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Published on Setembro 13th, 2012 | by Joana Fonseca

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Sandra Battaglia: «O unitYgate cruza culturas e aproxima gentes e povos»

O projeto unitYgate 2012 é uma plataforma de trabalho através de um programa anual de intercâmbio cultural e artístico entre o Oriente e o Ocidente. O seu embrião tem ênfase nas ligações entre Portugal e Macau, acreditando os seus organizadores que ambos locais são portais de convergencia de diferentes culturas.

Os objetivos gerais assentam na promoção da criatividade, na partilha de conhecimentos artísticos e no desenvolvimento pessoal, numa aprendizagem conjunta e contínua com a arte e pela arte multidisciplinar e pluricultural. Em suma, a ideia é «unir pela diferença».

Depois de uma primeira fase macaense que decorreu em julho, o projeto realiza-se agora em Portugal com uma plataforma de workshops e espetáculos, entre os dias 14 e 30 de setembro. Esse foi o mote da conversa com Sandra Battaglia, mentora do projeto e diretora da companhia de dança Amalgama.

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Discorrer os objetivos do unitYgate
«Criar uma plataforma de intercâmbio cultural que possa contribuir para a partilha de conhecimentos, para a evolução do ser tanto ao nível da formação artística quanto do desenvolvimento pessoal, pela arte e com a arte» é o principal desígnio do unitYgate.

Sandra Battaglia explica-nos que o projeto tem dois braços essenciais – «a plataforma de workshops, ligados mais à dança porque é a nossa área de contacto mais direto, mas tentando chegar à música, à escrita criativa, à pintura, às diferentes expressões artísticas europeias e da Ásia – conseguimos reunir culturas da China e da Índia, mas também dos Estados Unidos, Inglaterra… através da dança clássica, através das danças históricas, europeias… percussão africana, também toca um bocadinho, seria impossível não tocar».

«No fundo» – prossegue – «este projeto, esta plataforma de formação artística – e não só, acredito que a arte está muito ligada ao sentido de desenvolvimento pessoal – há também formação ayurvédica, mais ligada à cultura indiana, que neste momento conseguimos chegar, e depois um espaço de consultas, que permite reforçar aquilo que dizia – a cura e a arte estão com certeza intrinsecamente ligadas também».

E não apenas o sentido do produto artístico e do sentido da formação artística, do projeto espera-se que seja «também uma plataforma de entendimento de uma arte do devir – que possa vir a ser diferente, com cruzamento de culturas, metodologias, princípios, quem sabe…», revela a diretora da Amalgama acrescentando que o segundo braço «é o painel de espetáculos que tenta ou pretende reunir as diferentes companhias e profissionais envolvidos no unitYgate e permitir que eles se expressem, que tenham espaço de expressão para as suas artes, para a sua expressão artística, para as suas artes e para as suas filosofias artísticas».

Os espetáculos
O painel de espetáculos que decorre paralelamente aos workshops tem início com uma cerimónia de abertura, no dia 14, sexta-feira, na Casa Museu Medeiros e Almeida – Sandra considera-o «um museu muito interessante situado no Marquês de Pombal, com coleções particulares de peças do Oriente – portanto já cruza um pouco o Oriente» – que mostrará «um bocadinho» de pequenas peças dos artistas que vão estar envolvidos, falará dos seus objetivos, das fundações que estão ligadas ao projeto, da dimensão que o projeto poderá ter e a abertura que terá às diferentes culturas. Os outros espetáculos decorrerão em Mafra, em Lisboa e também no Estoril – «por razões estratégicas ligadas à comunidade chinesa», explica – «e nesses espetáculos vamos ter um bocadinho das culturas que vêm mais especificamente do Oriente – a indiana e a chinesa».

O espetáculo final
O espetáculo final tem uma novidade que é «uma criação conjunta – para além das peças das companhias convidadas na primeira parte – a segunda parte é uma criação conjunta de artistas chineses e portugues, dentro da área da dança em diferentes estilos ou opções», avança.

O desafio foi lançado aos artistas chineses em Macau – «Qual seria a temática que gostaria de desenvolver no presente das suas vidas, que lhes fazia sentido criarem. E como é que viam a possibilidade de criar algo em conjunto. Não é colocar um bocadinho de ti e eu colocar um bocadinho de mim numa peça em sequência, é antes testemunhar como é que essa amálgama de diferentes culturas e sentimentos e maneiras de pensar e de viver se podem cruzar e que produto artístico poderá surgir desse verdadeiro cruzamento», explica Sandra.

Segundo a mentora do unitYgate, «é urgente fazer todos os possíveis para que esta ponte, este projeto possa não só cruzar culturas, aproximando gentes e povos mas também fazer outra coisa que não referi ainda – que é um dos objetivos do projeto – não é só a pluridisciplinaridade e a pluriculturalidade, é também cruzar o tradicional com o contemporâneo, trazer o antigo aos nossos tempos. Os saberes antigos, essa imagem antiga aos nossos tempos. O que é que sairá desta amálgama? E assim caminhamos».

Sandra Battaglia revela que ao segundo ano, em 2012, já conseguiram fazer o projeto em duas fases: «Conseguimos fazer lá a plataforma de workshops, ainda que com uma dimensão menor da que se faz em Portugal. Mas foi realizada com o apoio da Casa de Portugal em Macau».

«Iniciámos em conjunto com os bailarinos chineses, a nova criação conjunta – os ensaios, as conversas, a escolha de tema, que trouxémos para cá e separadamente continuamos a trabalhar, até que eles voltem, unimos os trabalhos feitos separadamente e vemos que produto artístico poderá dar. Claro que é preciso uma orientação de direcão e gestão artística mas que seja aberta, à oponião, à expressa genuína de cada um destes artistas», indica.

Durante o espetáculo final haverá um momento em que passam um vídeo-síntese que relata todo o processo: «Macau – Portugal, ensaios, workshops, olhares, pareceres, os artistas, sorrisos, etc… ou mesmo o cansaço, que é muito natural (risos)».

«O lado humano, o backstage disto tudo, é importante passar ao público para que perceba que é um projeto vivo. Que a arte é um projeto vivo. E que tem horas e horas de investimento. Horas e horas de trabalho nos bastidores. E também saber a opinião de cada um destes artistas envolvidos e nesse vídeo passa um bocadinho dos seus pareceres», conta.

O unitYgate finaliza com uma conversa aberta com o público, com todos os artistas envolvidos em palco disponíveis para conversar, tirar dúvidas ou deixar uma palavra de esperança ou de continuidade para que «estas pontes oriente/ocidente através da arte possam ter continuidade».

O futuro
«Quem sabe um dia o unitYgate nunca parará, porque logo que acaba esta, começamos a preparar o unitYgate 2013, a começar em janeiro. Até à Índia, à China e ao resto da Europa. Já está previsto. Não vamos parar. E que se juntem outras artes, isso é que era o ideal – o vídeo, a fotografia, a música, a pintura e o canto. Essencialmente. Depois o lado da formação holística, ligado às terapias, mas às refeições filosóficas, às palestras, aberto a quem quiser pensar sobre a vida e sobre a arte no século XXI. Um século de mudanças, esperemos», concluí Sandra, com um sorriso.

Mais informações sobre o unitYgate em http://www.amalgama.pt/

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