Festmag

Published on Dezembro 18th, 2013 | by Paula Lagarto

Reportagem: Guitarra de saltos altos

A frase “o tamanho não importa” quase está gasta de tanto se usar, mas é aquela que vou usar para definir o concerto de Anna Calvi, na terça-feira, na Aula Magna, em Lisboa. A inglesa é uma mulher pequena, só que com uma voz e um talento como guitarrista gigantes.

Os saltos altos, mesmo altos, dão-lhe um toque feminino, que Calvi não esconde durante toda a atuação, seja no tom de voz que cresce até ao tom lírico e desce até ao murmúrio. O pretexto para o regresso a Portugal foi o álbum “One Breath”. Sem surpresas, os momentos altos do concerto foram, porém, ‘velhos conhecidos’ do trabalho de estreia, que encantou este e o outro mundo. E uma versão à ‘boss’, ou seja literalmente do ‘boss’ Bruce Springsteen.

E voltando a usar frases feitas, comecemos pelo princípio, como deve ser e usar um “era uma vez” um concerto que se iniciou por “Suzanne and I”. Estava feito o anúncio que o espetáculo teria efeitos de luz e muito trabalho de voz e que Calvi estava bem acompanhada em palco. Logo a seguir, mostrou-se que o caminho da noite iria trilhar sobretudo o novo trabalho, que nas palavras da própria compositora, retrata um período mais conturbado da sua vida. “Eliza” e “Suddenly” foram os cartões de visita para o álbum lançado em 2013.

A um gritado “I love you” da plateia, Anna Calvi respondeu um murmurado “thank you”, enquanto em palco não poupava os riff’s da guitarra, que começou a tocar em tenra idade a ‘la Jimmy Hendrix’. A canção “I’ll be your man” mostrou como a oscilação de tons na voz e na música não deixava que a atenção se pudesse concentrar noutro local. “So nice to see you”, dizia Anna Calvi enquanto ficava sozinha em palco com a sua guitarra para anunciar que vinha aí uma canção de Bruce Springsteen. E assim incendiou o local com a sua interpretação de “Fire”.

Aproveitado estar já com o público arrebatado, surgiu “Desire”, do primeiro trabalho, que ninguém tem dúvidas que cada vez que é tocado ao vivo será um dos momentos altos dos concertos da inglesa. Isto, quando é tocado, como na terça-feira, com toda a garra. “Desire is so strong” continuou Anna Calvi, desta vez no tema “Love won’t be leaving”.

Aplausos em pé deram o mote a dois regressos ao palco e mostrar a todos o ‘pé de feijão’ de Anna Calvi e acompanhantes. E lá voltei a escrever “clichés”. Primeiro, a plateia foi embalada com “Bleed to Me” para depois ser esmagada com o fortíssimo “Jezebel”. Do segundo e último encore, duas canções do álbum de estreia serviram como chaves de ouro: “Rider to the Sea” e “Blackout”. “Quem canta assim não é gago”, adapto eu, para evitar mais uma frase feita.

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