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Crónicas no image

Published on Junho 9th, 2012 | by Paula Lagarto

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Reportagem Optimus Primavera Sound: O meu melhor dia zero de todos os festivais

Para quem nunca foi a Barcelona e só conhecia o Primavera pelos olhos, pernas e ouvidos outros, uma das minhas dúvidas era se afinal tinha de andar 15 minutos entre os palcos e perder as atuações. Ou pior, não me decidir sobre o que queria ver com tanta e boa oferta.

Mas esta quinta-feira quebrou mitos. E por isso faço já uma lista de verdades:
1. O Primavera é o festival com as melhores bandas.
2. Os palcos não estão assim tão longe. Mas o Porto não é Barcelona.
3. Fico nervosa com a antecipação da banda que vai tocar ali ao lado quando ainda estou a ver um concerto.

Com o sol ainda alto a fazer arrepender-me de não ter substituído a gabardina pelos óculos escuros, o projeto a solo de Bradford Cox convidava a sentar e/ou a deitar na relva e lembrar-me um outro festival aqui por terras lusas: Paredes de Coura, onde no ano passado tinha visto este agora Atlas Sound como líder dos Deerhunter.

Sem delirar por Yann Tiersen, estava na altura de aproveitar para satisfazer as necessidades básicas porque depois havia pouco tempo. A piada que correu – um Primavera com tempo de Glastonbury, conhecido pela boa música e ainda mais pela lama – quase se tornava real. Choveu, mas estamos num parque com relva e, digo eu, que falta bastante para dançar na lama.

Caras de miúdos e cabelos à tijela dos Drums fizeram dançar, só que o aperto na barriga já era bastante para ver Suede e insuficiente para acabar de ver este concerto. Afinal tinha de encontrar um sítio suficientemente à frente para não ver apenas Brett Anderson pelos ecrãs gigantes.

E sim vi, dancei, saltei, emocionei-me mesmo quando a voz de Brett já não é o que era e os tons agudos do passado deixaram-me saudades. Mas a performance com o fio do microfone, os refrões ‘lalalalas’ e as descidas constantes junto do público fizeram deste um dos espetáculos da noite.

O terreno inclinado ajudou a descansar o corpo e a muitos até serviu de cama quando decorria, para mim, o concerto mais fenomenal até ao momento: Mercury Rev. Em tons arroxeados como na capa do album “Secret Migration” e sempre envolto em fumo, Jonathan Donahue mostrou o seu lado dramático sem fazer concorrência aos desempenhos instrumentais que provaram que é melhor ao vivo do que em estúdio. E naquele momento nem me lembrei que Mercury Rev foi a substituição de Explosions in the Sky, a banda que ainda constava no programa oficial.

O frio e a humidade fez-me parecer The Rapture a banda ideal para dançar. E foi até o cansaço e o pensar que os dias que aí vêm farão com que escreva como título destas crónicas: o meu melhor xx dia do Primavera.

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