Festmag

Artes no image

Published on Março 21st, 2012 | by festmag

0

Vila do Conde: Brincar ao cinema na Animar

A Animar é um projeto anual, iniciado em 2005, que parte dos filmes de animação para a realização de uma série de atividades de carácter educativo concebidas para escolas e público em geral – visitas guiadas à exposição na Solar, sessões de cinema e outros espetáculos no Teatro Municipal de Vila do Conde, e ateliers para professores e alunos do ensino pré-escolar ao ensino secundário.

A Animar 7 promove a exposição Lanterna Mágica, uma “máquina de viajar no tempo” onde se pode, na Solar – Galeria de Arte Cinemática, voltar atrás até aos primeiros espetáculos de sombras e, com a colaboração da Cinemateca Portuguesa, percorrer alguns dos mais fascinantes aparelhos que marcaram a marcha da história do cinema cujo arranque se deu com a primeira sessão pública em Paris, em 1895 pela mão dos irmãos Lumiére: a câmara escura, as sombras javanesas, o teatro de sombras, a lanterna mágica, o taumatrópio, o fenaquistiscópio, o zootrópio, o praxinoscópio, o folioscópio e o cine nic.

E como de pré-cinema se trata nesta Animar, quatro artistas portugueses foram convidados a criar três objetos diferentes a partir daqueles brinquedos óticos e dos seus filmes/obras. O resultado do engenho e arte de José Miguel Ribeiro (“Dodu, o Rapaz de Cartão”), David Doutel e Vasco Sá (“O Sapateiro”) e Marcelo LaFontana (“Prometeu”) é um misto de história (do cinema) e estórias, em que as personagens daquelas obras se nos mostram através de novos brinquedos óticos.

Existe ainda a possibilidade de “espreitar” os resultados do projeto experimental na área do cinema de animação realizado por professoras/investigadoras do Departamento de Tecnologia e Design através de uma nova interpretação do brinquedo ótico zootrópio.

“Pedalotrope”, Vasco Sá e David Doutel, 2012
Partindo do grafismo do filme “O Sapateiro”, Pedalotrope é uma peça que junta o imaginário dos brinquedos óticos de animação ao universo dos sapateiros e engraxadores. Assente sobre uma antiga e autêntica caixa de engraxador, encontramos uma estrutura com pedais que fazem girar um ludoscópio e um zootrópio, que captado por uma câmara de filmar, insere quem pedala no cenário projectado. A peça Pedalotrope procura inserir o público na mecânica do cinema, colocando-o na posição de espetador e ao mesmo tempo como parte integrante da peça.

Vasco Sá e David Doutel
Desenvolvem trabalho em conjunto desde 2005. Co-realizam em 2007 o filme “Obtuso”. Colaboram entre 2008 e 2010 com a produtora Sardinha em Lata onde integram a equipa dos filmes “Os Olhos do Farol” de Pedro Serrazina e “Viagem a Cabo Verde” de José Miguel Ribeiro. Co-realizam o filme “O Sapateiro”, co-produção Sardinha em Lata & IB Cinema. A partir de 2011 colaboram com a produtora Bando à Parte, com a qual se encontram neste momento a pré-produzir a curta-metragem “Fuligem”.

“Floresta Mundi”, José Miguel Ribeiro, 2012
Sequência animada: Cartão, acrílico, resina, arame de alumínio recozido
Elementos do filme expostos: Marioneta Filipe, marioneta Dodu, bocas, Joaninha, envelope e respectivas caixas.
Vídeo: Excerto do filme Papel de Natal. Sonoplastia do filme criada por Fernando Mota e Tiago Inuit.
Era uma vez uma sala em pedra com caixotes de papelão a germinarem no teto que se abrem devagar com os primeiros raios de sol trazidos pela primavera. As folhas verdes caem sobre o chão recriando o universo do filme Papel de Natal. A luz dá vida a um conjunto de 12 papa léguas acabados de chegar do mundo do gelo que é preciso atravessar para chegar à Floresta Mundi.

José Miguel Ribeiro
José Miguel Ribeiro nasceu em 1966 na Amadora. Licenciou-se em Artes Plásticas – Pintura na “Escola Superior de Belas Artes” de Lisboa, estudou animação de desenho e volumes na Lazzenec-Bretagne/Rennes e na Filmógrafo/Porto em 1993/4. De 1997 ao ano 2000 realizou “A Suspeita”, média metragem em animação de volumes, à qual foram atribuídos 26 prémios internacionais, destacando-se o Cartoon D’Or 2000, tendo sido exibido nos principais canais mundiais de televisão. Em 2007 funda em conjunto com Nuno Beato e Eva Yébenes a produtora Sardinha em Lata. Após a estreia em Abril de 2009 de “O Passeio de Domingo” terminou recentemente a “Viagem a Cabo Verde”. Tem tido também uma atividade regular como ilustrador de vários livros.

“Prometeu”, Marcelo Lafontana, 2012
A propósito do espetáculo Prometeu, uma coprodução entre Estaleiro, o TFA – Teatro de Formas Animadas e a Casa da Música, Marcelo Lafontana concebeu um dispositivo que remete para o processo de criação da peça e para o próprio dispositivo cénico. A peça põe em cena a odisseia do titã grego Prometeu, contada numa recriação ocidental do Wayang Kulit, famoso teatro de sombras indonésio. Este trabalho inspira-se nas raízes tradicionais, mas desenvolve-as com tecnologia e linguagens do nosso tempo e da nossa cultura. As silhuetas ou marionetas podem ser manipuladas sobre uma mesa retro-iluminada e depois projectadas numa tela.

Marcelo Lafontana
Nasceu em São Paulo, Brasil, no ano de 1967. Licenciado em Artes Cénicas (São Paulo – Brasil) e Teatro e Educação (Coimbra – Portugal), com mestrado na área do ator-marionetista. Iniciou a sua carreira profissional em 1986, como ator, marionetista e professor de teatro. Assume em 1998 a criação e direção artística do projeto TFA – Teatro de Formas Animadas de Vila do Conde. Desde então, encenou diversos espetáculos com esta companhia. Participa em diversos festivais e encontros internacionais de teatro. Como docente na área artística, lecciona atualmente a disciplina Teatro de Formas Animadas na Licenciatura em Teatro da ESAP – Escola Superior Artística do Porto. Contratado pelo Ministério da Cultura – Direção Geral das Artes, pertence à Comissão Técnica de Acompanhamento e Avaliação de Projetos Teatrais na Região Norte.


About the Author



Comments are closed.

Back to Top ↑