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Crónicas no image

Published on Julho 18th, 2012 | by Paula Lagarto

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Optimus Alive 2012: Ainda bem que nem toda a gente gosta de… Amarelo

Eu tentei. Tentei ouvir Radiohead, o concerto que fez delirar milhares de pessoas no dia em que o Alive de 2012 esgotou. E de certeza que nem a multidão está errada, nem eu. Simplesmente nem toda a gente gosta de amarelo, nem de Radiohead.

Durante atuação, quem só tentou, nem tentou e nem quis tentar deslocar-se junto ao palco principal ficou sem opções musicais durante este festival. Mas havia muito espaço para descansar, comer, beber, ir à casa de banho, conversar como nunca encontrei mesmo depois dos palcos encerrarem.

Aquele foi o momento em que o recinto de Algés se transformou para mim, num lado e para muitos mais noutro. O meu espaço e tempo preferidos tinham sido imediatamente antes. Para Mazzy Star, guardei lugar à frente, mesmo a meio e vi da Hope Sandoval o que ela deixa mostrar e que é pouco. Mas ouvi da Hope Sandoval o que ela mostra e é muito. De lado ou de costas para o público, a vocalista escondia-se quando não cantava e mesmo quando fazia ecoar o timbre doce a penumbra nunca abandonou o palco, que tinha como fundo fotografias de um mundo onírico tal como os sons que se ouviam. Mas o ‘despertador’ acordou-me demasiado depressa. A banda saiu de palco sem palavras e como na maior parte das manhãs eu queria ficar ali pelo menos mais cinco minutos. Mais 35 minutos. Mais um sonho inteiro.

Se Hope Sandoval apenas sussurrou um par de agradecimentos, Alison Mosshart de The Kills chorou com o público e parou de cantar pelo público. Num concerto que estremeceu o recinto com muitos e bons rufares, a vocalista começou a entoar “Last Goodbye” e parou. Olhou para o público e com a pergunta “vais ver um médico?”, percebeu-se cá atrás o motivo do silêncio da música, que foi retomada e voltou a ter silêncios emocionados da vocalista. Foi o encerramento de concertos para mim, num dia que tinha começado com outras vozes femininas, as Warpaint, que deixaram boas memórias a quem assistiu.

No sábado, o dia foi mais ‘masculino’. Acompanhei The Antlers e convenci-me com Tricky, que autorizou duas invasões de palco e um encore. A segurar o público que fugia para The Cure, Tricky surpreendeu com uma versão de “Ace of Spades” dos Motörhead e com a subida ao palco de dezenas de fãs, que o provaram ser ao tentar tocar no tronco nu e a tirar fotos com o inglês, que não desiludiu e fez poses constantes.

Fusão do hip hop e do rock foi um dos concertos que inscrevo no pódio deste festival. Uma classificação onde tem de caber Cure. Já se esperavam três horas de concerto. Mas eu não esperava que a fasquia se mantivesse alta e um Robert Smith acima de qualquer definição que se tenha de excelente forma em palco. A voz e o seu virtuosismo na guitarra fizeram muito. O tudo foi ajudado pela escolha inteligente do alinhamento que revisitou a longa carreira da banda e pelos três encores. Quem tinha espreitado a setlist do concerto anterior achava que tudo terminava em “Boys Don’t Cry” e não. “Killing An Arab” veio a encerrar o concerto e ainda bem.


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