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Crónicas

Published on Dezembro 16th, 2013 | by Filipa Marta

Reportagem: Motorama + First Breath After Coma (CEO)

Saí de casa na sexta-feira, dia 6 de dezembro, e não estava só frio, estava muito frio. Embrulhada em mantas com capuz, cheguei à Caixa Económica Operária (CEO), um edíficio antigo no centro da Graça, em Lisboa, para os meus cinco sentidos se deliciarem com Motorama pela primeira vez (é sempre bom quando ainda temos primeiras vezes).

O quebra gelo da noite esteve a cargo da jovem banda portuguesa First Breath After Coma (FBAC) e não podia ter sido melhor. Os FBAC são cinco rapazes com uma maturidade instrumental de deixar qualquer um de boca aberta. Trouxeram na manga o disco “The Misadventures Of Anthony Knivet” (Omnichord Records, 2013) e, intimamente, despiram-no aos presentes.

Ouvimos “Andro”, “Almadraba”, “Mermaids”, “Dead Men Tell No Tales”, “Shoes For Man With No Feet”, “Skáphos”, “Knivet” e “Punch The Air”. Velaturas muito indie, consideradas no género ambiente, dream-pop e pós-rock que, com um palco cheio de fumo, me transpuseram para um mundo imaginário mas sempre com a perna a marcar o compasso. Estes rapazes ainda colocaram a cereja no topo do bolo com uma versão do tema “Wait”, dos M83, espetacularmente bem interpretada e terminaram com “Escape” e “Apnea”.

Motorama1

Depois deste concerto a adrenalina estava no ponto para ser conduzida pela mão dos Motorama. Os cinco elementos entraram em palco sisudos – digo mesmo ‘com cara de russos’ – e “Lantern” foi o escolhido para abrir a pista. Vladislav Parshin ao cantar esta música e a segunda da lista, “White Light”, mostrou os seus tiques à la Joy Division, com as pernas a bambolear descompassadamente dos braços, e atirando o microfone como se fosse um boomerang. Por momentos, temi que aquilo se espetasse num olho de alguém.

Seguiu-se “To the South”, “Letter Home”, “Eyes” e à minha volta tinha verdadeiros fãs (eu incluída no pack) que se deixaram levar pela voz sombria de Vladislav e pela música indie-pós-punk-melancólica em coro. Tudo maluco. Tudo a dançar.

Motorama trouxe consigo músicas dos dois discos editados – “Alps” (Talitres Records, 2013) e “Calendar” (Talitres Records, 2012) – que ao vivo têm uma mística difícil de explicar, muito ajudada pelo próprio espaço que compôs o ramalhete, fumo à mistura e palco em tons negros e vermelhos. Tocaram “Wind in Her Hair”, “Young River”, “One Moment”, “Two Stones”, “Nothern Seaside”, “Far Away From The City”, “Winter At Night”, “Anchor” e “Ship”. Com o single “Alps”, escusado será dizer, foi o delírio na sala.

Parecia que estávamos em terras frias e soturnas onde o ritmo dos instrumentos de Motorama não nos deixava estar colados ao chão mas havia uma ‘barreira’ invisível entre eles e nós. A interação com o público foi muito fraca, apesar da euforia de Vladislav, que volta e meia ora tirava os óculos, ora os colocava de volta, ora atirava a guitarra para as costas, ora tocava freneticamente, ora se sentava, ora dançava esquisofrenicamente.

Faz algum tempo que me apaixonei pelo trabalho destes senhores (e senhora), vindos da cidade de Rostov-on-Don e o concerto encaixou que nem uma luva na Caixa Económica Operária. No encore presentearam-nos com “Warm Eyelids” e “Hunter”, dois temas explosivos. Até uma próxima.

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