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Música no image

Published on Dezembro 3rd, 2011 | by Paula Lagarto

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Reportagem: From Texas with… música, piadas sobre sexo oral e promessas

A sala é imponente. A sala é histórica. Josh  T. Pearson é imponente desde que se mostra do lado esquerdo da ‘mezzanine’ que rodeia o principal espaço da Sociedade de Geografia de Lisboa. Josh T. Pearson fez história no primeiro concerto em Portugal: aprendeu a dizer “merda” em português, contou piadas sobre sexo oral e cantou. E tocou. E cantou…

A longa e esguia silhueta vestida de negro, na qual quase não se encontram o início, nem o fim do cabelo e da barba já perante o público afina o único instrumento presente. Parece que o estado do tempo altera as cordas e pode fazer aumentar o vocabulário: “How do you say shit?” “Merda”.

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“Ok. Merda, merda, merda”. Mas o interesse pela língua não se ficou por aqui. De papel na mão, Josh manda a mensagem: “olá meninas, adeus rapazes”. Um humor auto-confessado que serve de introdução para um concerto auto-definido como sossegado, tranquilo e por isso faz as poses que os fotógrafos esperam para iniciar o concerto.

Longas canções em toada country mostram uma voz de sotaque cerrado que ora se sobrepõe, ora acompanha, ora se cala com o dedilhar da guitarra. Composições falam do tudo e do nada que interessa: o amor e a dor. Josh fecha os olhos em concentração. Josh fixa os olhos penetrantes no público.

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“É o preço a pagar por ser gigolô”, a fatura que Josh fez cobrar no primeiro dia do Mexefest de Lisboa, sabendo que as pessoas se iriam levantar, sentar, falar ao telemóvel e “all that crap”. Mas Josh repete que é engraçado e pergunta qual a pior coisa a dizer a uma mulher que fez sexo oral a Willie Nelson… ou seja em inglês “a women who made a blowjob”… ou em português uma mulher que fez o que começa também começa pela palavra b…

A resposta precisa de menos explicações: “Eu não sou Willie Nelson”. Do seu primeiro álbum “Last Of The Country Gentleman” cantou quatro cruas confissões em forma de música. Josh prometeu voltar a Portugal para um concerto mais tranquilo e com melhores piadas. Josh foi-se embora. Josh acenou do primeiro andar da mezzanine.

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O festival urbano de música Mexefest continua a fazer cruzar pessoas, lugares e sons. E num Tivoli cheio a dupla elétrica Handsome Furs fazia de tudo menos criar tranquilidade. De cabelo vermelho desalinhado e descalça, Alexei Perry pulou, suou, chorou frente ao seu teclado e ainda tem tempo para tentar fazer explodir o companheiro Dan Boeckner.

No palco houve uma gigante, mas Boeckner pouco menos descansou num espetáculo em que há muita e boa herança eletrónica dos anos 80. O público quis mais e não teve.

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Do outro lado da rua procurava-se um dos nomes mais sonantes da noite: Fanfarlo. Muitos em palco, mas pouca entrega total a um público desde cedo rendido. Trompete, violino e saxofone dão o toque mais folk ao indie e fazem dançar os fãs da banda made in Londres que prefere desalinhar a sala principal do cinema São Jorge.

Os principais hinos estiveram guardados para o encore da banda. Aqui o público quis e teve. O programa que mostrava as sobreposições musicais caraterísticas deste festival indicava uma sala nova: um átrio no metro dos Restauradores.

Debaixo da terra, o espaço parece ainda mais limitado e quem chega depois dos muitos primeiros só vê a placa com o mapa da linha do metro e as luzes que iluminam quem se sabe e quem se ouve: Paus. O som convida mas no dia seguinte ainda há mais quilómetros de música para andar e ouvir.

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