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Música

Published on Maio 14th, 2017 | by festmag

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2 + 2 = 5 concertos a não perder | Nos Primavera Sound 2017

A romaria ao Parque da Cidade no Porto está quase a começar e o culpado é o do costume. O Nos Primavera Sound inicia-se a 8 de junho e, como é habitual, tem vários pontos de interesse. Nós escolhemos alguns dos concertos do festival, aqueles que vocês não podem mesmo perder.

A primeira edição deste ano da rubrica “2 + 2 = 5 concertos a não perder”, incide sobre o festival que habitualmente inicia a romaria festivaleira que se estende até ao terceiro trimestre do ano, falamos obviamente do Nos Primavera Sound. O irmão mais novo do festival de Barcelona continua a ter como local o bonito Parque da Cidade do Porto, apresentando muitos dos nomes importantes que o (bastante maior) festival catalão contém. Aqui ficam os nossos principais destaques, cheios de subjetividade, como não podia deixar de ser.

1.º The Black Angels | Dia 10 de junho

Da vaga de bandas de rock psicadélico que apareceram na última década, talvez a que tenha conseguido um melhor resultado no rácio aceitação da crítica e do público vs qualidade e originalidade das composições tenham sido os californianos The Black Angels. Com o nome retirado do tema dos Velvet Underground “The Black Angel’s Death Song”, a banda estava designada para grandes feitos e é isso mesmo que tem alcançado. Possui uma mão cheia de ótimos discos – recomendamos a estreia “Passover” e o novo “Death Song” –, com uma sonoridade que agarra nas influências psicadélicas dos anos setenta e lhe acrescenta uma urgência contemporânea, com um cheirinho às estradas americanas infindáveis. É o segundo concerto dos The Black Angels em Portugal, depois da estreia no Reverence Valada em 2014, prometendo ser um regresso inesquecível.

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2.º Sleaford Mods* / Aphex Twin** / The Make-Up*** | Dias 9* e 10**/*** de junho

Esqueçam as muitas diferenças estéticas da sonoridade destes projetos e acreditem que é o trio de concertos mais incendiário do Nos Primavera Sound que aí vem. Todos almejam atingir-nos com força algures no corpo ou na mente. Pode ser nos neurónios, no caso do desalinhado músico inglês Richard David James que assina como Aphex Twin – quão perturbador continua a ser o vídeo de “Come to daddy” de 1997? – que chegou a espalhar o caos em Lisboa nos idos de 2000 na primeira edição do Festival Número; na consciência política e social com o combustível gerado pelo duo Sleaford Mods; ou no cansaço físico provocado pela energia contagiante do rock dos The Make Up, banda importante dos anos noventa liderada pelo incontornável Ian Svenonius (também dos Nation of Ulisses). Mesmo que alguns destes nomes vos sejam algo desconhecidos, acreditem que não são concertos de se perder. Nenhum deles.

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3.º Nicolas Jaar | Dia 9 de junho

O músico chileno sediado nos Estados Unidos é um dos mais importantes e incontornáveis nomes da música eletrónica dos últimos anos e já deu, com os extintos Darkside que mantinha com Dave Harington, um dos melhores concertos que o Parque da Cidade do Porto já assistiu. Isto foi na edição de 2014 do festival e agora Nicolas Jaar tem um disco novo para apresentar, o bonito “Sirens” editado no ano passado, tendo em 2015 composto a banda sonora do filme russo “The Color Of Pomegranates”. Rapaz atarefado portanto, não percam a oportunidade de o ver.

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4.º Bon Iver | Dia 9 de junho

O projeto de Justin Vernon é cada vez mais uma banda, embora continue a ser ele o cérebro por detrás dos Bon Iver. O músico que já recebeu elogios de Kayne West (com quem já colaborou) e já ganhou dois Grammys, resiste de bom grado ao apelo do mainstream, preferindo que as suas canções quentes e reconfortantes não entrem em anúncios televisivos ou que as suas digressões não tenham patrocínios de marcas. Fará por isso ainda mais sentido vê-lo um festival onde a presença das grandes corporações comerciais já é alguma mas não sufoca. O que poderá sufocar são os corações mais sensíveis com tanta ternura sonora.

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5.º Swans | Dia 9 de junho

Os Swans regressam ao Nos Primavera Sound depois de terem marcado presença na edição de 2013, sendo certo que o Parque da Cidade do Porto voltará a assistir a intensas descargas sónicas e composições hipnóticas, fruto do ritual sonoro que é assistir a um concerto de Michael Gira e companhia. A banda virá apresentar “The Glowing Man” editado no ano passado. Recomendado apenas a quem procurar experiências fortes.

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6.º King Gizzard & The Lizard Wizard | Dia 9 de junho

Os australianos King Gizzard & the Lizard Wizard formaram-se apenas em 2010 mas colocam discos na rua como pãezinhos quentes pois já contam com nove álbuns editados. A sonoridade é como um enorme caldeirão onde, entre outros estilos, coabitam surf music, garage rock, psychedelic rock, progressive rock. A atitude descomplexada, irreverente e enérgica da banda ganha outra dimensão quando se apresentam em palco, sendo quase certo que será um dos concertos mais divertidos do Nos Primavera Sound deste ano.

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7.º Justice | Dia 8 de junho

A dupla francesa editou em 2007, depois de alguns singles, o incontornável “†” tornando-se no nome maior da segunda vaga do french touch que tomou o mundo de assalto, um verdadeiro fenómeno à escala mundial, esgotando concertos atrás de concertos, com presenças nos maiores festivais do mundo. A época dos ovos de ouro já passou há muito, contudo os Justice formados por Gaspard Augé e Xavier de Rosnay, além de terem temas como “D.A.N.C.E.” e “Phantom” guardados no bolso para animar as hostes, têm também temas mais recentes como “Audio, Video, Disco”, “Safe and Sound” e “Fire” capazes de por toda a gente a mexer.

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8.º Hamilton Leithauser | Dia 9 de junho

A carreira que Hamilton Leithauser tem vindo a construir faz-nos ter um pouco menos de saudades da sua antiga banda, The Walkmen, mas ainda assim temos bastantes. De facto, tanto o disco de estreia “Black Hours”, como “I Had A Dream That You Were Mine” editado a meias com Rostam dos Vampire Weekend, são registos consistentes, exemplos perfeitos de harmonia pop com bonitos arranjos rítmicos. E depois há aquela voz. Aquela voz que parece capaz de transformar qualquer cançoneta num pedaço de música a transpirar classe por todos os poros.

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9.º Elza Soares | Dia 10 de junho

“The Woman At The End Of The World” tornou-se um incrível fenómeno a nível mundial e Elza Soares foi posta no pedestal que merece, o sítio onde canta os males do mundo sem dó nem piedade e com a maior das emoções e dos vozeirões. O samba sujo vai tomar conta do Porto e do corpo de quem ousar entrar neste pedaço de história viva onde alegria e sofrimento convivem pacificamente. Vai ser “Prá fuder”.

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10.º Weyes Blood / Tycho | Dia 10 de junho

Dois nomes provavelmente desconhecidos para a maior parte dos presentes e, também por isso, duas apostas nossas. Weyes Blood é o alter ego de Natalie Mering, antiga colaboradora de Ariel Pink, e a escolhida para abrir alguns dos concertos que Father John Misty dará este ano, o de Lisboa incluído. Desengane-se quem contar encontrar semelhanças com o rock tresloucado de Ariel Rosenberg; aqui falamos de música pop, com arranjos de recorte clássico a lembrar Beach House, com a bela voz de Natalie a acompanhar. Virá apresentar “Front Row Seat To Earth”, editado no ano passado, e promete ser um belo concerto para o início da tarde.

Tycho é uma excelente proposta no campo daquela eletrónica instrumental e orgânica. Com cinco discos editados, o último “Epoch” viu a luz no ano passado, o trio composto por Rory O’Connor, Scott Hansen e Zac Brown faz uma música quente, sonhadora, introspetiva, mas não por isso isenta de ritmo. Aliás, isso é coisa que não falta a esta malta. Para terem algumas referências pensem em Four Tet, Boards of Canada, Helios ou Zombi. Descrubam-nos!

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Em breve serão anunciados os horários do festival, conhecendo-se já a distribuição por dias. Até dia 15 de maio (segunda-feira) os passes valem 110€, passando depois a custar 125€. Os bilhetes diários valem 55€. Mais informações aqui.

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