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Música

Published on Março 17th, 2014 | by Filipa Marta

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Reportagem SXSW: Concertos em cada esquina, para todos os gostos

Austin encheu-se de sol e calor e anda tudo de calções e t-shirts na rua. A cidade de betão parece mais bonita do que nos dias de Interactive (a primeira parte do festival SXSW, virada para as tecnologias). É sexta-feira, dia 14 de março.

Fui fazer a minha volta habitual às conferências no Austin Convention Center e pelos intervalos assisti à atuação de Angelina Lucero, dupla de dj e vocalista, a que faltava um pouco presença em palco deixando as expetativas aquém. No palco internacional, Lo’Jo, vindos de França, fizeram um espetáculo muito cinematográfico que achei interessante. Seguiu-se Imarhan Timbuktu & Sihasin do Mali, uma senhora no baixo e um rapaz na bateria (e outros instrumentos), que com as suas vozes de índios, captaram a minha atenção mas os meus pêlos do braço eriçaram com a banda Highasakite, da Noruega. Que som maravilhoso com direito a trompetes e a voz da vocalista tem algo de diferente. Fiquei com o bichinho de descobrir mais sobre este grupo de músicos e sem dúvida que fez o meu dia valer a pena. SXSW, como gosto de ti!

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Ao fim da tarde parti em busca de uma loja de discos e outra de livros que pelos vistos, por estas zonas, são mito. Lá me indicaram uma, Waterloo Records e Book People, respetivamente. Gastei (bem gasto) duas horas a remexer em prateleiras e prateleiras de álbuns.

Segui para ver BADBADNOTGOOD no espaço Austin Music Hall. Pela primeira vez, o facto de ter um badge deixou-me passar à frente na fila de pessoas para logo a seguir achar que me tinha enganado no local. No palco estavam uns individuos do hip-hop ou eram mc’s. A plateia estava toda ao rubro, dentre desse género, e o meu espanto deveu-se aos BADBADNOTGOOD serem uma banda instrumental, de três rapazes que pingam talento. Perguntei a alguns dos presentes se o alinhamento estava correcto e ninguém me sabia responder – “Quem? Não sei quem são.”. Pelos vistos, BADBADNOTGOOD tocavam a seguir a um dj meter sons dentro do R&B-pop-reggaton, com aroma a charros no ar. Via-se que estavam nervosos e nas cinco músicas que apresentaram, explodiram tanto que a plateia ficou em silêncio, aplaudindo efusivamente no final. Aqueles três rapazes conseguiram manter a fasquia de um público já bastante acelarado e sobressairam enquanto músicos, tocando excepcionalmente bem o piano.

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Segui para o espaço Mohawk onde me deixei ficar para três concertos: Thumpers, Until the ribbon breaks e Warpaint. Pelo caminho, senti ainda mais pessoas por todo o lado e palcos aos molhos.

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Thumpers são uma banda cujo o som me remete instantaneamente para Fanfarlo com um toque mais electrónico. Gostei mas não foi surpresa, pelo menos para mim.

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Until the ribbon breaks são mais catchy na electrónica. Tocaram a “Romeo” e “A Taste Of Silver”. Deram um concerto bastante dançável mas por quem eu esperei foi pelas quatro meninas Warpaint. Vi-as em Lisboa, na Aula Magna, antes de vir para o SXSW e o que digo é… não teve nada a ver. O concerto neste pequeno espaço em Austin foi mágico. Elas estavam em sintonia, brincaram entre elas e com o público. Tocaram muito bem (à parte de alguns lapsos) e as músicas ganharam corpo, consistência, e entraram-me na pele (coisa que na Aula Magna não aconteceu). No fim, falei uns minutos com a Stella Mozgawa, a baterista, onde lhe disse o que escrevi acima, sobre o concerto em Lisboa. Aqui explicou-me que aqui era diferente, pelo espaço ser mais apertado e por já terem tocado tanto nestes dias de South By, estavam super descontraídas. Consegui que me assinassem o disco e vim embora de peito cheio com tanta boa música.

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No caminho para o meu hotel, passo sempre pela rua de vivendas (que referi num artigo passado) e fui a tempo de ver a actuação dos Washed Out, que adoro. Ouvi “Feel it all around”, a minha favorita e mais três outras músicas. Senti a vibe ‘ambiente’ dos Washed Out e segui caminho até à minha cama.

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Que experiência esta, do SXSW. Concertos em cada esquina, para todos os gostos, sem dúvida. Lembrei-me que passei por um palco de heavy metal, por exemplo. O SXSW tem isso tudo. Tem a possiblidade de trocar palavras com artistas, de viver momentos únicos. Aqui os artistas são tantos que têm que dar tudo no concerto ou as pessoas não ficam para ver até ao fim. A oferta é tanta que não há mesmo outra hipótese. E nestas condições vê-se quem consegue e quem não entusiasma. See you later aligator.

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