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Cinema e TV

Published on Março 12th, 2014 | by Filipa Marta

Reportagem SXSW: Em conversas com Tilda Swinton

No dia 8 de março sentei-me numa pequena sala do Austin Convention Center para ouvir Tilda Swinton numa conversa intimista. A atriz veio ao SXSW 2014 promover os seus mais recentes filmes “Only Lovers Left Alive” e “The Grand Budapest Hotel“ mas rapidamente as palavras voaram para o lado mais pessoal, tocando em pequenos episódios de vida de Swinton, que ao entrar na sala, foi recebida por uma estrondosa salva de palmas.

A conversa, conduzida por Eugene Hernandez, começou por saber onde Tilda ia buscar inspiração. A atriz respondeu que quando era criança a sua família tinha um pintor como convidado que os visitava regularmente e que, a partir desse momento, começou a olhar para a arte (e outros pintores) com outros olhos. Enquanto adolescente, pintava e fotografava e, apesar de nunca ter pensado em seguir a carreira de atriz, a quantidade de quadros representativos dela e da sua família, pendurados nas paredes da casa, punham-na a pensar nas pessoas em ‘frames’.

Essa particularidade foi alterada no dia em que conheceu Derek Jarman, realizador e amigo, que Swinton passou a sentir o ‘bichinho’ da representação. Swinton elogiou bastante o trabalho de Jarman, explicando que um dos seus primeiros filmes foi “Sebastiane”, de 1976, em latim e gay, arrojado para a altura, e que mais tarde participou em “Caravaggio”, de 1986, acabando por fazer mais sete com a sua supervisão.

Swinton aproveitou para dizer que por volta de 1992 viviam-se tempos difíceis e que as leis inglesas relativamente à homossexualidade eram tão restritas, tal como são hoje na Rússia – “We are fighting for space that we already had.” Jarman morreu de sida em 1994.

Desde o início da carreira de Swinton que cada filme que fazia era tido como o seu ‘último filme’, coisa que acabou sempre por não acontecer e a trouxe ao SXSW 2014 com “Only Lovers Left Alive”, um romance sobre vampiros. Swinton disse que a presença feminina no filme é ‘luminosa’.

Relativamente à questão de continuar a fazer filmes (porque diz sempre ser o seu último papel), Swinton responde com – “It’s a human opportunity to put yourself into somebody else shoes. That is huge and powerful.”. Contou que o seu filho perguntou-lhe numa noite, antes de adormecer, como é que seriam os sonhos quando as pessoas não tinham cinema, que a deixou a pensar no assunto. Disse que o cinema é bom para a alma e que não lhe chocam os grandes avanços tecnológicos no cinema (downloads, telemóveis, etc).

Tilda Swinton também é programadora de um festival de cinema local, numa pequena cidade da Escócia, onde tem casa. Duas salas antigas de cinema estavam em risco de fechar e Swinton, para isso não acontecer, organizou esse festival, onde as pessoas podem ir sem pagar bilhete se levarem comida feita em casa, se forem vestidas de acordo com a época do filme, e dançam sempre antes do filme começar.

Este festival passou a trazer imensa gente curiosa pelos filmes e pelo ambiente e hoje em dia é um grande sucesso. ‘I learn that the mountain does go to Mohamed. Be your on center and your on ground. Culture is build by us.’, garantiu Tilda. No fim, alguém da audiência perguntou a Tilda qual o papel mais estranho que tinha representado e ela disse: o de advogada.

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