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Cinema e TV

Published on Agosto 8th, 2016 | by Cátia Duarte Silva

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Wayward Pines | Vale a pena salvar a humanidade?

Finda a segunda temporada da série de sucesso da FOX, é fundamental perceber como a pergunta atravessou toda o fio condutor de Wayward Pines até agora.

Se na primeira temporada daquela que se previa uma event series – algo muito parecido com uma minissérie mas concebido para um universo que mistura o drama e o fantástico – vimos como vale a pena resistir e lutar pelos valores, o segundo ano de Wayward Pines acentuou a tónica na (im)previsibilidade do comportamento humano e, mais do que isso, até onde estamos dispostos a ir.

WAYWARD PINES: L-R: Nimrat Kaur and Josh Helman in the “Bedtime Story” season finale episode of WAYWARD PINES airing Wednesday, July 27 (9:00-10:00 PM ET/PT) on FOX. ©2016 Fox Broadcasting Co. Cr: Ed Araquel/FOX

Mais do que uma luta entre o “bem” e o “mal”, Wayward Pines representa a luta contra os próprios instintos da humanidade, que vai muito além disso. Num episódio em que apenas alguns são escolhidos para sobreviver, como podem os que ficam de fora encarar esta situação? Qual a resposta de cada um quando confrontados com o derradeiro fim?

A segunda temporada termina com um novo regresso às câmaras de preservação, estando as personagens principais “salvas” para voltarem a acordar quando o mundo se tiver livrado da ameaça dos Abbies. Para que tal aconteça, e tendo como referência a noção de herói, Theo está disposto a injetar-se com três estirpes de vírus mortais para alienar a ameaça e dar uma hipótese aos escolhidos. No entanto, não o faz sem deixar o aviso de que o ideal que Pilcher havia idealizado está ultrapassado e se baseava numa premissa errada. Numa conversa absolutamente bem conseguida com CJ (e que grande adição à série) é tempo de refletir na própria ausência de escolha que lhes foi dada.

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Megan e Jason sempre foram fiéis à causa do visionário, acabando por dar a vida pela mesma. Já CJ, uma das personagens mais complexas da temporada, fiel desde o início, vacila já no fim, e é por breves instantes que não acaba de vez com a linhagem que ainda resta do ser humano como o conhecemos.

This idea of the greater good? There is no greater good. It’s only good, no matter how small the act.

Apesar do monólogo arrebatante de Theo, acaba por ser Kerry quem leva a a cabo a última missão. Reconhecimento também para o desenvolvimento desta personagem, que nos últimos dois episódios conseguiu transparecer com o olhar todo o tormento da sua história. Kerry acaba por atravessar a cerca e a sua morte é-nos trazida pelo som dos Abbies lá fora. Conseguiu levar a cabo o seu propósito? Não sabemos, pois a última cena deixa em aberto todo e qualquer cenário para uma terceira temporada que esperamos que aconteça. Se não acontecer, a plenitude ainda é maior. No infinito do universo, nunca saberemos o fim.

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Nota final também para o facto de, cada vez mais, as séries mais apreciadas pelo grande público terem uma premissa que vai além de um primeiro olhar no universo do fantástico. Se The Walking Dead já havia aberto a porta para a temática da inevitabilidade e a luta pela sobrevivência, Wayward Pines consegue igualar e por vezes subir no mesmo patamar. Até onde estamos dispostos a ir pelo que faz de nós pessoas? E na luta pela sobrevivência, qual o ponto de rutura entre o instinto e a consciência?

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