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Published on Outubro 18th, 2012 | by Sofia Ferreira

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Doclisboa 2012: Uma década a promover o documentário

Entre os dias 18 e 28 de Outubro os cinemas Londres, Nimas, São Jorge, Culturgest e Cinemateca Portuguesa voltam a ser palco de mais uma edição de um dos maiores e mais interessantes festivais de cinema documental do país. No ano em que comemora 10 anos de existência e numa altura em que o mundo parece mudar a cada segundo que passa, o Doclisboa mantém a promessa de levar o espetador a refletir sobre esta época de transformações sociais e políticas através de debates, encontros e uma programação de cerca de 150 filmes.

Premiada em diversos festivais mundiais desde Locarno ao Chile, “A Última Vez Que Vi Macau”, da dupla de realizadores João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, foi escolhida para abrir o festival. A longa metragem conta a história de um homem que recebe em Lisboa uma mensagem de uma amiga que não via há alguns anos e lhe pede para ir ter com ela a Macau onde estão a acontecer coisas assustadoras. Como ele próprio vivera em Macau, esta viagem mais do que um reencontro de amigos marca o regresso às suas próprias memórias.

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Para além das habituais categorias de Competição Nacional e Internacional de curtas e longas metragens, compostas por alguns dos melhores documentários produzidos entre 2011 e 2012, destaque para a secção Investigações que propõe um olhar profundo sobre o mundo, centrado em narrativas sobre o tempo presente: a experiência de vida de um homem de 83 anos em “Dao Lu”, a história de um grupo de homens e mulheres que em comum têm a sua homossexualidade e a decisão de a assumir abertamente perante uma sociedade que os rejeitava em “Les Invisibles” ou a actuação da polícia sob o pretexto da guerra ao terror, consequência do 11 de setembro em “Low Definition” são algumas dessas narrativas.

Na secção Heart Beat, acompanhamos uma série de documentários na sua maioria relacionados com música. Destaque para “Visões de Madredeus” de Edgar Pêra, uma compilação de atuações ao vivo do líder dos Smog em “Apocalypse: a Bill Callahan Tour Film”, a curta “Lucky Three” ou a oportunidade ver e ouvir três canções gravadas ao vivo pelo cantautor Elliot Smith, “Tropicália” e um olhar contemporâneo sobre o movimento artístico que explodiu no Brasil no final dos anos 60 e que contou com personalidades como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Mutantes e Tom Zé, “Shup Up And Play The Hits: o Fim dos LCD Soundsystem” sobre o terminar da banda de James Murphy que influenciou uma geração e ainda os documentários “Don Cherry” e “Sonny Rollins: Beyond the Notes” sobre as duas grandes lendas do Jazz mundial.

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Comissariada Augusto M. Seabra, Riscos é uma homenagem à memória dos realizadores Chris Marker, Marcel Hanoun e Stephen Dowskin, falecidos este ano. “Ashes” e “Mekong Hotel” de Apichatpong Weeraseathakul (realizador vencedor da Palma de Ouro em 2010), “Hollywood Movie” onde podemos assistir a Michael Caine, Humphrey Bogart, Elizabeth Taylor e muitos outros a dizer um texto sobre a desconstrução de ver filmes e “Cello” de Marcel Hanoun, em estreia internacional, são algumas das escolhas do crítico português.

Novidades desta edição são as secções Verdes Anos e Cinema de Urgência. A primeira apresenta filmes produzidos em contexto de ensino e é uma oportunidade para jovens realizadores mostrarem o seu trabalho e a segunda traz-nos filmes que testemunham situações sobre as quais é imperativo refletir como o caso da ocupação de uma escola pública no bairro da Fontinha, a crise económica na Grécia, o conflito sírio ainda com a Primavera Árabe e o derrube de Khadafi como pano de fundo ou movimento de protesto Occupy Wall Street contra a desigualdade económica iniciado em Nova Iorque no ano passado.

À semelhança de anos anteriores, espaço ainda para homenagens (a Fernando Lopes, falecido em Maio, e aos 20 anos das Curtas de Vila do Conde), Retratos, que compreende uma seleção de filmes sobre cinema e arte e a sua história, e duas retrospetivas: uma da realizadora Chantal Akerman, em parceria com a Cinemateca Portuguesa, e a outra dedicada aos coletivos radicais dos anos 60, 70 com ‘United we Stand, Divided We Fall’.

A 10ª edição termina com “Cesare Deve Morire” de Paolo e Vittorio Taviani que, tendo como pano de fundo a representação de Júlio César de Shakespeare por parte de presidiários de uma cadeia de segurança máxima, se propõem a estabelecer um paralelo entre o drama clássico e a realidade do mundo de hoje.

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A informação completa sobre a programação, sessões especiais, exposições, instalações e outras atividades paralelas podem ser consultadas aqui.

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