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Cinema e TV no image

Published on Março 2nd, 2012 | by Manaíra Athayde

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Exposição de hologramas junta ciência e arte para homenagear o Fantasporto

Eram três horas da manhã e ainda se ouvia barulho num dos laboratórios do Departamento de Física e Astronomia da Universidade do Porto. Não, não começa aqui mais um suposto argumento de um thriller próprio do Fantasporto. Trata-se da criação de um holograma em homenagem ao festival, num processo que interrompeu os trabalhos da secção de “Lasers e Óptica Quântica” durante uma semana.

«Gravámos a imagem tridimensional de madrugada para que não houvesse o mínimo movimento na sala nem no próprio edifício e conseguimos captar vários metros de profundidade, o que torna o nosso holograma, com cinco segundos de exposição, um dos poucos no mundo», afirma Luís Bernardo, um dos responsáveis pelo trabalho.

O holograma homenageia os trinta anos de Blade Runner numa «composição artístico-técnica que cria um ambiente totalmente virtual que associamos à realidade», nas palavras do professor Bernardo. Em primeiro plano, aparece um copo igual ao usado pelo caçador de andróides Deckard (Harrison Ford) numa das cenas iniciais do filme e uma garrafa de vinho datada de 2019, ano em que o replicante Roy (Rutger Hauer) estava programado para morrer.

Holograma em homenagem aos trinta anos do filme Blade Runner. Foto: Manaíra Athayde

Holograma em homenagem aos trinta anos do filme Blade Runner. Foto: Manaíra Athayde

O trabalho integra a exposição “Hologramas e Tecnologia Óptica”, que conta ainda com mais 14 peças holográficas de diferentes autorias e que podem ser vistas até 4 de março no Teatro Rivoli.

«Achamos que a holografia tem grande potencial de divulgação, de chamar a atenção e motivar as pessoas. É uma forma de mostrar o contributo que a universidade pode dar em geral à sociedade civil», afirma Hélder Crespo, comissário da exposição e um dos mentores do holograma comemorativo.

Hélder Crespo, comissário da exposição. Foto: Manaíra Athayde

Hélder Crespo, comissário da exposição. Foto: Manaíra Athayde

A holografia é a única técnica que regista ou apresenta uma imagem a três dimensões. «Hoje em dia ouve-se falar em 3D no cinema, mas isso não é a tridimensionalidade verdadeira, é estereoscopia, já conhecida no século XIX», comenta Crespo.

O trabalho holográfico, por conta de uma sofisticada técnica para a análise de materiais e armazenamento de dados a partir da gravação de imagens a laser, tem sido bastante visado pela especulação sobre a TV com holograma como a nova fronteira do 3D.


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