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Published on Agosto 3rd, 2012 | by festmag

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Sunny Murray na abertura do 29.º Jazz em Agosto

Na abertura do festival marca presença o trio do músico americano Sunny Murray, o primeiro baterista do free jazz. Este ano o foco é dado a formações mais pequenas, duos e trios, mas também à nova geração do jazz britânico, como Led Bib e o trioVD. Outro destaque são os pianistas – Misha Mengelberg, Matthew Shipp, Marilyn Crispell – e os DJs experimentais no Teatro do Bairro – Marcos Farrajota aka unDJMMMNNNRRRG, eRikm (França) e DJ Sniff (Japão). A 29.ª edição do festival Jazz em Agosto arranca hoje e decorre até 12 de agosto na Fundação Calouste Gulbenkian e no Teatro do Bairro.

O Jazz em Agosto conta com seis concertos ao ar livre no Anfiteatro ao Ar Livre da Gulbenkian, três concertos no Teatro do Bairro seguidos de sessões de turntablism que vão prolongar as noites no Teatro Bairro. A programação é ainda complementada com a exibição de quatro filmes documentais sobre a atualidade do jazz, com a presença e apresentação dos respetivos realizadores, e com uma conferência sobre crítica de jazz.

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O Jazz em Agosto traz a Lisboa, em 2012, figuras históricas e novos valores que marcam o presente, proporcionando concertos únicos, que atestam a diversidade e renovação do jazz. A 29.ª edição do festival decorre entre 3 e 12 de agosto com seis concertos no Anfiteatro ao Ar Livre da Fundação Calouste Gulbenkian, irradiando até ao Teatro do Bairro, para três concertos no espírito dos clubes de jazz.

Sunny Murray, o primeiro baterista do free jazz, abre esta edição do Jazz em Agosto. O lendário músico americano de 75 anos, ex-companheiro de Cecil Taylor e Albert Ayler nas suas primeiras incursões musicais, apresenta-se agora em trio com dois consagrados músicos britânicos – John Edwards, no contrabaixo, e Tony Bevan, no saxofone tenor. A parceria, cultivada pelos músicos há dez anos, apresenta-se aqui renovada graças à interação e criatividade na exploração de novos territórios.

Aclamado pela crítica e uma verdadeira lufada de ar fresco no jazz britânico, o jovem quinteto Led Bib quebra as fronteiras musicais fazendo coabitar tons de Zappa e Ornette Coleman, mas também de funk, heavy metal ou rock. Com eufóricas explosões de improvisação, o grupo Led Bib combina a energia e a paixão do rock com a técnica aperfeiçoada do jazz, antevendo-se um concerto contagiante.

Misha Mengelberg e Evan Parker, duas personalidades do jazz e da improvisação europeia, retomam aqui um primeiro e único encontro realizado na famosa associação de músicos de jazz e música improvisada, Bimhuis de Amesterdão, em 2006. Seis anos depois, Mengelberg, no piano e Parker, num registo menos habitual, em saxofone tenor, juntam-se novamente no palco do Anfiteatro ao Ar Livre, num concerto singular.

Matthew Shipp, pianista americano com uma produtiva carreira na música criativa e créditos firmados na cena vanguardista do jazz, apresenta-se agora como líder do Matthew Shipp Trio. O novo grupo apresenta uma performance simbiótica que surpreende e amplia a convencional ordem do trio piano/contrabaixo/bateria. Individualmente, a pianista Marilyn Crispell e o percussionista Gerry Hemingway são improvisadores-natos, mas desde que se constituíram como pilares do quarteto de Anthony Braxton (com Mark Dresser) nos anos 1980/90, solidificaram sensibilidades. Em duo, proporcionam um diálogo espontâneo, com poderosas explosões e delicadas incursões a um mundo mais subterrâneo e labiríntico, desafiando a perceção do auditório.

O Ingebrigt Håker Flaten Chicago Sextet liderado pelo contrabaixista e compositor norueguês, agora residente nos EUA, assume uma ponte norte-atlântica com um grupo de músicos de Chicago, num projeto estreado há menos de um ano. O sexteto de Ingebrigt Håker Flaten, reflete uma visão global, onde cabem músicos com qualidades individuais reconhecidas e troca de saberes surpreendente, numa verdadeira revelação musical.

No palco do Teatro do Bairro serão apresentados, pelo segundo ano consecutivo, três concertos arrojados e experimentais de pequenas formações de jazz. Complementarmente, num afterhours aliciante que prolonga as noites no Bairro Alto, DJs com a prática de turntablism mostram como esta arte importou do jazz a improvisação e o experimentalismo.

Carlos Zíngaro, violinista português internacionalmente reconhecido no campo da improvisação e Pedro Carneiro, vencedor do Prémio Gulbenkian Arte em 2011 e considerado um dos melhores percussionistas nacionais, destacam-se no novo grupo português Nuova Camerata. O quinteto apresenta-se no Teatro do Bairro como um grupo recente de música de câmara improvisada.

Marcos Farrajota, autor de BD alternativa num estilo arte bruta, adota no gira-discos o nome unDJMMMNNNRRRG. Também na música, a sua performance destaca-se na escolha temática de onde emerge um humor menos convencional e uma estética “primitiva”.

Oriundo de Leeds, o trioVD, ou “Valentine’s Day”, apresenta uma filiação entre o avant-funk, o jazz e o rock. Explorando sonoridades explosivas de grande intensidade, numa progressão exaltante, o grupo constitui uma referência do atual jazz desviante do Reino Unido. Na mesma noite, eRikm aciona o gira-discos do Teatro do Bairro. O turntablist francês mostra o seu lado marcado de compositor eletroacústico. Adepto de música concreta, a performance de eRikm interliga-se com a dança, as artes visuais e a improvisação.

“O Mundo é Melhor Sem Capitalismo” é o título de uma das músicas de Hanns Eisler (1892-1962), discípulo de Shönberg, e perseguido pela ideologia marxista. Inspirado pelo compositor, o trio Das Kapital, apresenta uma música de teor político. Sem barreiras e numa multiplicidade de estilos, os idiomas do jazz modulam e transfiguram-se em canções populares e hinos revolucionários, numa performance com um toque de humor. A fechar a última noite do Teatro do Bairro, estará DJ Sniff do Japão, figura de destaque na música experimental, que usa a tecnologia de hoje e do passado. Catapultado para a ribalta por Evan Parker, Dj Sniff é hoje diretor artístico no prestigiado STEIM Institute, onde estudou fonografia, história do DJ e performance.

A programação do Jazz em Agosto inclui ainda a exibição inédita, no Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian, de filmes documentais que aprofundam a programação da 29.ª edição, num horário (18:30) que antecede os concertos no Anfiteatro ao Ar Livre:

– “Sunny’s Time Now”, de Antoine Prum, fixa fases da carreira do baterista seminal do free jazz, Sunny Murray, alternando com testemunhos de Cecil Taylor, Val Wilmer, Robert Wyatt, William Parker e registos de concertos. Um foco sagaz e oportuno sobre o movimento libertário do jazz, numa época de particular clima político nos anos 1960, e do qual o baterista foi parte ativa antes de se radicar em Paris.

– “Soldier of the Road – Peter Brötzmann”, de Bernard Josse e Gérard Rouy, apresenta um retrato do saxofonista veterano e lutador da free music europeia na dimensão de artista absoluto como músico e artista plástico. O trabalho de um cineasta e de um crítico juntou um puzzle de relações que atravessa décadas: Evan Parker, Han Bennink, Ken Vandermark, Mats Gustafsson, Joe McPhee, Paal Nilssen-Love, entre outros.

– “Inside Out in the Open”, de Alan Roth, uma viagem expressionista ao mundo revolucionário e ainda ressonante do free jazz com o depoimento de onze músicos catalisadores do movimento e de várias gerações: Marion Brown, Baikida Carroll, Daniel Carter, Burton Greene, Susie Ibarra, Joseph Jarman, William Parker, Roswell Rudd, Matthew Shipp, Alan Silva, John Tchicai.

– “City of the Winds”, de Gilles Corre, faz um retrato completo da cena jazz contemporânea de Chicago guiado pela cantora Ellen Christi, ativista local e cúmplice do cineasta Gilles Corre, numa sequência de depoimentos e concertos que incluem Fred Anderson, Von Freeman, LeRoy Jenkins, Ed Wilkerson, Douglas Ewart, Bob Koester, John Litweiler, entre outros. Uma contribuição para o reconhecimento das novas direções do jazz nascidas em Chicago.

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O Jazz em Agosto encerra a programação paralela com uma conferência proferida pelo crítico de jazz Brian Morton sob o mote “ Jazz Criticism: An Open Verdict”. Co-autor do prestigiado Penguin Guide of Jazz, Morton falará sobre crítica de jazz na atualidade, mais como uma forma de improvisação e de intervenção do que como um veredito. Alguns dos concertos do Jazz em Agosto 2012, serão incluídos nesta perspetiva.

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