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Crónicas

Published on Julho 27th, 2013 | by Pedro Santos

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Reportagem: S de sucesso na 19.ª edição do SBSR

A edição do Super Bock Super Rock deste ano foi, na nossa opinião, um verdadeiro sucesso. Com efeito, o já mítico SBSR teve todos os ingredientes que fazem as delícias dos festivaleiros mais ferrenhos: muita música e para todos os gostos, muita cerveja, e todo o tipo de atividades lúdicas no recinto do festival, sito na Herdade do Cabeço da flauta, Meco.

Na quinta-feira coube ao veterano Kalú dos Xutos e Pontapés abrir o festival, no Palco EDP. Na voz, harmónica e pandeireta, Kalú e a sua banda, com elementos pertencentes a bandas como Gazua ou Peste & Sida, surpreendeu-nos com o seu rock de pendor mais clássico e aqui e ali garajeiro. Lembrámo-nos dos Delta 72 ou dos Mudhoney de “Every Good Boy Deserves Fudge”. No entanto o calcanhar de Aquiles deste projeto parece ser a simplicidade das letras.

Pouco depois, coube às também lisboetas Anarchicks a abertura do palco Super Bock e o mínimo que podemos dizer é que a aposta foi ganha. Jurámos, durante o concerto, não referir aqui as inúmeras influências destas quatro jovens, simplesmente porque não haveria espaço para tal. Do punk ao industrial, da new wave à no wave, ouvimos um desfilar de temas com uma solidez e coesão assinaláveis para uma banda com apenas um par de anos. Rock on!

A seguir atuou Azealia Banks, atuação que não vimos, em detrimento do concerto de Mazgani no palco Antena 3@Meco, e pelos relatos que recolhemos, não perdemos grande coisa, a não ser ver alguém a cantar quase sem roupa.

Mazgani não nos desiludiu. Ele e seus comparsas são incapazes de um mau concerto, e mais uma vez deleitámo-nos com o seu downtempo intimista, passando em revista toda a sua carreia, até ao último “Common Ground”, produzido pelos mestres Mick Harvey e John Parrish. Para o final, um tema assumidamente ‘rockeiro’ e quase a barraca vinha abaixo…

Passámos pelo palco EDP antes de rumarmos ao palco principal para vermos Johnny Marr, e deparámo-nos com os dinamarqueses Efterklang. Ficámos apenas dois minutos, que mais pareceram duas horas…

No Palco Super Bock, o ex-Smiths Johnny Marry ofereceu um espetáculo bastante profissional, e mesmo não sendo fãs da sua carreira a solo, valeu a pena ficar para uma mão cheia de clássicos dos Smiths, como “Bigmouth Strikes Again”. Tocou ainda o clássico “I Fought The Law”, dos Clash. Solidez, profissionalismo e um som excelente, sem dúvida um bom concerto.

Voltámos ao Palco EDP, desta vez para assistir à atuação dos londrinos Toy, uma das revelações do ano passado. Com um ligeiro atraso e alguns problemas técnicos nas primeiras canções, os Toy desfilaram o seu rock ruidoso e saturado de reverb da escola shoegazing. Foi com pena que abandonámos a atuação a meio para testemunhar o concerto dos Artic Monkeys no Palco Principal.

A banda de Sheffield já bem conhecida do público português não defraudou. Ainda que a escolha para cabeças de cartaz seja discutível, o seu rock alegre e descomprometido animou os milhares de fãs que presenciaram o encerramento do primeiro dia.

Na sexta-feira os norte americanos Black Rebel Motorcycle Club deram o melhor concerto da noite. No formato trio habitual, com Peter Hayes na guitarra e harmónica, o grande Robert Levon Been no baixo e guitarra e Leah Shapiro na bateria, houve lugar para algumas das grandes canções da sua discografia. Deixaram “Whatever Happened to My Rock ‘n’ Roll” e “Spread Your Love” cirurgicamente para o final. Rock n’ Roll!!!

De seguida os também americanos Tomahawk, do mestre Mike Patton, trouxeram-nos o último “Oddfellows”, sem esquecer alguns dos seus clássicos anteriores. Instalaram o caos em alguns setores da multidão, que se deliciou com o seu rock esquizofrénico experimental. É impossível não gostar de uma banda que reúne integrantes ou ex-integrantes de bandas como Faith No More, Mr. Bungle, Jesus Lizard, Cows ou Battles.

Já em relação aos britânicos Kaiser Chiefs, não se pode dizer o mesmo. Não sendo fãs dos últimos discos desta banda de Leeds que em tempos foi considerada uma das esperanças do rock britânico, não pudemos, no entanto, deixar de bater o pé nalgumas canções mais aceleradas. O problema é que apesar de beneficiarem de um som magnifico, o indie rock dos Kaiser Chiefs é vulgar.

E como cabeças de cartaz da sexta-feira, os Killers. Fazendo já aqui uma declaração de intenções, temos que confessar desde já que os Killers são um dos nossos ódios de estimação. A sua música é fraquinha, o seu rock típico de ginásio ou solário e do FM mais preguiçoso. Houve confetti e fogo de artifício, houve solos de bateria e um vocalista bronzeado, mas pouco mais. O problema dos The Killers é não terem uma boa canção para apresentar. E por aqui nos ficamos…

No sábado, dia 20, os Tara Perdida do veterano João Ribas inauguraram a noite no Palco EDP. E como é hábito, assistimos a uma enchente por parte do público como só os Tara Perdida podiam reunir. O seu punk rock é, como sabemos, um valor seguro no panorama nacional. Deste modo, a organização do SBSR não vacilou e convidou-os. Os Tara perdida são sinónimo de adesão. Gente com visão, esta.

Corremos para o Palco Principal para ver os portugueses Miss Lava, uma das esperanças do rock tuga mais pesado e tirando algumas falhas de definição no som de guitarra, pode-se dizer que houve público, houve manifestações de apoio e até quem entoasse as letras. A seguir com mais atenção.

Os britânicos Ash – de novo trio – já não são uns novatos nestas andanças, chegámos mesmo a ser fãs na nossa adolescência e como tal não pudemos deixar de deliciarmo-nos com alguns dos seus temas mais emblemáticos, a maior parte retirados de “1977”, como “Girl From Mars” ou “Kung Fu”. Som perfeito e grande entrega da banda, apesar do entusiasmo do público ser demasiado localizado para o merecido. Adiante.

A seguir vimos pela primeira vez ao vivo o blues rock texano de Gary Clark Jr. e demos por bem empregue o tempo que dispensámos a ouvir algum do melhor blues dos nossos dias, ora mais roqueiro, ora em registo mais baladeiro onde não faltaram os isqueiros acesos. Para continuar a seguir com atenção.

Os norte-americanos Chk Chk Chk (!!!) deram o melhor concerto da noite e um dos melhores do festival. Não há muito a dizer de uma banda que tem um vocalista a tocar em boxers, que faz questão de ser o centro das atenções e nenhum dos colegas de banda parece importar-se particularmente com isso. O seu funk musculado fez as delícias da turba dançante que se deslocou ao Palco EDP. Quem sabe, sabe.

E a encerrar o festival, os Queens of the Stone Age. Dispensando grandes apresentações, os QOSA foram a banda mais esperada pela esmagadora maioria dos que se deslocaram ao Meco, a julgar pelas opiniões que recolhemos ao longo dos três dias. E houve tudo aquilo que se esperava. Houve o novíssimo… “Like Clockwork”, houve vários clássicos de todos os seus discos anteriores, como “The Lost Art of Keeping a Secret” ou “Feel Good Hit Of The Summer”, houve um som enorme proveniente de três guitarras electricas, ou duas mais uma slide. Houve feedback, houve letras sobre drogas, sexo e morte. E é disto que o “nosso” povo gosta. Em julho de 2014 o SBSR celebra 20 edições, vemo-nos por lá.

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