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Música

Published on Abril 26th, 2017 | by Pedro Guimarães

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Reportagem | Emma Ruth Rundle: Aconchegante e intimista

A estreia de Emma Ruth Rundle em Portugal, onde atuou em Lisboa, Porto e Vila Real, começou na passada quinta-feira de forma muito especial, com um Sabotage Club completamente esgotado para a receber. Foi um concerto intimista, doce e carregado de emoção.

Emma Ruth Rundle antes de se iniciar numa carreira a solo integrou as fileiras dum dos projetos instrumentais mais interessantes da Neurot Recordings – os Red Sparowes –, sendo também a senhora da voz que podem ouvir nos belos registos dos Marriages. O seu trabalho a solo rege-se no entanto por outros princípios sonoros, situando em pólos praticamente opostos, pelo menos no que toca a peso e tensão.

Mantém-se nos seus registos a solo uma certa desolação emotiva mas desta feita alimentada por alguma luminosidade que brota da interpretação genuína e sentida da cantora norte-americana. Luminosidade essa que surge pé ante pé por entre uma escuridão crua e despida de artifícios que a sua voz transporta. E foi precisamente uma atuação completamente crua, com um esqueleto sonoro reduzido ao essencial que o público que enchia o Sabotage Club no Cais do Sodré pôde experimentar na passada quinta-feira.

Consta que nas restantes datas da digressão europeia que se iniciou nesse dia, a primeira em nome próprio, Emma Ruth Rundle já irá atuar com uma banda a acompanhá-la, mas nas três datas em solo nacional atuou sozinha em palco. Esse fator atribuiu, por um lado, um cariz especial ao concerto – é algo que normalmente não irá acontecer – contudo, por outro lado, deixou-nos a pensar como seria ouvir aqueles temas mais encorpados, com mais texturas e volume.

Ficamos no fim a pensar que foi muito bonito e reconfortante ouvir e ver este lado mais tímido, cândido e pessoal de Emma Ruth Rundle, permanecendo no entanto a curiosidade de como será ouvir os belos temas do último disco, intitulado “Marked for Death”, numa versão mais musculada. Julgamos que mesmo com essa tal dimensão sonora, virá ao de cima a beleza lírica e rítmica das composições desta intérprete norte-americana que ainda tem muito para nos dar. A solo, nos Marriages e naquilo que o futuro (que é promissor) lhe reservar.

Fotografias: Nõnõ Noxx

Os nossos agradecimentos à Amplificasom e ao Sabotage Club.

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