Festmag

Cinema e TV no image

Published on Outubro 24th, 2013 | by Sofia Ferreira

0

DocLisboa 2013: Mudar o mundo em 244 filmes

Começa hoje a 11.ª edição do maior e mais interessante festival de cinema documental do país. Sob o mote «E se, para lá de nos propormos a pensar o mundo, nos propuséssemos também a mudá‑lo?», o DocLisboa 2013 promete desafiar o espetador a refletir sobre esta época de transformações sociais e políticas em 244 filmes (123 longas e 121 curtas-metragens). Entre 24 de outubro e 3 de novembro a força da mudança passa pela capital.

O festival arranca com “Pays Barbare”, centrado no fascismo e colonialismo na Etiópia de 1935-36, e um dos destaques da secção de competição internacional a par de “Jai Bhim Comrade” e “Sangue”.

Sempre muito atento à produção nacional (este ano vão passar pelo grande ecrã cerca de 46 obras nacionais), o DocLisboa não esquece realizadores de talento reconhecido, como é o caso de Gonçalo Tocha, vencedor do Prémio Cidade de Lisboa na edição de 2011 e que este ano apresenta o seu mais recente “A Mãe e o Mar”, ao mesmo tempo que dá voz às novas promessas do cinema português nas secções de competição de longas como curtas metragens.

Como é habitual nas edições anteriores, espaço para as secções de Investigações (que propõe um olhar profundo sobre o mundo, centrado em narrativas sobre o tempo presente), Riscos, comissariada por Augusto M. Seabra e onde se inclui as obras de Jonas Mekas (“Outtakes from the Life of a Happy Man”), Jafar Panahi (“Pardé”), Nicolas Provost (“Plot Point” e “Stardust”) ou Miguel Gomes (“Redemption”) e Retratos, que compreende uma seleção de filmes sobre cinema e arte e a sua história.

Depois do sucesso do ano passado o DocLisboa volta este ano a apostar novamente em Verdes Anos, que apresenta filmes produzidos em contexto de ensino e é uma oportunidade para jovens realizadores mostrarem o seu trabalho, e Cinema de Urgência que nos traz filmes que testemunham situações sobre as quais é imperativo refletir como o caso dos movimentos sociais no Brasil e Turquia em “The Revolution will not be televised, it will be twitted” ou dos confrontos no Egito em “Steps”.

Na secção Heart Beat acompanhamos uma série de documentários na sua maioria relacionados com música. Destaque para duas obras de Les Blank (“The Blues accordin’ to Lightnin’ Hopkins” dedicada ao músico texano e “Dizzy Gillespie” sobre a lenda do Jazz), “Mistaken for Strangers” que acompanha a maior digressão da banda The National, “The Stone Roses: Made of Stone” que narra a história da mítica banda inglesa que conta com mais de 25 anos de carreira e “What a Fuck am I doing on this Battlefield” que procura recriar o mundo interior, negro e atormentado do músico Matt Elliott.

Destaque ainda para um olhar sobre o Chile em “Foco: 1973 – 2013. O golpe militar no Chile: 40 anos depois”, “Moving Stills”, comissariada por Federico Rossin que nos leva a refletir sobre a relação entre filme e fotografia e uma retrospectiva dedicada a Alain Cavalier, em conjunto com a Cinemateca Portuguesa.

A sessão de encerramento fica a cargo de “Dast-Neveshtehaa Nemisoosand” do realizador iraniano Mohammad Rasoulof, que viu o seu passaporte confiscado este ano. Impedido de sair do Irão e de acompanhar o seu filme, a organização mantém a sua cadeira vazia não como homenagem, mas como acto de denúncia da repressão naquele país.

A informação completa sobre a programação, sessões especiais, exposições, instalações e outras atividades paralelas pode ser consultada aqui.

Siga-nos aqui:

Tags: , ,


About the Author



Comments are closed.

Back to Top ↑