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Published on Outubro 19th, 2011 | by Sofia Ferreira

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9.º DocLisboa: volta ao mundo em 10 dias

Falta pouco para começar mais um DocLisboa. Sob o mote “o mundo inteiro cabe em Lisboa”, a edição deste ano oferece mais de uma centena e meia de filmes (171 + 1, para ser exata) vindos de 33 países diferentes. Entre 20 e 30 de outubro, a Culturgest, Cinema São Jorge, Cinema Londres, Cinema City Campo Pequeno, Cinemateca Portuguesa e Teatro do Bairro recebem as propostas surpreendentes de um dos mais interessantes e importantes festivais de cinema documental do país.

A nona edição arranca com o muito aguardado “Crazy Horse”, sobre os ensaios do novo espetáculo ‘Désirs’ do lendário cabaret fundado em 1951 por Alain Bernardin. Esta sessão de abertura contará ainda com a presença do realizador Frederick Wiseman, a quem o festival já havia dedicado uma retrospetiva em 2008 (aquando da sua sexta edição).

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"Crazy Horse", de Frederick Wiseman

Nas habituais categorias de competição internacional, portuguesa e investigações, compostas pelas melhores curtas, médias e longas metragens produzidas entre 2010 e 2011, destaque para “É Na Terra Não é Na Lua” de Gonçalo Tocha, o primeiro filme português a concorrer ao prémio máximo do festival. Com o objetivo principal de revelar obras ousadas e inovadoras que se situam entre o documentário e a ficção, a secção Riscos promete despertar o interesse dos espetadores. Aqui podemos ver “O Nosso Homem”, de Pedro Costa, “A Torre”, de Nuno Lisboa – em estreia mundial – ou “Sleepless Nights Stories”, de Jonas Mekas – que inclui um episódio rodado em Lisboa em 2009, altura em que foi homeageado pelo DocLisboa.

À semelhança de anos anteriores, há espaço ainda para três retrospetivas. Uma delas, de grande relevância política, sobre os movimentos de libertação das antigas colónias portuguesas em África intitulada “Movimentos de Libertação em Moçambique, Angola e Guiné-Bissau (1961-1974)” e as outras a homenagear dois grandes realizadores: Harun Farocki e Jean Rouch. Em relação a este último, teremos oportunidade de ver na Cinemateca Portuguesa, durante todo o mês de novembro, mais de cinquenta filmes do cineasta.

Dedicada aos documentários musicais, Heart Beat apresenta filmes inéditos em Portugal. Entre eles “George Harrison: Living In The Material World”, o mais recente de Martin Scorsese, “End Of The Century: The Story Of The Ramones”, de Jim Fields e Michael Gramaglia, “Troubadours”, de Morgan Neville, ou “Pixinguinha”, de Thomaz Farkas, falecido no início deste ano.

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"George Harrison: Living In The Material World", de Martin Scorsese

Fora de competição destaque para “Em Trânsito”, de Solveig Nordlung, “Jorge Salavisa”, de Marco Martins e “Um Filme Português” (seis olhares sobre um país através do cinema), integrados na seleção portuguesa, e “Agnès De Ci De Là Varda”, de Agnès Varda, “In Film Nist”, de Jafar Panahi – realizador iraniano condenado recentemente por manifestação e conspiração contra o regime de Mahmoud Ahmadinejad – e “Joann Sfar (Dessins)”, de Mathieu Almaric, dentro da seleção internacional.

O encerramento do festival fica a cargo de “Photographic Memory”, de Ross McElwee, estreado este ano em Veneza, sobre o amor fraturado de um pai e de um filho. Para o último dia fica reservado o filme-surpresa que, por questões jurídicas, só será revelado a dois ou três dias do final do festival. A organização garante tratar-se de uma obra da autoria de um dos grandes documentaristas da atualidade, palavras que fazem certamente aumentar a expetativa do público.

Durante 10 dias o mundo passa por Lisboa. Razão mais que suficiente para não perder esta grande festa do cinema.

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