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Cinema e TV

Published on Dezembro 24th, 2016 | by Cátia Duarte Silva

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The OA: o poder de acreditar

Em jeito de prenda de Natal para nós próprios, fizemos uma maratona da nova série da Netflix e não ficámos arrependidos.

Neste momento, estão 90 000 pessoas desaparecidas nos Estados Unidos da América. Os dados são do National Missing and Unidentified Persons System e espelham uma média aterrorizante. Não raras vezes, vemos nas notícias pessoas que reaparecem muitos anos depois, muitas delas mantidas em caves em condições que ninguém quer equacionar. Apesar deste cenário negro, há beleza em The OA.

[youtube]https://youtu.be/DvHJtez2IlY[/youtube]

The OA é uma das grandes apostas da Netflix, que teve um dos maiores sucessos em 2017 com Stranger Things, pelo que os fãs do universo sci-fi não se podem queixar este ano.

É a jovem Brit Marling quem nos guia, não só como personagem principal mas também como realizadora e argumentista. A acompanhá-la na realização está também Zal Batmanglij, assim como Brad Pitt.

Do elenco principal fazem ainda parte Emory Cohen, Scott Wilson, Phyllis Smith, Alice Krige, Patrick Gibson, Brendan Meyer, Jason Isaacs, Ian Alexander e Brandon Perea. Feitas as apresentações, é altura de nos debruçarmos sobre o que torna The OA uma das séries mais imprevisíveis de 2017.

Prairie Johnson/The OA (Brit Marling) aparece subitamente, depois de sete anos desaparecida, e logo percebemos que voltou com algo mais: deixou de ser cega. Abel (Scott Wilson) e Nancy (Alice Krige), os pais adotivos, depressa a vêem nas notícias e a encontram no hospital. Para além da surpresa de já não ser cega, Prairie tem também marcas estranhas nas costas, auto apelidando-se de OA (uma sigla que viria a ser decifrada a meio da série).

De volta a casa, a história ainda envolta em mistério começa a ser revelada quando Prairie reúne um grupo de pessoas para a ajudarem. São eles Steve (Patrick Gibson), Jesse (Brendan Meyer), Buck (Ian Alexander), Alfonso (Brandon Perea) e Betty Broderick-Allen (Phyllis Smith). É neles que Prairie confia para contar a sua história.

Estamos então perante uma menina que nasceu na Rússia e que teve um acidente no qual perdeu a visão. Nesse mesmo acidente, teve a primeira experiência de quase morte (EDM), tento contactado com Khatun (Hiam Abbass). Sobre esta personagem podemos dizer que é uma espécie de oráculo, que guia Prairie durante estes momentos.

Depois de sobreviver, Prairie vai viver para os EUA, com uma tia, recebendo após algum tempo a notícia da morte do pai, o que levou à sua adopção. Mais tarde, descobrimos que a protagonista não acredita totalmente no que lhe foi dito sobre o progenitor, pelo que parte à sua procura para NY. Não o encontra mas dá de caras com o cientista Hunter Aloysius Percy, ou Dr. Hap. É com ele que Prairie parte, naquele que seria o seu último momento de liberdade em sete anos.

Numa cave, Prairie descobre que foi enganada, ao mesmo tempo que se depara com mais pessoas presas como ela. Homer (Emory Cohen), Rachel (Sharon Van Etten) e Scott (Will Brill). Em comum? Todos tiveram EDM, e por isso mesmo são ratos de laboratório para Hap. E todos são continuamente submetidos à experiência da morte para que se descubra para onde vão e em que circunstâncias voltam.

Agora que aguçámos a curiosidade, não poderemos revelar mais pormenores desta série que junta o natural ao sobrenatural, e que tenta responder à pergunta com que nos deparamos há milhares de anos e cuja resposta provavelmente nunca teremos: o que acontece no além, se é que este existe?

The OA vale enquanto série para os aficionados do sci-fi mas também enquanto série que mexe com a nossa dimensão humana, mais precisamente com a fé. Mais do que uma forma de religião, faz parte da natureza humana acreditar em alguma coisa para dar rumo à vida. Seja na amizade, no amor, na religião, no sobrenatural, o que nos move é o poder de acreditar. E, no fim, é ele que nos salva.

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