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Crónicas no image

Published on Julho 18th, 2012 | by Paula Lagarto

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Optimus Alive 2012: Guardar o melhor, na borda do prato

As crianças costumam guardar o que mais gostam para comer no fim. No primeiro dia do Optimus Alive foi isso que senti, o melhor esteve no fim, no palco secundário, com Death in Vegas.

Comecei o dia no palco mais pequeno naquele que foi o meu primeiro concerto punk de dia e quase de certeza para os próprios Parkinsons. Foram esforçados, mas a atitude não contagiou a geração muito nova que se colou às grades e não respondia nem aos incentivos, nem às provocações, nem a palavrões. Fiquei a questionar-me se haveria erro de casting… do público. As Dum Dum Girls encheram depois aquele espaço de estilo, beleza, presença e alguma música. A qualidade do som não ajudou a encantar para as meninas encantarem.

Do palco principal vinham sons bastante mais pesados e a mim pesava-me uma semana de trabalho, por isso fiquei a assistir preguiçosamente pelo ecrã exterior a Miúda, que começou e acabou com a música insistentemente reproduzida nas rádios e nas bocas. Por mais que se queira fugir, o refrão de “Com Quem Eu Quero” fica imediatamente colado ao ouvido assim como a imagem de curtos calções à vocalista Mel.

Muito mais do que experiência musical, seguiu-se para mim uma sociológica: gente a correr com caixotes na cabeça a imitar robots, outros com capas de lantejoulas, outros com roupa de ginástica, que dada a minha idade, a coloco sempre no mau dos anos 80. No palco, estavam personagens que podiam ter sido criadas pelo cómico britânico Sasha Cohen: os LMFAO, que prometem, pedem e fazem e recebem festa.

Mais calmo estava o ambiente com Snow Patrol no palco principal e que não chegou a aquecer com Stone Roses. Históricos, influentes e marcantes, os britânicos de Manchester mostraram como se é bom instrumentalmente. Na parte vocal, Ian Brown teve a ajuda preciosa do público que entoou as canções dos dois álbuns da banda, que começou e encerrou como o esperado: “I Wanna Be Adored” e “I Am The Resurrection”.

Chegavam-me impressões de que o concerto de Buraka Som Sistema estava animado, mas a curiosidade por Justice foi maior. Com amplificadores empilhados no palco, a habitual cruz branca, e muitos jogos de luzes o recinto principal do festival de Algés encheu-se de braços no ar que acompanhavam a batida forte debitada pela dupla francesa de música eletrónica. E foi uma batida forte. Muito forte.

De cabeça coberta pelo capuz do seu casaco felpudo branco, Zola Jesus já estava no palco secundário a confirmar como a atuação dos Buraka tinha sido boa. “Em Portugal, sabem como é”, garantia a cantora descalça, que fazia elevar a voz entre os sons industrial, experimental e a eletrónica.

E cá chego à borda do prato. Marcado para as 03:00, Death In Vegas têm camadas que são ainda mais evidentes em palco. Junta-se pós-punk, eletrónica, psicadélica, rock e house. Juntam-se sintetizadores com guitarra, bateria e baixo e ouvi um concerto, que durou pouco tempo. Muito pouco tempo porque afinal era o que tinha guardado para comer em último lugar, porque gosto.

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