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Crónicas no image

Published on Junho 9th, 2012 | by Paula Lagarto

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Optimus Primavera Sound (dia 2) – Jackpot ou acertar em todos os números ao lado

«Other Lives já foi o concerto do dia». Disse-me alguém. E esta era uma das primeiras atuações de sexta-feira no Primavera do Porto. Escolhi ouvir Yo La Tengo. Pensei que o jackpot tinha sido ver Ira Kaplan repetir um dos seus solos de guitarra com tudo o que tinha à mão, inclusive. Além das mãos, usou amplificadores e só o chão e as guitarras com cordas intactas foram os seus limites. Georgia Hubley, que nunca é só a mulher de Kaplan, cantou, mas quem encantou foram os quatro técnicos que em pares assobiaram aos microfones a melodia de “My Little Corner Of The World” que encerrou o concerto.

Pelo menos sei que perdedores são sempre os concertos ao final da tarde em que os óculos ainda são todos escuros. Num evento apresentado como amigo do ambiente, caminhar entrou definitivamente no conceito. A expetativa de ouvir o final de War On Drugs no palco mais afastado do centro do recinto não fez queixar as pernas e fez-me pensar que se não fazia bingo, conseguia linha. O sabor da pequena vitória durou pouco: Tennis já tinham tocado, apesar de estarem anunciados para mais tarde no programa azul e desdobrável que eu e milhares transportamos ao pescoço pendurado numa fita cor-de-laranja.

De castanholas em punho e saia assimétrica, que quis imediatamente saber se comprava, a vocalista de Chairlift começou uma atuação demasiado familiar a outros projetos. Esqueci Black Lips por Flaming Lips e foi o meu Euromilhões da noite. Um palco com adereços em tamanho gigante – balões coloridos, uma bola de espelhos, um gongo iluminado – dava as pistas. As ‘máquinas’ de confetes, as ‘claques’ de meninas em cada canto e a estola do ainda mais extravagante Wayne Coyne confirmaram. Se mais provas fossem precisas para mostrar que o psicadélico vive, Coyne percorreu a multidão dentro de uma enorme bola de plástico e garantiu que “todo o amor estava ali”. Por momentos, foi o público que fez o concerto só a gritar porque Wayne assim o queria.

E o espetáculo continuou, não tanto pela voz, mas pelas mãos gigantescas que Wayne calçou e das quais ‘saiam’ feixes de luzes que ora eram projetadas na bola de espelhos, ora sobre a multidão.
A chave de ouro foi a pergunta e várias respostas:
«Do You Realize – that you have the most beautiful face
Do You Realize – we’re floating in space –
Do You Realize – that happiness makes you cry
Do You Realize – that everyone you know someday will die»

E a despedida com a mensagem:
«And instead of saying all of your goodbyes – let them know
You realize that life goes fast
It’s hard to make the good things last»

Wilco serviu-me de banda sonora de luxo para deitar-me por momentos na relva e olhar o céu estrelado. Ainda às voltas com o programa azul pendurado ao pescoço desfiz o único grande dilema que tinha neste festival: ver Beach House ou Walkmen. E dividi-me. Comecei no dream pop com som perfeito. Só que o meu 1,60 metro de altura mal medido num palco sem ecrãs deixou-me tempo para dançar com o engravatado Hamilton Leithauser.

O tom mais eletrónico com que os M83 se têm apresentado hipnotisou e fez saltar a multidão durante uma hora, que soube a pouco. Mas no final achei que ganhei, apesar de tudo, a lotaria.

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