Cinema em Notas | “Julieta”: Uma ode às Mães
Almodóvar está de volta com “Julieta” e ao regressar ao seu cinema, regressa também o seu desenho cinematográfico da movida familiar a que nos habituou. Está de volta o caos, o desespero e a felicidade. Almodóvar volta, ainda não à plenitude a que nos acostumou, mas volta com intenção e isso é bom de se ver.
Cinema em Notas pretende mostrar cinema através de um gosto individual e uma afinidade emocional pela alegria de partilhar; com uma classificação baseada em notas e pensamentos pessoais.
Depois de um projeto fracassado “Los Amantes Pasajeros” e de uma tentativa de thriller “La Piel Que Habito” onde não se encontrava perfeitamente à vontade, Pedro Almodóvar torna a filmar o cosmos familiar. Usando como base uma pequena história de Alice Munro (Nobel da Literatura em 2013), o realizador espanhol busca em “Julieta” simultaneamente o desenho de uma mulher emocional e moderna, mas igualmente caótica e auto-destrutiva.
Julieta (Emma Suárez) é uma mulher dorida, é uma mulher oca, perdeu tudo, perdeu o que lhe era mais querido, vive num desespero e num vazio completo, vai tentando ser, vai tentando viver, vai respirando a esforço. Por sua vez Julieta (Adriana Ugarte) é uma mulher que busca, procura a felicidade, procura algo e alguém e quando o encontra nasce (literalmente falando) o amor. Antía (Priscilla Delgado / Blanca Parés) é esse amor, é essa união transformada, nada mais importa, é o seu satélite, o seu sol.

“Julieta” é, pois, um filme a dois tempos, o tempo do agora e o tempo do antes, um filme de ação/reação e onde devia haver contradições, apenas encontrei ligações. Ambas as Julietas são narrativas e melodramáticas, ambas buscam vida, ambas procuram explicações para algo que ainda não entenderam… e o que há para entender, é tão simples.
Com este novo filme Almodóvar veste-nos a roupa de Mãe e passo a passo descreve aquela que é a união mais forte estabelecida entre dois seres humanos. A ligação Mãe-Filho é um vínculo eterno, poderá torcer, poderá partir, poderá quebrar, mas nunca será eliminado. É um laço umbilical indestrutível, um adorável sentimento de posse, uma necessária e primitiva manutenção da sobrevivência, uma busca incansável pelo poder e pelo conforto do bem-estar do filho(a), é algo primário e inexplicável, é uma necessidade fisiológica, “é um fogo que arde sem se ver”… é AMOR no seu estado mais puro.
Um viva às Mães!
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Classificação: 3/5
Julieta (2016) – 1h34min – Pedro Almódovar
IMDB



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