“É Na Terra Não É Na Lua”, “Yama No Anata” e “Praxis” premiados no 9.º DocLisboa
Com mais de três horas de duração, o intenso, honesto e cativante documentário sobre a ilha do Corvo, “É Na Terra Não É Na Lua”, é o justo vencedor do Grande Prémio Cidade de Lisboa para melhor longa ou média-metragem do 9.º DocLisboa. “Yama No Anata”, com dois prémios – melhor longa na Competição Portuguesa e no Prémio Escolas – e “Praxis” – melhor curta portuguesa – são outros premiados.
Exibindo com orgulho o boné da ilha do Corvo e mostrando um grande à-vontade próprio de um artista multifacetado, Gonçalo Tocha recebe o principal prémio da noite das mãos de Anna Glogowski, diretora, e de Augusto M. Seabra, programador associado do DocLisboa.
“Ora bolas. Acho que toda a ilha do Corvo neste momento está aqui dentro (do prémio). Isto é um filme feito na justa proporção da ilha do Corvo. Feito com pouco, feito longe, feito com tempo. Foram quatro anos de longo trabalho em que… muito perto do final estava a dizer: «não vale a pena fazer este filme porque a experiência já está vivida. Não vale a pena. Nunca vou conseguir colocar na imagem tudo aquilo que nós passámos, vimos e vivemos.»”, confessa o realizador de “É Na Terra Não É Na Lua”, adiantando que mais tarde “houve um momento em que de repente tudo voltou à origem da aventura e da experiência de filme”.
“Às vezes fala-se um bocado do que é preciso para fazer cinema ou para fazer filmes. Não faço a mínima ideia o que é preciso. Sendo que esta é a segunda longa-metragem que faço sozinho, e sendo eu o meu produtor, aquilo que descobri é que para fazer um filme é preciso a mesma coisa do que na vida: dedicação, persistência, paixão e tempo. Principalmente tempo. Obrigado pelas pessoas que estiveram aqui e que viram o filme, tiveram tempo para ver o filme”, remata Gonçalo Tocha com natural comoção.
E se Aya Koretzky, realizadora de “Yama No Anata”, agradece de forma tímida nas duas subidas ao palco, Bruno Cabral, realizador de “Praxis”, está como “peixe na água” em cima do palco. O jovem realizador salienta a “grande motivação” que é para a produtora Garden Films receber um prémio pela primeira produção. Agora, indica, “é necessário ir para as escolas mostrar o filme, difundi-lo pelo país”.
“Na primeira sessão que realizámos quisemos trazer um bocadinho da comunidade escolar, associativa e política à sessão. Vieram vários deputados da Assembleia da República, responsáveis da Comissão de Educação, de muitas associações. Convidámos também todos os reitores de Lisboa e presidentes dos institutos. Só veio o presidente do Instituto Politécnico de Lisboa. Espero que o presidente do ISCTE, infelizmente por algum motivo poderá não ter chegado a tempo, e outros vejam todos este filme”, afirma Bruno Cabral.
O realizador de “Praxis” integra a APORDOC (associação responsável pelo festival) e considera que “os tempos são de grandes constrangimentos, de grandes dificuldades, todos falam nas crises e nas suas respostas”. Tal como a organização apontara no início da cerimónia de encerramento, também Bruno Cabral acredita que o “pior erro é aniquilar a edução – e o filme fala disso, de educação e de valores -, a ciência e a cultura, que deviam ser os motores da nossa sociedade”. “Se não apostarmos nisso, a austeridade só provoca mais austeridade”, conclui.
Na recta final, os organizadores explicam o porquê de tanto secretismo em volta “Duch, Le Maître Des Forges De l’Enfer”. A projeção do filme-surpresa podia ser cancelada por ordem judicial se houvesse um anúncio prévio. O documentário-choque do polémico Rithy Panh pode ser visto domingo, 30 de outubro, às 16:00, no Pequeno Auditório da Culturgest.
Palmarés DocLisboa 2011
– Competição Internacional
Grande Prémio Cidade de Lisboa para melhor longa ou média-metragem
“É Na Terra Não É Na Lua”, de Gonçalo Tocha, 185′ Portugal 2011
[vimeo width=”853″ height=”682″]http://www.vimeo.com/27480915[/vimeo]
Prémio DocLisboa para melhor curta-metragem
“Con La Licencia De Diós”, de Simona Canonica, 26′ Suíça 2010
Prémio Especial do Júri DocLisboa
“Territoire Perdu”, de Pierre-Yves Vandeweerd, 75′ Bélgica, França 2011
– Prémio Revelação DocLisboa
Prémio para a melhor primeira longa ou média-metragem transversal à Competição Internacional, Investigações e Riscos
“Ami, Entends-tu”, de Nathalie Nambot, 55′ França 2010
– Prémio Universidades
Prémio Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias para melhor longa ou média-metragem da Competição Internacional
“De Engel Van Doel”, de Tom Fassaert, 76′ Holanda, Bélgica 2011
– Investigações
Prémio RTP2 para melhor documentário de Investigação
“Diário de Uma Busca”, de Flávia Castro, 107′ Brasil, França 2010
Menção Honrosa do Júri do Prémio Investigações
“Rechokim The Collaborator And His Family”, de Ruthie Shatz e Adi Barash, 84′ França, EUA, Israel 2011
Competição Portuguesa
Prémio DocLisboa para melhor longa ou média-metragem
“Yama No Anata”, de Aya Koretzky, 60′ Portugal 2011
[vimeo width=”853″ height=”480″]http://www.vimeo.com/29894781[/vimeo]
Prémio Caixa Geral de Depósitos para melhor primeira obra
“A Nossa Forma De Vida”, de Pedro Filipe Marques, 91′ Portugal 2011
Prémio DocLisboa e ISCTE-IUL para melhor curta-metragem
“Praxis”, de Bruno Cabral, 29′ Portugal 2011
[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=_RQ4VN5ukt4[/youtube]
Prémio Escolas
Prémio Restart para melhor longa ou média-metragem da Competição Portuguesa
“Yama No Anata”, de Aya Koretzky, 60′ Portugal 2011
Prémio C.P.L.P.
Prémio para a melhor longa ou média-metragem dos Países de Língua Portuguesa
“Diário De Uma Busca”, de Flávia Castro, 107′ Brasil, França 2010


