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Crónicas no image

Published on Novembro 11th, 2013 | by Filipa Marta

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Reportagem: Miss Kittin + Nelson Flip & Yellow + Bandido$ (Ministerium)

Na noite de sexta-feira, 8 de novembro, o Ministerium Club abriu as portas para mais uma sessão Jameson Backroom com a eletrónica como mote. Bandido$ foram o aperitivo, iniciando a pista de dança por volta da meia noite para uma casa ainda vazia, uma espécie de chill out eletrónico onde a conversa e um copo na mão entreteram os presentes.

Mas a agitação dos corpos foi despoletada com a entrada em cena da dupla Nelson Flip & Yellow. O Ministerium Club transformou-se e, num piscar de olhos, havia por todo o lado gente a dançar com um sorriso nos lábios. Pelo que sei, estes dois amigos tiveram um projeto em conjunto que durou cinco anos e reencontraram-se esta noite para nos darem o melhor que sabem fazer. A mesa de mistura esteve a cargo do DJ Nelson Flip e Yellow agarrou-se ao microfone e deu a voz, ajudada por um processador de efeitos. A dupla fez uma performance de improvisação, bem disposta e provocadora que envolveu o público. Aproveito para dizer que Yellow (Patrícia Gonçalves) também tem uma carreira paralela a solo com um disco editado em 2012 – “Wings” – e tocou este ano no coreto do Optimus Alive (vídeo: Yellow – “Closest Friend”).

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Depois deste aquecimento sonoro pela dupla portuguesa que deixou o público a marinar e a querer explodir a sua energia na pista, a noite estava feita para a cabeça de cartaz levar os presentes ao rubro. Miss Kittin (Caroline Hervé) entrou por volta das 4h da manhã e trouxe com ela o seu último e terceiro trabalho a solo “Calling From The Stars” (2013), composto por 23 temas. Esta senhora é uma das principais referências da música tecno e eletroclash, com a carreira de DJ iniciada em 1994. Para aguçar ainda mais o apetite, tenho a dizer que ela tocou e colaborou com nomes como The Hacker, Felix Da Housecat, Golden Boy, DJ Hell, Sven Väth, Steve Bug, Chicks On Speed, Kris Menace, entre outros, e tem mais dois discos a solo: “I Com” (2004) e “Batbox” (2008). Nesta noite estava à espera de ver uma Kittin igual ou melhor à que vi em 2009 na atuação no Festival Sudoeste juntamente com The Hacker – uma Kittin poderosa, underground e imponente. A expetativa estava bastante elevada portanto. O clubbing começou e a pista virou ‘uma cena’ animalesca durante a primeira hora de set (vídeo: Miss Kittin – “Bassline”).

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Movimentos corporais sintonizados a cada batida eletrónica, cabelos esvoaçantes e gritos envergonhados. Foi assim até ao fim, por volta das 7h da manhã, altura em que me deixei ser literalmente conduzida. No entanto, apesar de tudo ter corrido bem, vi uma ‘Miss’ muito apagada, que nunca ousou encarar o seu público com o olhar e apenas agarrou o microfone para cantar algumas palavras em pelo menos três músicas, como na tão conhecida “1982”. A sua atitude foi outra, oposta ao que conhecia dela e ao que estava à espera e me trouxe ali. Estarei a ser demasiado exigente? Mas não vi a garra de outrora.

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O espaço do Ministerium tem uma ponte que permite visualizar de cima o trabalho do DJ e reparei que ela não trazia discos consigo. Ou eram apenas dois discos, um em cada deck, ou tinha uma pen [usb] escondida algures. Senti um trabalho demasiado pensado, estudado e rígido, sem espaço para espontaneidade e improviso, fechado em si ao ponto de aparentemente não dar gozo ao seu interlocutor. Pessoalmente, o que me cativou em Miss Kittin durante anos foi exatamente o seu som mais underground e trashy com que pincelava as suas músicas eletrónicas e achei que desta vez, este foi substituído por outro mais ‘comercial’, igual ao de muitos outros DJs. Não quero ser de todo pessimista e passar uma ideia errada pois a atuação de Kittin foi boa e correu bem apesar desta minha opinião controversa quanto à sua performance. Apesar de tudo, que venham mais noites destas para dançar de olhos fechados e sentir-me livre.

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