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Crónicas no image

Published on Dezembro 2nd, 2012 | by Paula Lagarto

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Reportagem: Optimus Primavera Club 2012 (sábado)

Cisnes são majestosos e agressivos no National Geographic e… em Guimarães.

Um cisne é majestoso e belo. Mas também é um animal de natureza agressiva. E Michael Gira sabia tudo isso quando batizou uma das suas bandas, a que ganhou mais notoriedade, de Swans.

E bastou assistir ao espetáculo de duas horas no segundo dia no Optimus Primavera Club 2012 para tirar as dúvidas sobre qual a natureza da ave branca.

Gongos, violinos de madeira tosca, apitos, guizos. Tudo valeu num cheio Grande Auditório do Centro Cultural de Vila Flor para transformar um concerto numa experiência que para mim se resume a poderosa e para outros hipnótica.

O gigante Gira dominou o palco preenchido de amplificadores quando “batia” suavemente os braços como asas ou saltava como um maestro para sinalizar o ritmo da sua orquestra.

Tudo começou com a vocalização de “be kind”, mas os Swans não o foram nem para eles, nem para o público. Foram violentos, agressivos e belos e mesmo quando tudo indicava que não era possível continuarem a dar mais, eles davam mais e mais.

E o que receberam foi uma ovação prolongada em pé do público português que no último ano teve oportunidade de colecionar concertos do grupo ou a solo de Gira.

Os Swans mostraram que depois de 30 anos, com uma ‘reforma’ pelo meio quebrada em 2010, são nomes maiores do No Wave, Experimentalismo, Industrial e dos ‘palavrões’ pós-rock e punk.

Bati no peito, num mea culpa, por não ter feito as pré-inscrições obrigatórias para assistir aos concertos nos espaços mais pequenos.

Lamentei perder Little Wings e Monochrome Set e ter entrado no maior espaço do Centro Cultural, onde ouvi a guitarra de Sir Richard Bishop, já na antecipação de Swans.

De bilhete pago na mão, estiveram dezenas de pessoas à espera ao início da noite para entrar num pequeno auditório que tinha ficado lotado para B Fachada. Os ânimos aqueceram no Centro Cultural com argumentos de quem queria e não conseguia ouvir música.

Só que a organização tinha dado nota acerca da limitação dos lugares disponíveis, mas a racionalidade nunca leva a melhor face à emoção dos públicos.

A noite que estava fria aqueceu no Teatro São Mamede com sons do deserto africano, pelos multi premiados na secção da Música do Mundo, como aconteceu este ano nos Grammys, Tinariwen.

A recolha de informações para este grupo do Mali revelou-me o conceito de Africa Blues e Assouf. Mas eu continuo a defender a minha própria definição: Tuaregue Beat, face às guitarras elétricas usadas em conjunto com os sons tradicionais daquele povo nómada do Sahara.

O grupo guarda os tesouros do seu povo, mas também histórias de vida que impressionam em qualquer parte do mundo: o vocalista viu o seu pai ser morto no conflito armado com a Síria, os músicos originais juntaram-se num campo de refugiados.

Em palco, os músicos sem o rosto coberto pelos lenços do deserto mostravam um sorriso e todos transbordavam simpatia e o agradecimento no Minho que obriga a luvas, cachecol e gorros.

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