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Published on Julho 4th, 2013 | by festmag

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21.º Curtas de 6 a 14 de julho em Vila do Conde

O 21º Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema tem início no próximo sábado, dia 6 julho. A sessão de abertura oficial está marcada para as 21h, na Sala Um, do Teatro Municipal de Vila do Conde, palco principal do evento que se estenderá por outros locais da cidade, nomeadamente a Galeria Solar onde está patente a exposição Film.

A abertura oficial do 21.º Curtas Vila do Conde marca o regresso do cineasta bielorrusso Sergei Loznitsa ao Festival, depois de ter assinado, no ano passado, um dos filmes-encomenda da celebração dos vinte anos do Curtas. No seu estilo austero, “In The Fog” continua uma análise à sociedade soviética e à sua violência latente, enquadrando-a num cenário histórico da ocupação nazi.

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O filme esteve na competição principal do Festival de Cannes, onde recebeu o Prémio FIPRESCI. Na fronteira ocidental da União Soviética em 1942, os habitantes locais oferecem resistência à ocupação alemã. Dois deles são incumbidos de matar Sushenya, um homem acusado de colaboração com os alemães, que tenta desesperadamente provar aos seus camaradas que se encontra inocente, enquanto é levado para a floresta.

A apresentação deste filme marca o arranque da Secção Da Curta à Longa que, procurando manter uma relação próxima com realizadores presentes em anteriores edições do Festival, mostra sobretudo longas-metragens em ante-estreia nacional, continuando a acompanhar a carreira destes cineastas.

Em 2013, o Curtas Vila do Conde apresenta quatro longas-metragens – todas em ante-estreia nacional – recuperando quatro cineastas que já exibiram as suas curtas-metragens no festival: Sergei Loznitsa (“In the Fog”), Basil da Cunha (“Até Ver a Luz”), Yann Gonzalez (“Les rencontres d’apres minuit”) e Antonin Peretjatko (“La fille du 14 juillet”). Todos eles tiveram ante-estreia mundial no Festival de Cannes.

Para as 23h30 do próximo sábado, está agendada a sessão especial de ante-estreia em Portugal do último filme de Brian De Palma, depois da sua passagem pelo Festival de Veneza. O cineasta é um dos mestres contemporâneos do suspense e nunca rejeitou uma filiação no cinema de Alfred Hitchcock. Em “Passion”, De Palma regressa ao território de sedução de “Vestida para Matar”, num thriller erótico protagonizado por Rachel McAdams e Noomi Rapace. Ambas são duas executivas em ascensão numa corporação multinacional cuja competição feroz para subir nos rankings se transforma literalmente em crimes de cortar a respiração.

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Para os mais novos, o Curtas Vila do Conde arranca, também no sábado, com as primeiras sessões do Curtinhas (15h30 e 17h00), um programa desenvolvido especialmente para crianças e jovens e inclui uma competição de filmes para em quatro escalões etários – para maiores de 3, 6, 9 anos, e pais e filhos.

ESPAÇO INFANTIL BRINCAR AO CINEMA PARA CRIANÇAS DOS 4 AOS 12 ANOS
Teatro Municipal, Piso 3
6 a 14 de julho, 14:30-23:30

Neste espaço infantil terão lugar diversas atividades para crianças dos 4 aos 12 anos, permitindo aos espectadores do festival assistir às sessões, sabendo que em simultâneo os seus filhos usufruem de um lugar de diversão e aprendizagem, sob a orientação de uma equipa de formadores. Este espaço terá, num horário coincidente com o das sessões de cinema, uma programação permanente constituída por ateliers de curta duração, visionamento de filmes e realização de outras atividades em torno da imagem em movimento.

OFICINA TRUQUES CIENTÍFICOS NO ECRÃ PARA PAIS E FILHOS (3-6 ANOS)
Teatro Municipal, Piso 3
13 julho, 10:30-12:30

Preço: 5 euros / 1 criança + 1 adulto (até 20 criancas)
Formadores: Mundo Cientifico

Nesta oficina de efeitos espumosos, mudanças de cor e polímeros viscosos, vamos mergulhar nos pequenos truques científicos que bem poderiam fazer parte de um filme de ficção, mas que serão de certeza o mote de muita diversão.

OFICINA CIÊNCIA DOS EFEITOS ESPECIAIS PARA CRIANÇAS (7-12 ANOS)
Teatro Municipal, Piso 3
13 julho, 15:00-17:00

Preço: 5 euros / 1 criança (até 20 crianças)
Formadores: Mundo Cientifico

Nesta oficina, vamos entrar no mundo de ficção do cinema de Hollywood! Vamos aprender a produzir cicatrizes e feridas falsas, sangue falso, baba de mostro e muitos outros truques que vão fazer as delícias do mundo do faz-de-conta.

No domingo, dia 7, pelas 17h, haverá nova sessão especial no âmbito da programação do Curtas Vila do Conde, sendo apresentado o documentário «A história de um erro» de Joana Barros.

Realizada com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação para a Ciência e Tecnologia, a longa metragem documental “A história de um erro” nasceu do desejo de conhecer melhor a história da Paramiloidose, uma doença muito associada ao nosso país, não só por ser aqui que existe o maior foco de doentes do mundo mas também porque aqui foi descrita pela primeira vez e onde se realizaram alguns dos mais importantes avanços científicos que vieram alterar para sempre a vida dos seus portadores.

A Paramiloidose, ou “Doença dos Pezinhos” como é apelidada, é causada por um erro genético na proteína Transtirretina que a leva a depositar-se nos nervos, danificando-os irreversivelmente. Os sintomas aparecem já na idade adulta e em pouco tempo os seus portadores perdem a sensibilidade, a capacidade motora e a regulação interna de vários órgãos, acabando por falecer em poucos anos. Este foi o destino inelutável de todos os pacientes com PAF durante muito tempo. Mas depois da primeira descrição da doença, publicada em 1952 por Corino de Andrade, os doentes deixaram de ser invisíveis e a Paramiloidose começou a ser estudada nos quatro cantos do mundo. Hoje o resultado desse trabalho vem dar novas e complexas formas à vida dos portadores de PAF.

Este documentário é um testemunho deste percurso, não só do seu custo humano mas também da sua dimensão biológica, histórica e social, dando voz a pacientes e familiares, médicos e cientistas, assistentes sociais e dirigentes associativos que nos narram as suas histórias de perda, perseverança, esperança e conquistas.

Neste momento estima-se que haja em Portugal à volta de 1500 pessoas já doentes com Paramiloidose, entre 1500 a 3000 portadores assintomáticos e possivelmente mais de 5000 pessoas em risco de ter herdado o gene mutado. Este filme procura também refletir sobre o que espera estes doentes, olhando para as respostas às suas necessidades atuais e vislumbrando as possibilidades e promessas de um futuro diferente.

Às 21h de domingo, será exibido o primeiro de quatro filmes realizados no âmbito do projeto Estaleiro («A Mãe e o Mar», de Gonçalo Tocha).

O Estaleiro é um programa cultural desenvolvido pela equipa da Curtas Metragens CRL, durante o qual teve lugar o Campus, uma espécie de escola de cinema para estudantes da região Norte, com workshops e ateliers.

Como corolário do projeto, produziram-se oito curtas-metragens, realizadas por cineastas portugueses com equipas técnicas compostas por estudantes. Em 2012, estrearam quatro destas produções: “Obrigação”, de João Canijo (que entretanto evoluiu para a longa “É o Amor”); “A Rua da Estrada”, de Graça Castanheira; “Cinzas, Ensaio Sobre o Fogo”, de Pedro Flores; e “Um Rio Chamado Ave”, de Luís Alves de Matos.

O 21º Curtas Vila do Conde – à semelhança do ano anterior – será agora o palco privilegiado para a estreia das quatro novas produções:

– “Mahjong”, de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata (sobre a Chinatown de Vila do Conde, num curioso prolongamento dos temas asiáticos na obra dos realizadores);
– “A Mãe e o Mar”, de Gonçalo Tocha (um filme rodado na comunidade piscatória de Vila Chã e que é uma interessante variação do método do realizador);
– “De Onde os Pássaros Vêem a Cidade”, André Tentúgal (uma ficção rodada na zona do Porto);
– “Fernando que ganhou um pássaro do mar”, um filme rodado no Brasil, realizado por Felipe Bragança e Helvécio Marins Jr.

No 21º Curtas Vila do Conde, as competições continuam a proporcionar as sessões mais diversificadas do festival, demonstrando o estado atual do mundo. A competição internacional exibirá 34 filmes de 21 países diferentes, numa seleção com alguns dos autores que fazem a história no festival; também a competição nacional mostrará 17 curtas-metragens portuguesas que se dividem entre nomes consagrados e jovens autores que arriscam no cinema o seu olhar sobre o mundo. Mas também as competições experimental, Curtinhas (filmes para crianças), e Take One! (filmes de escola) serão excelente oportunidade para assinalar as melhores curtas-metragens do último ano.

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