Cinema e TV

Published on Setembro 23rd, 2014 | by Inês Henriques

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MICAR o racismo e falar sobre ele em outubro no Porto

No fim de semana de 17 a 19 de outubro, o Rivoli recebe a primeira edição do MICAR. A discussão sobre o racismo está aberta, em forma de imagens. E no ecrã vai estar Garcia Bernal.

«Micar é micar o outro. Brincamos um pouco com isso. É o olhar o outro, o que isso diz de nós, do outro. Calhou bem a sigla ser essa [Mostra Internacional de Cinema Anti-Racista]», explicam Joana Alves dos Santos e Jorge Paiva, ativistas do SOS Racismo, a instituição que está na génese desta primeira mostra de cinema de ‘alerta’ para um questão ainda predominante nos nossos dias.
A MICAR não é «apenas uma questão cultural, mas politica», ainda que seja uma forma de «trazer cultura de uma forma gratuita» e que tem no futebol o seu «pontapé de saída».

«Esta mostra tem um enquadramento engraçado. A ideia já existia e tomámos conhecimento que uma organização, a Fare Network, estava a abrir um período de candidaturas a um financiamento para eventos que ligassem o futebol, e as pessoas do futebol, como lhes chamam, para a luta pela desigualdade. Também podia estar ligado a outras áreas que não o desporto, como o cinema, a arte», contou Joana Alves dos Santos à Fest Magazine. Assim, estava lançada a primeira parte do financiamento. A outra vem através de um crowdfunding que ainda está a decorrer, enquanto a logística está por conta da Câmara Municipal do Porto, que cedeu uma das salas do Rivoli. A verba arrecadada será necessária para custear a vinda de «convidados de fora», como «o realizador do último filme», “Il Piccolo Calciatore”, de Roberto Urbani, sobre um menino jogador de futebol.

Joana e Jorge não negam a importância que os documentários, e filmes que partem do futebol, têm nesta Mostra. «Pretendemos nesta primeira mostra dar enfoque ao futebol. Seria uma forma de começar e trazer gente às salas. É um fenómeno social e que move massas. O racismo continua a existir nos estádios, nas claques de extrema-direita, que têm uma ideologia racista, e o futebol traz às massas o racismo de uma forma aberta e descarada», sublinha Jorge Paiva. «O futebol também é importante para os jovens, de 13, 14 anos, e é mais fácil chamá-los para uma mostra com este chamariz. Não é demasiado intelectual. [O futebol] tem este potencial de unir a prática a causas positivas», acrescenta Joana Alves dos Santos.

Além do filme italiano, a Mostra conta com a estreia de “Diamantes Negros”, da autoria do espanhol Miguel Alcantud, sobre o ‘recrutamento’ de jogadores africanos para a Europa do futebol.
A organização conta convidar os clubes para estarem presentes no evento e Paulo Fonseca, atual treinador do Paços de Ferreira, é um dos apoiantes do projeto, assim como a cantora Capicua.
Com «curtas, documentários, filmes de ficção», a primeira Mostra vai ter um dos pontos altos com um filme que não estava previsto passar por Portugal: “Who is Dayani Cristal” (2013), de Marc Silver, e que tem Gael Garcia Bernal no principal papel, numa narrativa sobre a emigração clandestina do México para os Estados Unidos. «Não tinham planeado estrear em Portugal, foi mesmo uma insistência nossa», conta Joana Alves dos Santos.

Com «a premissa da gratuitidade, para que todos pudessem participar», a Mostra arranca na sexta-feira, com duas sessões e um debate. O sábado é o dia mais preenchido, ficando para domingo, dia do encerramento, a exibição de três películas. Os ativistas do SOS Racismo esperam que seja «um sucesso» e que, «com mais tempo numa segunda edição», possam levar os filmes «a mais cidades», e abrir ainda mais o debate num país em que «a legislação ainda é racista para os imigrantes».

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=qLpjNGm3PNw[/youtube]

Programação (Pequeno Auditório do Rivoli):

6ª FEIRA, 17 de outubro
21h – Sessão de Abertura – “Kunta” (curta-metragem) (2007) de Ângelo Torres
– “SOS Save Our Souls” (2010) de Raquel Freire (com debate no final)

SÁBADO, 18 de outubro
14h – “Diamantes Negros” (2013), de Miguel Alcantud
16h – “Without a Chance” (2013), de István Gábor Takács e Adám Surányi
18h – “Mare Chiuso” (2012), de Andrea Segre e Stefano Liberti
19h15 – “Era uma vez um Arrastão” (2005) de Diana Andringa e Bruno Cabral (com debate no final)
21h15 – “Bamako” (2006), de Abderrahmane Sissako (com debate no final)

DOMINGO, 19 outubro
14h30 – “La Pirogue” (2012) de Moussa Touré
16h30 – “Bab Sebta” (2008), de Frederico Lobo e Pedro Pinho
19h15 – “Who is Dayani Cristal” (2013), de Marc Silver
21h30 – Sessão de encerramento – “Il Piccolo Calciatore” (2014), de Roberto Urbani (com debate no final)

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=PprgdcREWZE[/youtube]

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