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Published on Março 20th, 2013 | by festmag

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Cinema português com grande ‘fôlego’ no 10.º IndieLisboa

No ano seguinte aos cortes nos apoios ao cinema em Portugal, a direção do IndieLisboa temia que tal se refletisse na quantidade e qualidade dos filmes recebidos para esta edição. Foram, no entanto, surpreendidos com uma produção de filmes portugueses que espelha o oposto: uma «fortíssima» produção nacional composta por uma seleção de 48 filmes, divididos pelas várias secções do festival. Este ano o evento decorre de 18 a 28 de abril na Culturgest, Cinema São Jorge, Cinema City Classic Alvalade e Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema.

Nas seis longas metragens em competição nacional parece haver uma «clara aproximação ao formato híbrido, no qual os realizadores recriam o real, encenando-o, sem nunca abandonar uma raiz quase documental. Há, desta forma, algo que nos fascina e transcende» em “A Batalha de Tabatô”, de João Viana, passado na Guiné, em “Campo de Flamingos sem Flamingos”, de André Príncipe, «um retrato do país e das estações, que poderia pertencer a qualquer tempo», e em “É o Amor”, de João Canijo, onde Anabela Moreira «interfere (e transforma)» nas rotinas das mulheres de Caxinas. Também em “Lacrau”, de João Vladimiro, assistimos ao «mesmo desenho do real» numa aldeia do interior de Portugal, tal como em “Um Fim do Mundo”, de Pedro Pinho, um retrato do bairro da Bela Vista em Setúbal personificado num grupo de adolescentes. Dir-se-á que em “Bobô”, uma ficção de Inês Oliveira, existem elementos provenientes da realidade: «uma história de emigração e amizade da qual emergem momentos quase místicos, próprios da tradição africana».

A programação de curtas metragens traduz «a capacidade de reinvenção e a infinita criatividade de um cinema tipicamente português, numa diversidade estimulante». Filmes que jogam com a animação e a imagem real, como “O Coveiro”, de André Gil Mata, uma animação de volumes de época, “Forbidden Room”, de Emanuel Nevado e Ricardo Almeida e quatro documentários, “Fragmentos de uma Observação Participativa”, de Filipa Reis e João Miller Guerra, “Gingers”, de António Da Silva, “Rhoma Acans”, de Leonor Teles e “Terra”, de Pedro Lino. As nove ficções em competição mostram as mais variadas linguagens cinematográficas: “Dive: Approach an Exit”, de Sandro Aguilar, “A Dupla Coincidência dos Desejos”, de João Vieira Torres e Alexandre Melo, “Entre Paredes”, de Tânia S. Ferreira e Gonçalo Robalo, “O Facínora”, de Paulo Abreu, “A Herdade dos Defuntos”, de Patrick Mendes, “Imaculado”, de Gonçalo Waddington, “Má Raça”, de André Santos e Marco Leão, “Plutão”, de Jorge Jácome e “Sizígia”, de Luís Urbano.

A organização destaca ainda a secção Novíssimos, uma mostra de primeiras obras de jovens realizadores portugueses. O programa do ano passado terá sido recebido com «grande entusiasmo, cativando o interesse do público e da crítica», e por isso em 2013 a secção torna-se competitiva e apresentando 13 filmes: “Adeus Sr. António”, de João Costa, “Adolfo, O Rapaz Galinha”, de João Carrilho, “Alice e Darlene”, de Raul Domingues, “Ao Fundo”, de Luís Coelho, Marco Min e Telmo Domingues (fora de competição: vencedor da Video Run Express), “Caímos Juntos”, de Frederico Parreira, “Chantal”, de Joana de Verona, “Contos das Coisas”, de Joana Peralta, “Dança Dança Fogo Dança”, de Pedro Ferreira, “De Manhã”, de Flávio Gonçalves, “De Volta às Raízes”, de Gonçalo Cardeira, “Memories from the Cross”, de Vitor Carvalho, “Outro Homem Qualquer”, de Luís Soares e “Soulleimane”, de Paulo Pancadas.

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Na secção Sessões Especiais encontramos quatro longas metragens portuguesas: “Arrivederci Macau”, de Rosa Coutinho Cabral, sobre o legado do arquitecto Manuel Vicente em Macau, “Bibliografia”, de Miguel Manso e João Manso, uma «épica» descida pelo Tejo, “Montemor”, de Ignasi Duarte, filmado em Montemor-o-Velho e protagonizado por habitantes da vila e “Torres & Cometas”, de Gonçalo Tocha, produzido no contexto de Guimarães Capital da Cultura. Haverá um programa de três curtas metragens dedicado à Capital Europeia da Cultura: “Berço Imperfeito”, de Mário Ventura, “Mesa Ferida”, de Marcos Barbosa e “A Palestra”, de Bruno de Almeida. Destaque ainda para três curtas metragens portuguesas que integram a secção Director’s Cut, um projeto narrativo experimental de Joana Rodrigues composto por Trailers de Não-Filmes. Também na secção IndieMusic há uma presença portuguesa, Musicbox Club Docs: “Bizarra Locomotiva”, de Paulo Prazeres.

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