporto de Rennes volta a ser a casa central do festival. Até 2003 o habitat do Trans era o pavilhão Liberté, situado na baixa da cidade, mas as demoradas obras de remodelação aliadas às políticas de ruas sem distúrbios de Sarkozy afastaram o «festival desordeiro» – uma óbvia referência aos conflitos entre a polícia de choque e os fãs da banda punk francesa Bérurier Noir, reunida exclusivamente para celebrar os 25 anos do Trans – do centro da cidade para o aeroporto, a 7 kms de distância.

Apesar da organização tentar suavizar a mudança, a mesma descaraterizou e penalizou bastante o evento, sobretudo ao nível do conforto, urbanidade e meios de transporte. Dois anos depois da reabertura do Liberté, e pelo terceiro ano consecutivo, a presente edição utiliza novamente o saudoso palco, agora remodelado, na noite de quinta-feira, 1 de dezembro.

Bars en Trans
A decorrer nos mesmos dias e em paralelo ao Trans Musicales, o Bars en Trans é um festival de música espalhado pelos bares do centro de Rennes. O objetivo principal é oferecer um palco a artistas em início de carreira que por vezes regressam em anos futuros para atuarem no Trans Musicales. Os estudantes universitários, sobretudo os que têm menos poder de compra, agradecem a generosa oferta dos espaços noturnos da cidade. Inicialmente gratuito, com a promoção almejada pelo famoso “boca-a-boca”, o Bars en Trans tem agora entradas reservadas a preço simbólico.

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33.º Rencontres Trans Musicales de Rennes
Liberté, Le Parc Expo Rennes Aéroport, La Cité, Le Triangle, L’Ubu, Le 4 Bis, Les Champs Libres, L’Aire Libre
França, 1 a 3 dez 2011
www.lestrans.com
Passes entre 47 e 115 euros

18.º Bars en Trans
Diversos bares no centro de Rennes
França, 1 a 3 dez 2011
www.barsentrans.com
Passes entre 3 e 10 euros
*Rue Saint-Michel, 2008, fotografada por Stéphane Mahé.

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