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Música

Published on Março 16th, 2014 | by Filipa Marta

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Reportagem SXSW: PANAMA, MØ, High Highs, HOLYCHILD e Poliça num quintal

Depois de uma manhã em palestras e conferências e de um almoço numa roulote de hamburgers com tudo, fui parar a uma vivenda típica americana perto do Austin Convention Center. À porta tinham uma folha de papel branco simples com o alinhamento: PANAMA, MØ, High Highs, Goldroom, HOLYCHILD, entre outros. Entrei. Dentro da vivenda havia um espaço para os artistas atuarem, e no quintal da mesma havia um mini-palco montado para igual efeito.

A festa estava sob a alçada da Pretty Much Amazing e da Pledge Music para umas 50 pessoas do ‘business’. No palco atuavam PANAMA, em formato mais curto – três rapazes. Ouvi “Always” do novo EP, acabado de ser lançado no mercado, e “We have loved” do EP anterior e aquela vibe 80’s ficou no ar, que juntamente com o sol que estava, foi delicioso. Consegui falar pessoalmente com Jarrah McCleary, o líder da banda, sobre terem gravado com Eric Broucek (DFA Records) e Jim Orso e terem um som espetacular (se não conhecem, fica a dica) e sobre a vinda ao SXSW agora. Jarrah disse-me que acabaram de assinar com uma editora americana, 300 Entertainment, e isso despoletou estarem no SXSW e fazerem promoção do trabalho.

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Ao mesmo tempo que falava com Jarrah, os rapazes da banda High Highs já montavam o seu material no palco. Percebi que as bandas não tinham muito tempo para tocar, visto ser uma espécie de showcase à talhante. A logística era tocarem umas 4 músicas e terminarem o concerto, arrumarem o material e deixarem a próxima banda montar o seu, e por aí a fora.

High Highs começaram com “Flowers Bloom”, que pessoalmente oiço em loop há algum tempo. Para os ver estavam umas 10 pessoas junto do palco e arrisco a dizer que apenas três conheciam realmente o trabalho (eu incluída). A banda só conseguiu tocar três músicas e a “Open Season” foi uma delas. Nunca os tinha visto ao vivo e, tal como os PANAMA, os High Highs nunca vieram a Portugal.

Fiquei de sorriso de orelha a orelha com a prestação. Depois Jack Milas e Oli Chang, cabecilhas dos High Highs, conversaram comigo sobre o lançamento (para breve) de um segundo disco, ainda sem nome. Originais de Sydney, Austrália, vivem por estes dias em Brooklyn e andam a promover o álbum “Open Season” nas terras do Tio Sam. Depois irão fazer uma digressão europeia e gostavam de ir a Portugal (pois…).

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Entretanto, ainda fui ver Goldroom que atuava no interior da vivenda enquanto Francis Lung começava no quintal. Goldroom tem aquele som super dançável e parecia que a tarde virou noite numa discoteca. Francis Lung actuou com uma guitarra, e pessoalmente não gostei. Pode ter sido do ambiente ou não ser o melhor espaço mas foi uma prestação ‘mosca morta’. Depois de Francis, Holychild saltam para o palco, também para um concerto muito rápido. Não os conhecia mas rapidamente fiquei atenta.

Tocaram umas três músicas e a banda deu tudo de si e fizeram a festa com os poucos fãs que havia para os ver, umas 20 pessoas. Tocaram “Happy with me” que ao vivo me fez ficar bem feliz e quando terminaram a atuação, Liz Nisitico, a vocalista também conversou comigo. Para grande surpresa minha, quando disse que era de Portugal, a Liz exclama que viveu por três meses em Vilar Formoso. Fez um programa de voluntariado numa casa internacional e conhecia o Porto e Lisboa. Mundo pequenino… Os Holychild lançaram o EP na semana anterior e são de L.A.. Super simpática e ficou comigo a ver o concerto que viria a seguir, de MØ.

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Karen Marie Ørsted aka MØ, da Dinamarca, estava bastante nervosa antes de entrar em palco. E digo isto porque estava junto dela. O engraçado destes concertos no SXSW é não haver essa barreira entre os artistas e permite que as coisas sejam vistas a cru. Karen ao pegar no microfone e mal soaram os primeiros acordes, transformou-se num monstro de palco. Sentia cada ritmo da música com todo o corpo e o palco foi demasiado pequeno, lançando-se pela plateia adentro até onde o fio do microfone proporcionou ou saltava para as colunas ou para o próprio chão. MØ não estava preocupada com a sua figura teatral, ou se ia ser um concerto curto, e arrasou as expetativas. A banda que a acompanha é de facto muito boa e acompanhou esta energia toda. Ouviu-se “Fire Rides”, “Pilgrim”, “Waste of time”, uma cover das Spice Girls para o tema “Say you’ll be there” e terminou com o mais recente single, “Don’t wanna dance”, em histeria total. Que furacão num espaço tão pequenino.

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À noite fui a outra vivenda (com quintal) na mesma rua e estavam a atuar Misterwives. Até tinham uma certa piada dentro do country alternativo. Neste espaço, já havia um público compacto e fazia-se fila à porta para entrar. Poliça tocou a seguir. Apresentou-se com cabelo rosa e com uma voz de deixar qualquer um vidrado. Pessoalmente comparo-a a uma Feist eletrónica, mantendo a qualidade. A interpretação do tema “Lay your cards out” fugiu do ‘oficial’ e foi maravilhoso. Boa banda. Bom concerto. Bom descanso.

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