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Crónicas no image

Published on Julho 23rd, 2012 | by Paulo Pereira

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Blink 182 no Pavilhão Atlântico: «O quê? Queres ver que também já sou cota, eu?!»

Aos 20 anos de carreira, contando com um hiato de 2005 a 2009, os Blink 182 deram o seu primeiro concerto em Portugal. Se o tivessem feito aos 10, em pleno auge do sucesso, talvez tivessem enchido o Pavilhão Atlântico todo; assim, encheram a meia casa que lhes foi disponibilizada – e deram o espetáculo por que todos esperavam.

Numa noite com sabor a matiné – os concertos começaram pontualmente e às 22:30 já estava no exterior do recinto – os primeiros a subir ao palco foram os All-American Rejects. Numa atuação breve tiveram o condão de, com um alinhamento que incluiu sucessos como “Dirty Little Secret”, “Gives You Hell” ou “It Ends Tonight”, animar as hostes do primeiro ao último momento em palco. E serviu também para identificar parte do público: adolescentes apreciadores de punk-pop (rock?) melódico. A outra parte do público só se veio a revelar após a subida a palco dos cabeças de cartaz… e não de imediato.

Após um curto intervalo, eis que surgem em palco os Blink 182, começando com “Feeling This”, o meu tema favorito. So far, so good! Com um excelente jogo de luzes por detrás, o concerto continuou ao som de “Up All Night”, novo single do álbum pós-hiato, “Neighborhoods”. E foi ao terceiro tema que a previamente referida “outra parte do público” se fez notar…

A partir do momento em que a banda começou a revisitar os seus álbuns-chave “Enema Of The State” e “Take Off Your Pants And Jacket”, ambos lançados no final do milénio passado (1999 e 2001), muitos dos corpos que até então tinham estado pouco movimentados e expressivos se libertaram e voltaram a esses dias. Pessoas na casa dos vinte e muitos/trinta e poucos, alguns dos quais com óbvios sinais exteriores de (já) não serem apreciadores “deste tipo” de música rasgaram sorrisos e libertaram pulos tão ou mais entusiastas que os dos adolescentes que estavam assim desde os All-American Rejects, cantando com estes a plenos pulmões canções como “What’s My Age Again”, “Dumpweed”, “First Date”, “Anthem Part II” ou o incontornável “All The Small Things”.

A banda deu um concerto irrepreensível, sem falhas, revisitando praticamente todos os “hits” (ainda que a ausência de “Adam’s Song” se tenha feito notar) e confirmando ao vivo e a cores o que há muito sabíamos: Tom De Longe e Mark Hoppus são, para além dos seus talentos musicais, uma excelente dupla de “stand-up comedy” com um repertório vastíssimo de piadas ainda que limitado a uma coutada específica, a do humor javardo de liceu – as referências aos All-American Rejects e ao Justin Bieber apenas o confirmaram.

Para além disso, Travis Barker é dos mais impressionantes bateristas que já vi, pelo menos desde que Dave Grohl decidiu trocar as baquetes por palhetas, e isso foi por demais evidente o concerto todo… mas sobretudo aquando da entrada para o primeiro encore.

Sozinho com a sua bateria a disparar raios de luz pelo Pavilhão fora e com uma das filhas sentada em palco, Travis interpretou “Can a Drummer Get Some”, do seu álbum de estreia infestado de hip-hop. Com as partes vocais gravadas Travis teve o palco só para si e impressionou com o seu domínio sobre o instrumento.

Com o concerto a aproximar-se do fim esperavam-se os hinos finais. “Man Overboard” lançou o caos (ordeiro, passe o paradoxo) na plateia, tendo terminado com o lançamento de confetti. Ainda com muito papelinho a esvoaçar começa-se a ouvir “Shit, piss, fuck, cunt, cocksucker, motherfucker…” e pronto, ali estava a canção de 30 segundos “Family Reunion” com a qual tinham participado na maravilhosa coletânea “Short Music For Short People – 101 Bands Playing 30 Seconds Songs” a ser usada por Tom De Longe para repetir com o público ad eternum a frase final “I Fucked Your Mom”…!

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Teria sido o final perfeito, mas ainda houve mais – o regresso aos tempos anteriores à fama global com “Carousel” e o viciante “Dammit”. Não houve “Adam’s Song” mas não deixou de ser uma excelente estreia em território luso da banda-bandeira do punk-pop/punk para putos/punk mongolóide (escolha a descrição – todas elas são sinónimas).

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