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Música

Published on Março 15th, 2014 | by Filipa Marta

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Reportagem SXSW: Um tête-à-tête com St. Vincent

O dia 12 de março começou com uma conversa ‘mano-a-mano’ com a artista Annie Clark – que conhecem como St. Vincent -, numa sala perdida no interior do Austin Convention Center.

A Ann Powers (da NPR Music) conduziu a sessão e começou por comparar St. Vincent a uma “world maker” e “game designer” mas rapidamente mudou o tema para o mais recente álbum homónimo de Annie dizendo ser um disco que convida o ouvinte a conectar-se intrinsecamente com a música.

Annie Clark aprendeu guitarra aos 11 anos e aos 15 construiu o próprio estúdio no quarto, e começou por criar música digitalmente. Ela retalhou na íntegra o primeiro disco de Madonna para compreender como os diferentes instrumentos se conjugavam, e transpôs esses sons para o computador convertendo-os todos numa escala ‘menor’.

A maior influência veio do seu tio que disse fazer uma “symphony from the guitar”, e integrou uma banda de secundário como baixista.

Cada música do disco, desde o ritmo aos instrumentos utilizados, foi delineada para criar uma ‘aura’, orientada com um certo groove. É um organismo, diz, com um sistema-esqueleto por baixo de cada canção.

Para St. Vincent, este recente trabalho envolve coreografias sinestésicas cheias de cor, nomeadamente cores primárias (para Ann Powers o disco é ‘rosa’) e, marcado pelo seu fascínio por símbolos – “more powerfull way to say things”.

Olhando para os vídeoclips realizados, este projeto tem um lado ‘cyborg’ ou máquina-humana. Annie explica que se vive cada vez mais numa realidade virtual, depressiva e indisposta, e catalogam-se as coisas como ‘importante’ e não importante’ e daí o lado mecânico da sua visão neste disco.

As letras das canções do álbum são também em parte bastante eróticas, sexuais, chegando a falar abertamente em masturbação. Para Annie, o que ela achou sexy, explorou afincadamente tendo sempre ‘o controlo’ da situação, uma mulher com poder.

Quanto à questão do espaço físico vs. inspiração, Annie mencionou David Byrne. Explicou que se recolheu para compor numa pequena casa a uma milha de Austin – “the physical space it’s not important. But what happens around that space.”. See you later aligator.

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