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Música

Published on Fevereiro 8th, 2014 | by Alexandra Silva

Reportagem: Jacco Gardner, uma viagem aos anos sessenta

Estamos em Lisboa em fevereiro de 2014 e lá fora chove muito. Pela zona do Cais de Sodré, onde fica situado o Musicbox, a chuva tocada a vento abana o arvoredo, pelo chão há guardas-chuva destruídos abandonados pelos donos e uma pequena multidão acumula-se à porta do clube lisboeta. Quando entramos rapidamente somos transportados para outras atmosferas. Há calor humano e quase-quase à hora marcada Erica Buetner, de voz tímida e guitarra em punho inicia-nos numa viagem até aos anos sessenta com os temas folk e country do até agora único registo de originais, “True Love and Waters” (2011).

E foi lá que ficámos. Jacco Gardner, o menino maravilha que vem da Holanda mas traz a psicadélica Califórnia na ponta dos dedos guiou-nos até à década dourada da música com os temas do aclamado “Cabinet of Curiosities”, lançado o ano passado.

Foi precisamente com o instrumental que dá nome ao disco que começou a viagem, ainda sem a banda em palco. A pouco e pouco foram surgindo: um baixo, uma guitarra acústica, um clavicórdio, um baterista doente e certeiro e o próprio Jacco que maioritariamente está nas teclas.

Como se não bastasse o cabelo pelos ombros, o chapéu que o cobre e a postura em palco remeter-nos para sua excelência Kevin Parker, o som fabricado por Jacco Gardner situa-se precisamente nas mesmas paisagens melódicas que uns Tame Impala. Mas aqui e ali há Beach Boys, há Zombies, há Syd Barrett, a sua referência musical mais evidente.

Foi através de sons mágicos produzidos por meticulosos arranjos e adequadas segundas vozes que Gardner e a banda nos levaram a uma viagem onírica e anacrónica impecavelmente acompanhada com projecções de imagens cinematográficas da década que os temas invocam.

Ao terceiro tema, a pastoral The one eyed king, a plateia estava já em transe, mantendo o nível de excitação em temas como Help Me Out, Clear the Air ou The Ballad of Little Jane. A apoteose viria com as perfeitas Lullaby e Chameleon ligadas por uma jam tão excitante quanto perfeita. E tudo isto sem substâncias ilegais.

Visivelmente encantado, também ele, com a receção do público português (alguns dos presentes já o tinham visto pelo Milhões de Festa), Jacco e os companheiros não se despediram sem voltar para um encore onde houve direito a uma cover de Billie Nichols, outra das referências musicais do rapaz que muitas vezes passa férias no Alentejo, onde os pais têm uma casa.

Não temos dúvidas em afirmar que os olhos devem estar postos neste miúdo e que muito em breve voltará ao nosso país. Ansiosamente esperamos pela viagem já que a música é a melhor das drogas.

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