Festmag

Música

Published on Dezembro 4th, 2013 | by Filipe Pedro

Da Bretanha para o mundo: a celebração das 35 edições do Trans

Quase 90 artistas de 20 países, entre os quais as jovens promessas The Skins, Iva G. Moskovich, Mikhael Paskalev, Velvet Two Stripes, Oum Shatt, Le Vasco, Public Service Broadcasting, Escort, The Midnight Beast, Boston Bun e Gang do Eletro atuam no 35.º Festival Trans Musicales, de 4 a 8 de dezembro, em Rennes, França. Pensem em novos artistas, com álbum de estreia a editar em breve e em dúzia e meia de bandas independentes de culto – essa é a filosofia de programação do festival de novas músicas que acontece desde 1979 na capital bretã.

Trinta nomes a não perder no 35.º Trans – sexta-feira, 6 de dezembro

30 – Nova Heart (China) ++ 21:00 – 21:50 Parc Expo – Pav. 9
Helen Feng, a ex-vocalista dos Pet Conspiracy e Free The Birds, cresceu na Califórnia antes de voltar para sua cidade natal de Pequim em 2010, com passagens pelas discotecas de Istambul. Aguarda-se uma eletro pop que não se desvia muito do cruzamento entre Glass Candy, Chromatics e Blondie.

Nova Heart

29 – The Skins (EUA) ++ 21:10 – 22:00 Parc Expo – Pav. 3
Têm entre 13 e 19 anos – duas irmãs (Kaya no baixo e Bayli na voz), um irmão (Reef na bateria) e dois amigos (Daisy e Russell nas guitarras) -, chegam de Brooklyn com desejos blues, soul e punk, e estão prestes a lançar o álbum de estreia “Show Me Some Skin”.

YouTube Preview Image

The Skins

28 – Oum Shatt (Alemanha) ++ 21:40 – 22:30 Parc Expo – Pav. 4
Um novo trio berlinense, liderado pelo vocalista Jonas Poppe, nasceu para o mundo com o EP “Power To The Women Of The Morning Shift”. Alguns ecos distantes dos Monochrome Set e dos Django Django não impedem classificação da banda como uma espécie de “oriental surf rock”.

YouTube Preview Image

Oum Shatt

27 – Les Gordon (França) ++ 21:50 – 22:35 Parc Expo – Pav. 9
Um jovem hiperativo e produtor de Rennes revisita a história do homem-orquestra. Este multi-instrumentista de formação clássica combina no seu sampler gravações prévias de guitarra, violoncelo, cavaquinho, bandolim, harpa, teclados e vozes para destilar eletro pop.

YouTube Preview Image

Les Gordon

26 – Stromae (Bélgica) -+3 22:35 – 23:50 Parc Expo – Pav. 9
Na primeira noite todas as atenção parecem recair sobre Stromae, fenómeno francófono que passa ao lado da nossa ‘portugalidade’. É um regresso do belga Paul Van Haver depois de ter atuado no festival em 2010, por altura do lançamento do primeiro álbum “Cheese”. O segundo disco intitula-se “Racine Carrée” (raiz quadrada) e difunde um preparado de eletro e hip hop, com ecos de uma geração desencantada a caminho da pista de dança.

YouTube Preview Image

Stromae

25 – Mikhael Paskalev (Noruega) ++ 23:00 – 23:45 Parc Expo – Pav. 3
Bem-vindos à nova Europa em que um autor e compositor norueguês de origem búlgara pode muito bem inspirar-se em Liverpool, embora menos nos Beatles e nos Everly Brothers e mais no atípico Jonathan Richman. Filósofo, mas bem-humorado, o jovem cantor e guitarrista tem sido bem sucedido no país dos fiordes com o disco de estreia “What’s Life Without Losers”.

YouTube Preview Image

Mikhael Paskalev

24 – Le Vasco (França) ++ 23:20 – 00:10 Parc Expo – Pav. 4
Em espanhol, “vasco” significa “basco”. Dos subúrbios de Paris surge uma música inclassificável e física, um electro torcido e esticado, um caldeirão de trip-hop, hardcore e rock – tudo reforçado por um saxofone soprano e explosões sonoras.

YouTube Preview Image

Le Vasco

23 – Jacuzzi Boys (EUA) ?? 00:15 – 01:05 Parc Expo – Pav. 3
A Flórida que viu nasceu Jim Morrison e Marilyn Manson é a mesma que reúne o cantor e guitarrista Gabriel Alcala, o baterista Diego Monasteri, e o baixista Danny Gonzales. Três álbuns de ‘riffs’ selvagens devedores de Iggy pop, mas também de Jack White, que produziu o disco “Live At Third Man” no seu estúdio em Nashville.

YouTube Preview Image

Jacuzzi Boys

22 – Meridian Brothers (Colômbia) ++ 01:00 – 01:50 Parc Expo – Pav. 4
Os Meridian Brothers escondem-se atrás de Ablis Álvarez, prodígio multi-instrumentista, hiperativo e membro de vários grupos no seu país. A banda é definida como um “moedor de ritmos latinos”, na linha de um Beck encantado com o movimento “Tropicália” de 1960-1970.

YouTube Preview Image

Meridian Brothers

21 – Escort (Estados Unidos) ++ 01:05 – 02:05 Parc Expo – Pav. 9
Apoiados por instrumentistas da ‘família’ Arcade Fire e Beirut, e tendo como referência a ‘escola’ dos Daft Punk com Niles Rodgers, os nova-iorquinos Escort são conduzidos por Adeline Michel (voz), Dan Balis (guitarra) e Eugene Cho (teclados). Siga a dança.

YouTube Preview Image

Escort

20 – Mozes & The First Born (Holanda) ++ 02:00 – 02:45 Parc Expo – Pav. 3
Criados em 2010, os Mozes & The First Born são os embaixadores de um retro-pop rock irreverente. Entre as obsessões dos anos sessenta e o espírito rebelde, os quatro rapazes sopram ao vento melodias caseiras e refrões viciantes como os do single “I Got Skills”.

YouTube Preview Image

Mozes & The First Born

19 – Symbiz (Coreia do Sul) ++ 03:00 – 05:00 Parc Expo – Green Room
Eixo Kingston – Seoul – Berlim. Dois irmãos germano-coreanos Buddysym e Chrislmbiss (curiosos nomes), fãs de reggae e hip hop, prontos para saltar a pés juntos para o drum’n’bass. Apesar disso, o álbum “OneFourFive” permanece fiel ao espírito do “dancehall” jamaicano (re)inventar a “jump music”.

18 – The Crystal Ark (EUA) +3+3 03:20 – 04:20 Parc Expo – Pav. 9
O hiperativo Gavin Russom – ex-convidado de palco dos LCD Soundsystem e o cérebro dos Black Meteoric Star – apresenta em Rennes o alter ego feminino Viva Ruiz. Perante os trajes reluzentes que apresentam em concerto é impossível não estabelecer comparações com cerimónias pagãs. A isto juntam-se velhos amigos como Tyler Pope (ex-Chk Chk Chk e LCD), e cruza-se pós-punk, acid house e dub na transmissão da mensagem: “Space is the place”.

YouTube Preview Image

The Crystal Ark

17 – Public Service Broadcasting -+3 (Reino Unido) 04:20 – 05:10 Parc Expo – Pav. 4
Informar, educar, mas o mais importante é… divertir. Public Broadcasting Service apresenta sons visceralmente hipnóticos de proveniência orgânica (bateria, guitarra e banjo) se unem à eletrónica peculiar de J. Willgoose Esq. e de Wrigglesworth, em que a prata da casa é a reciclagem de informações antigas, transmissões de propaganda e de outros programas documentais.

YouTube Preview Image

Public Service Broadcasting

16 – Frikstailers (Argentina) ++ 05:40 – 06:30 Parc Expo – Pav. 4
Definem-se como “eletrónicos, tropicais e extraterrestres”. E lá que são estranhos, são. Rafael Caivaino e Lisandro Sona surgem em palco em trajes de néon. O álbum de estreia “Son De Paz” (ZZK Records) amassou todos os estilos eletrónicos identificados e ainda remisturados por malta como Gotan Project e Major Lazer.

Sábado, 7 de dezembro

15 – Iva G. Moskovich (Reino Unido) ++ 21:30 – 22:15 Parc Expo – Pav. 3
Via Studio 180, comunidade artística no coração de Londres que deu a conhecer nomes como Palma Violets e Savages, a jovem Iva G. Moskovich apresenta-se agora a solo depois da experiência coletiva com os Drop Out Venus. Acompanhada pelos mesmos músicos, alguns da sua Bulgária natal, Iva pratica uma pop desinibida que oscila entre o pós-adolescente com reminiscências de rock clássico e eletrónica.

14 – Fakear (França) ++ 21:55 – 22:45 Parc Expo – Pav. 9
Durante o liceu o jovem Theo foi companheiro de bandas do amigo Gabriel (Superpoze), antes de descobrir as maravilhas da música feita por computador (MAO), a linguagem MIDI e os sons MPC. Hip hop eletro é uma definição possível para a ‘falsa orelha’ que já editou “Backstreet EP” (2011), o álbum “Washing Machine” (2012) e o recente EP “Morning in Japan”.

13 – Daughn Gibson (Estados Unidos) ?? 22:45 – 23:45 Parc Expo – Pav. 3
O nome Daughn Gibson não é desconhecido dos portugueses. O norte-americano Josh Martin já atuou no Primavera Club, em Guimarães, e no Primavera Sound, no Porto. O ex-motorista de camiões aprendeu a apreciar música country depois de soprar 30 velas. “All Hell” (2012) e o recente “Me Moan” (editado pela Sub Pop, a primeira editora dos Nirvana) são a bagagem física de um homem que se confessa influenciado por nomes tão distantes quanto Nicolas Jaar, Johnny Cash e Nick Cave.

YouTube Preview Image

Daughn Gibson

12 – Tiger & Woods (Itália) — 22:45 – 23:45 Parc Expo – Pav. 9
Quem é que disse que faltava humor aos djs? Estes verdadeiros ‘Starsky & Hutch do groove’ são fãs do humorista e ator Larry David, a ponto de usarem os heterónimos Larry Tiger e David Woods na edição do álbum “Through The Green”, produzido em 2011 através do selo alemão Running Back (Theo Parrish, Todd Terje) e de “Wiki & Leaks” (existe apenas em digital).

11 – Doist! (França) ++ 23:00 – 00:00 Parc Expo – Green Room
Grupo tecno-nietzschiano (“O que não te mata torna-te mais forte”), duro por fora, macio por dentro, seguidor do espírito Do It Yourself a ponto de ter inventado o nome no modo imperativo, Doist! (dupla de Rennes) pretende casar eletro e metal. A união já foi consumada nos quatro temas que compõem o EP Black Church.

YouTube Preview Image

Doist!

10 – Dakhabrakha (Ucrânia) ++ 23:10 – 00:00 Parc Expo – Pav. 4
Mais uma banda que nos soa familiar. Os ucranianos, que atuaram na última edição do FMM Sines, são compostos por três mulheres e um homem, professores universitários (segundo alguns cientistas loucos). Misturam folclore ucraniano com djambe, violino e zgalevka na elaboração de uma nova música do mundo.

09 – The Midnight Beast (Reino Unido) -+ 23:45 – 00:30 Parc Expo – Pav. 9
Stefan Abingdon, Dru Wakely e Ashley Horne tornaram-se populares no seu país no final da década passada através de uma série de paródias que publicaram na internet. O trio não se contenta em dinamitar os códigos da música pop comercial através de sketches hilariantes como “Pizza In Ibiza”. Um primeiro EP em 2010, um livro, uma série de televisão humorística e, finalmente, um álbum no ano passado.

YouTube Preview Image

The Midnight Beast

08 – Superets (França) -+ 00:10 – 01:00 Parc Expo – Pav. 3
E se a salvação da pop francesa passar (novamente) por Rennes? Vencedores de uma plataforma local para atuar na última edição do Vielles Charrues (o maior festival do verão francês), os Superets propõem temas cantados em francês, cruzando Dutronc com The Hives e Jacno.

YouTube Preview Image

Superets

07 – Boston Bun (França) +3+3 00:30 – 02:00 Parc Expo – Pav. 9
Pode ter escolhido um pequeno bolo picante australiano como nome de artista, mas o jovem Thibaud Noyer é o principal ‘potro’ do coletivo Club Cheval (Lille), e a mais recente assinatura da etiqueta parisiense Ed Banger (Justice, Sebastian, Cassius, Mr. Oizo, Laurent Garnier).

YouTube Preview Image

Boston Bun

06 – Lonnie Holley (EUA) ++ 00:55 – 01:40 Parc Expo – Pav. 4
Antes de se evidenciar como cantor e pianista, Lonnie Holley foi escultor na sua Alabama natal. O artista criou a partir de arenito e produtos reciclados um memorial para os seus sobrinhos, falecidos num incêndio. Procurando transcender o trágico, Lonnie procede da mesma forma com a sua música, experimental, e com o primeiro disco, lançado aos 62 anos. O neo-cantor, quando não está a improvisar com os Black Lips, continua a construção de uma arte ingénua e excêntrica, usando um microfone. Letra e música são improvisadas, como tal o desempenho será necessariamente único.

YouTube Preview Image

Lonnie Holley

05 – Kid Karate (Irlanda) ++ 01:50 – 02:35 Parc Expo – Pav. 3
A ideia não é nova. Uma banda reduzida a apenas guitarrista e baterista (White Stripes, Black Keys, Blood Red Shoes, Deap Vally, The Bots), formada por Kevin Breen (guitarra e, por vezes, aos sintetizadores) e Steven Gannon (bateria e percussão), percorreram as salas de espetáculos mais improváveis de Dublin desde 2009. Este verão foi lançado “Lights Out EP”, o primeiro disco em que Jack White parece ter pedido aos Rapture para o acompanhar.

YouTube Preview Image

Kid Karate

04 – Joris Delacroix (França) ?? 02:00 – 03:00 Parc Expo – Pav. 9
Precoce ao ponto de ter aprendido piano aos quatro anos, Joris Delacroix atingiu cedo a maioridade com “Maeva”, um primeiro single muito cativante lançado pela editora Timid Records (2008). Através da Woh Lab, discográfica de Nimes que agarra praticamente todos os atores da cena eletro de Montpellier, lançou o primeiro álbum “Room With View” (2011). Ao Trans leva o novo projeto “Boarding Pass”.

YouTube Preview Image

Joris Delacroix

03 – A Tribe Called Red (Canadá) ++ 03:15 – 04:15 Parc Expo – Pav. 4
Um índio no mato vale por dois. Os três canadianos A Tribe Called Red parecem saber isso melhor do que ninguém. A partir de Ottawa, Dee Jay NDN, DJ Shub e Bear Witness pegam na herança da música tradicional nativa da América do Norte – a famosa powwow – e adicionam batidas hip-hop, dancehall, dubstep e arranjos eletrónicos.

YouTube Preview Image

A Tribe Called Red

02 – Velvet Two Stripes (Suíca) ++ 03:30 – 04:15 Parc Expo – Pav. 3
O segredo bancário suíço já não é o que era. A cidade de Saint-Gall tem um outro tipo de tesouro. Sophie Digelmann (voz), a irmã Sara (guitarra) e Franca Mock (multi-instrumentista) responderam em 2011 à chamada rock de nomes como The White Stripes e The Kills. Com dois EPs editados – “Supernatural” (2012) e “Fire” (primavera de 2013) -, o trio feminino mostrou força nas primeiras partes de concertos dos Crocodiles e dos Vaccines.

YouTube Preview Image

Velvet Two Stripes

01 – Gang do Eletro (Brasil) ++ 04:15 – 05:15 Parc Expo – Pav. 4
“Não somos um grupo, somos um gangue”, afirma o coletivo brasileiro formado em 2008 pelo DJ Waldo Squash e pelos MC acrobáticos Maderito, William Love e Keila Gentil. Estes três rapazes e uma miúda de Belém viajam entre o hip hop desenvergonhado e o eletro jocoso. Fazem malabarismos com uma energia contagiante de modo a criarem o que chamam de “eletromelody”.

YouTube Preview Image

Gang do Eletro

Rencontres Trans Musicales de Rennes
O Rencontres Trans Musicales de Rennes (Trans), capital da Bretanha, no noroeste de França, promove anualmente encontros de culturas e géneros musicais sem preconceitos, fruto do elevado grau de melomania do diretor e programador Jean-Louis Brossard – desconhece-se outro festival com cem atuações em que o seu o responsável seja visto frequentemente a correr de um lado para o outro, a dar entrevistas, a participar nas conferências de imprensa, a aplaudir as bandas e, espantem-se, a incentivar encores – e não julguem que corre apenas em “casa”, pois já foi visto a “voar”, literalmente, no festival de Benicassim, em Espanha.

A criação de uma lenda
Depois de um formato inicial mais ou menos caseiro, o Trans teve um crescimento significativo na transição dos anos oitenta para os noventa, altura em que passou a ser conhecido como “festival das descobertas”. Massive Attack, Nirvana, Björk, Portishead, Beck, Lenny Kravitz, Daft Punk, The Chemical Brothers ou Ben Harper, só para citar alguns, foram nomes dados a conhecer, na Europa Continental, por estes “encontros especiais”, chamemos-lhes assim.

No Trans, ao longo dos últimos 17 anos, testemunhámos atuações premonitórias, como os primeiros passos de Goldfrapp, Nitin Sawhney, Delta 72, Make Up, Bobby Conn, Gotan Project, Nicola Conte ou Zero 7, artistas que em início de carreira mostraram o seu trabalho a pouco mais de duzentas pessoas.

Na 25.ª edição, Ben Harper e Beth Gibbons ofereceram prendas especiais ao festival: o primeiro atuou sozinho em palco e segunda reuniu-se com os franceses Le Peuple De L’Herbe para interpretar temas de “Dummy”, álbum de estreia dos Portishead. E fizeram-no sem cachet, agradecendo o “empurrão inicial” oferecido pelo festival.

Portugueses que deixam saudades
Por lá passou também Paulo Furtado, o nosso compatriota Legendary Tigerman, deixando os franceses boquiabertos e a pedir dois encores, em 2003. Com similar saudosismo, recorda-se a passagem de General D por Rennes na apresentação do disco “Pé Na Tchôn, Karapinha Na Céu” (1996). DJ Ride (2009) e os Batida (2010) fecham o estrito leque de artistas lusos que atuaram no principal festival de música da capital bretã.

A par de festivais como o SWSX (Austin, Texas, EUA), Dour (Bélgica) ou Primavera Sound (Barcelona, Espanha; Porto, Portugal), a importância deste evento é reconhecida internacionalmente, na medida a que ele acorrem profissionais do meio musical, imprensa e até mesmo organizadores de festivais de locais tão distintos quanto Japão, Coreia do Sul, Austrália, Alemanha, Reino Unido, Brasil, Canadá ou EUA. Não estranhe se desconhecer os nomes dos cerca de 90 artistas da presente edição do Trans, sendo natural que venha a ouvir falar neles mais tarde. Se não acontecer, foram erros de casting. Arriscar faz parte do jogo.

Mudança indesejada
Apesar do eixo do Trans ter iniciado uma gradual mudança em 2011, este ano o Parc Expo do aeroporto de Rennes volta a ser a casa central do festival. Até 2003 o habitat do Trans era o pavilhão Liberté, situado na baixa da cidade, mas as demoradas obras de remodelação aliadas às políticas de ruas sem distúrbios de Sarkozy afastaram o «festival desordeiro» – uma óbvia referência aos conflitos entre a polícia de choque e os fãs da banda punk francesa Bérurier Noir, reunida exclusivamente para celebrar os 25 anos do Trans – do centro da cidade para o aeroporto, a 7 kms de distância.

Apesar da organização tentar suavizar a mudança, a mesma descaraterizou e penalizou bastante o evento, sobretudo ao nível do conforto, urbanidade e meios de transporte.

Bars en Trans
A decorrer nos mesmos dias e em paralelo ao Trans Musicales, o Bars en Trans é um festival de música espalhado pelos bares do centro de Rennes. O objetivo principal é oferecer um palco a artistas em início de carreira que por vezes regressam em anos futuros para atuarem no Trans Musicales. Os estudantes universitários, sobretudo os que têm menos poder de compra, agradecem a generosa oferta dos espaços noturnos da cidade. Inicialmente gratuito, com a promoção almejada pelo famoso “boca-a-boca”, o Bars en Trans tem agora entradas reservadas a um preço simbólico.

ruestmichel_barsentrans08

35.º Rencontres Trans Musicales de Rennes
Le Parc Expo Rennes Aéroport, Le Triangle, L’Ubu, Les Champs Libres, L’Aire Libre
França, 4 a 8 dez 2013
www.lestrans.com

20.º Bars en Trans
Diversos bares no centro de Rennes
França, 5 a 7 dez 2013
www.barsentrans.com

*Rue Saint-Michel, 2008, fotografada por Stéphane Mahé.

Siga-nos aqui:

Tags: , , , , , , , , , , , , ,


About the Author



Back to Top ↑