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Música

Published on Março 12th, 2014 | by Filipa Marta

Reportagem SXSW: A cowboiada musical chegou a Austin!

O festival South by Southwest – SXSW – já começou na cidade de Austin, Texas. Para quem não sabe, é um festival que teve início em 1987 e junta ‘interactive’, música e filmes no pacote. É conhecido por apontar tendências para os anos futuros, novidades e o que os ‘especialistas’ nas diversas áreas andam a magicar. São dias de partilha, de conferências, conversas várias e também, diversão às toneladas. Toda a cidade de Austin pára literalmente para receber cerca de 313 mil pessoas (pagantes e não-pagantes) sedentas de absorver todo este frenesim criativo.

Cheguei no dia 6 de março a Austin e assisti a palestras de ‘interactive’ e filmes mas não é isso que vos trago nestes artigos. Vou focar-me na música e dar-vos a conhecer o que se passa por estas terras de cowboys e de hamburgers com tudo.

Num destes dias reparei num poster colado algures na cidade com nomes como Robert DeLong, RAC e MS MR. Claro, não resisti em procurar como poderia ir à dita cuja, uma festa privada, e inscrevi-me pelo sistema RSVP – todas as festas por aqui têm disso, não basta o passe SXSW -, e na segunda-feira, 10 de março, fui a uma festa ‘privada’ da Applauze app no bar Scoot In.

Cheguei pelas 20:30 a um quintal nos subúrbios de Austin onde se encontrava um bar em vez de uma casa. Sítio escuro, com vivendas de família à volta, decorada por uma fila gigantesca de pessoas que, de tão grande, entrava pelo mato dentro, nas traseiras da mesma. Infelizmente, a minha inscrição na lista RSVP ou o meu passe SXSW não me valeram de nada e fui atirada para a fila não-VIP, tal como o resto do rebanho. Esta lista RSVP supostamente fornece uma espécie de entrada ‘prioritária’ nestas festas em Austin. Normalmente, aparece com um link associado onde: click>submit>you’re in the special list. Depois lá vai toda a gente contente, de telemóvel na mão, com o tal bilhete no email, para ficarmos horas à mesma em filas e no fim, ninguém te pergunta se estás ou não na lista RSVP. Yeah! Sempre a aprender por aqui…

Descobri que Robert DeLong, Charli XCX e Gentlemen Hall já tinham atuado e, depois de uma hora de seca na companhia de mosquitos, os nova-iorquinos MS MR começaram a tocar. Nesse momento, desejei poder saltar a cerca de madeira que me dividia fisicamente do espaço do concerto. Só rezava para que o amontoado de gente que se encontrava à minha frente entrasse. Estava a 6 metros da porta passado 1h30 de espera.

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MS MR abriram com o tema “Bones” e tocaram lindamente “Fantasy”, num palco montado num quintal, para umas 200 pessoas. Viva o SXSW por ainda fazer destas coisas. A quinta música do alinhamento deu lugar a uma cover da banda Arctic Monkeys para o tema “Do I Wanna Know”, que me deixou de queixo caído. Já os tinha visto no Vodafone Mexefest em 2012 num concerto bem a cair para o ‘morto’ mas neste a vocalista Lizzy Plapinger estava um animal em palco. Credo! Voz, atitude e entrega ao público, uma coyotegirl a dançar voluptuosamente com os presentes, até pediu a um dos elementos da banda para lhe apertar o soutien… Depois veio “Dark Doo Wop” com direito a elogios à restrita plateia e terminaram com a explosão de “Hurricane”, metendo as pessoas num frenesim e a cantar em coro com a banda.

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A festa continuou com RAC em formato djset no interior do bar (minúsculo), onde se encontravam umas 30 pessoas a receber os seus beats eletrónicos em delírio. O duo RAC (André Allen Anjos e Karl Kling) atuou num mini-palco a 10 centímetros do chão e a 1 metro das pessoas (eu incluída). O ambiente intimista permitiu brindes e apertos de mãos com os fãs, troca de palavras e fotografias. Uma curiosidade, o nome RAC vem de ‘’Remix Artist Collective‘’. Nesta completa sintonia, consegui ‘saltar’ para o camarim e entrevistar André Allen Anjos, e para grande surpresa, a minha resposta a ‘Can I interview you? I’m Filipa from Portugal.’ foi ‘Portuguesa! Claro que podes!’.

O André viveu a sua vida quase toda em Portugal, em Santa Maria da Feira, Ericeira, Figueira da Foz, e há nove anos mudou-se para solo americano. Em novembro do ano passado voltou a Lisboa para uma atuação no Vodafone Mexefest enquanto RAC (pela primeira vez no nosso país). Comparando as duas atuações mencionadas, a desta festa rebentou a escala ao nível da intimidade que é possível entre um artista e o seu fã, a começar por esta oportunidade única de entrevista. Apesar do André falar bem português, a entrevista foi feita em inglês e contou-me que os RAC vão fazer vários concertos durante estas semanas do SXSW. Explicou-me que normalmente costumam vir uns dias mais cedo para tocarem neste tipo de festas porque as do roteiro SXSW são mais para ‘negócios’. Vão atuar quatro vezes no festival, tanto como uma full-rock-band, dj set, juntamente com os amigos Goldroom ou no showcase da sua editora, Cherrytree. Falámos de artistas portugueses que vêm tocar ao SXSW 2014 como Moullinex – amigos do André – e das potencialidades que temos no nosso pequeno país que não conseguem ter projeção. Ambos ficamos contentes de os ver sair de Portugal para tocarem um bocado por todos os cantos do mundo.

Gostei imenso de conhecer o André dos RAC, foi super atencioso e descontraído e nesse espírito, fui assistir ao concerto seguinte de Rich Aucoin, um artista canadiano que basicamente juntou vídeos cheios de imagens e frases emocionais à sua música. Parecia uma aula de aeróbica onde Rich puxava pela motivação pessoal de cada um, metendo tudo aos saltos, em histeria. Apesar da fraca qualidade vocal, o nível de entretenimento foi gigante.

Depois disto dei por mim a conversar com um rapaz, Peter, que trabalha na Applauze a quem perguntei o que a festa tinha a ver com a app. Ele explicou-me que a app permite nos Estados Unidos e no Canadá fazer o scan de concertos, festas, etc., que estão a acontecer por cidade. Portanto, uma app envolvida no mundo da música. See you later aligator.

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