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Cinema e TV

Published on Fevereiro 24th, 2017 | by Filipe Pedro

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8.º Festin destaca as mulheres e o cinema de autor

A atriz brasileira Mariana Ximenes, presente em dois filmes da competição do Festin, estará no Cinema São Jorge, em Lisboa. O festival decorre entre 1 e 8 de março.

O Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa (Festin) foi um dos eventos culturais selecionados para fazer parte da Lisboa Capital Iberoamericana de Cultura e aproveitou para acentuá-la no feminino. Entre as diversas atividades no Cinema São Jorge, estão previstas mesas redondas, masterclasses e pelo menos três programações especiais de filmes.

Não apenas um nome conhecido dos espectadores de telenovelas, Mariana Ximenes é uma das personalidades que mais investe em cinema alternativo no Brasil – vindo daí a participação num filme que coproduz (“Prova de Coragem”) e outro onde atua (“Quase Memória”) e que fazem parte da seleção principal.

No primeiro caso, trata-se da adaptação de um livro de Roberto Gervitz e conta a história de um casal, um médico e uma artista plástica presos entre o desafio do casamento, da proximidade do nascimento de um filho e as situações mal resolvidas no íntimo de cada um deles.

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Já “Quase Memória” é um trabalho semiautobiográfico de um dos grandes nomes do Cinema Novo brasileiro, Ruy Guerra – que aqui desafia as regras narrativas e propõe um estudo sobre a memória. O elenco principal inclui Tony Ramos.

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O Festin traz novamente a produção cinematográfica dos nove países que compõem a comunidade dos países em língua portuguesa – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Equatorial, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Fazendo a ligação com as Américas, o festival vai exibir títulos da cinematografia latino-americana, além de uma mostra especial, a realizar-se principalmente no Instituto Cervantes, de filmes de Titón (alcunha de Tomás Gutiérrez Alea), um dos mais prestigiados realizadores cubanos falecido em 1996.

A sua viúva e protagonista de algum dos seus filmes, Mirtha Ibarra, estará presente. A atriz foi responsável pelo documentário “Titón – de Habana a Guantanamera”, que também será exibido.

O papel feminino na história do audiovisual português é igualmente observado na mostra de alguns trabalhos da realizadora Margarida Gil. Nascida na Covilhã e com uma extensa carreira no cinema e na televisão, a cineasta terá exibido no São Jorge os seus filmes mais emblemáticos – caso de “Rosa Negra” (1992), que fez parte da competição no Festival de Locarno, “O Anjo da Guarda” (1998), “Adriana” (2004), “O Fantasma de Novais” (2012) e “Paixão” (2012).

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O festival terá a antestreia lisboeta de dois novos projetos portugueses: “Uma Vida à Espera”, a terceira longa-metragem de Sérgio Graciano (de “Assim Assim” e “Njinga”) que se afasta do formato mais acessível dos seus trabalhos anteriores para propor a imersão na vida de um sem-abrigo que perambula pelas ruas da capital à espera de uma carta que pode ou não chegar.

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Já José Pedro Lopes investe num território pouco explorado no cinema português na sua primeira longa-metragem. “A Floresta das Almas Perdidas” aborda, com o selo de “filme de terror”, a experiência de dois personagens que se encontram num lugar para onde costumam ir os suicidas.

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No universo da lusofonia um dos destaques será a produção de Timor-Leste “Avô Crocodilo”– um documentário editado especialmente para o Festin. O filme, com destaque para a bela fotografia, narra episódios de resistência à invasão indonésia.

Por seu lado “Deolinda” aborda um dos mitos da história angolana – uma enfermeira que largou uma vida estável para lutar pela liberdade do seu país.

“O Outro Lado do Paraíso” abre o festival com um drama social de contornos mais clássicos, narrando a história de uma família pobre que luta para se estabelecer numa Brasília em plena construção – no início dos anos 60.

Andreia Horta, intérprete de Elis Regina, é outra presença no Festin. Já “Elis”, um dos grandes sucessos do cinema brasileiro de 2016, é uma prenda para o Dia Internacional da Mulher, narrando a trajetória de um dos maiores ícones da Música Popular Brasileira (MPB), Elis Regina. A atriz Andreia Horta, que interpreta a cantora, foi uma das grandes revelações do cinema brasileiro do ano passado e virá a Lisboa para a sessão de encerramento.

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A competição deste ano reforça o trajeto iniciado há dois anos no sentido de funcionar como uma mostra do que melhor em termos de cinema de autor se produz territórios lusófonos.

Além dos filmes citados, completam a rubrica obras como “Para Ter onde Ir”, que traz um road movie abordando as encruzilhadas de três mulheres sobre as belas paisagens do Pará, região amazónica brasileira, ou “Comeback”, protagonizado por um dos melhores atores do Brasil, Nélson Xavier (vencedor do prémio de Melhor Ator no Festin 2015), a viver um assassino de aluguer retirado – num filme que apresenta o tema do crime a soldo num melancólico vai-e-vem próprio dos desafios da terceira idade.

Do polo mais criativo de inovações brasileiras, o estado de Pernambuco – que revelou, entre outros Kléber Mendonça, premiado em Cannes no ano passado – vem “Animal Político”, que narra com diálogos acutilantes, um ácido sentido de humor e pinceladas de surrealismo a história de uma vaca em crise existencial.

O filme estreou na secção Bright Future do Festival de Roterdão. Pelo seu teor mais experimental, o projeto figura, junto a “Quase Memória”, na secção Festin Arte.

Outro ilustre luminar de Pernambuco, o premiado Cláudio Assis (vencedor do prémio de Melhor Filme do Festin em 2011 com “Febre do Rato”) surge com “Big Jato” – novamente trazendo rebeldia a rimar com poesia.

Noutras paisagens, “BR 716” mergulha no espírito sessentista do Rio de Janeiro para lhe prestar um movimentado requiem.

Entre os seis documentários em competição, o destaque é “Curumim”, filme que causou forte impacto no Festival de Berlim do ano passado ao contar a história do brasileiro condenado à pena de morte por tráfico de drogas na Indonésia.

Obtendo imagens filmados no seu longo cativeiro pelo próprio biografado, Marcos Prado construiu um filme intenso. Nesta secção também destaque para “Todos”, obra que personifica a vocação social do festival ao trazer um trabalho que permite ser apreciado por uma audiência de deficientes auditivos e visuais.

As sessões para os mais novos vão ter este ano a novidade da competição – incluindo um júri adulto e outro composto por crianças, que atribuirão uma Menção Honrosa a um dos dez filmes selecionados.

Os bilhetes para o festival estão à venda na bilheteira do Cinema São Jorge e têm um custo de 3,00€ (bilhete normal); 2,50€ (até 25 anos e maiores de 65 anos:); 1,50€ (estudantes e grupos de mais de 10 pessoas/por pessoa); 1,50€ (Mostra de Documentários/por sessão); Sessões Festinha: 2€ (adultos) e 1€ (crianças até 12 anos).

Para mais informações consulte o programa oficial do Festin.

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