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Música

Published on Maio 10th, 2017 | by Paula Lucas

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Reportagem | Matt Elliott: de Bristol com uma guitarra

Sala composta no Auditório de Espinho – Academia, que abriu as suas portas para uma proposta irrecusável, numa noite de sábado quente onde o crooner Matt Elliott nos inflamou, ainda mais, com o seu espetáculo que versou seriedade e emanou sensibilidade com o registo áspero que lhe corre nas veias.

Anos antes, o homem com a velha alma já havia lançado um punhado de impressionantes álbuns como The Third Eye Foundation. Um peso pesado de diferente quadrante, que foi anunciando a sua fragilidade física, durante o concerto, e avisando, com sentido de humor, que não faria encore.

 

Matt Elliott veio apresentar sobretudo as músicas do seu sétimo álbum “The Calm Before”, editado no ano passado, provando que é um produtor/compositor aplicado mas que dissemina solidão. As músicas que se iniciam com murmúrios e assobios e vão em crescendo até explodirem em raiva contida e perpetuada, são as mesmas que nos transportam para atmosferas surrealistas repletas de um pesar sem fim, mas onde acreditamos que os dados estão prontos a serem lançados outra vez, como é o caso dos temas “Zugzwang” ou “The Right to Cry”.

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As reconstruções dos clássicos, “Bang Bang (My Baby Shot Me Down)”, original de Cher  e “I Put a Spell on You” de Jay Hawkins, numa lógica de liberdade criativa muito pessoal, foram brilhantemente interpretadas e não lhes faltou nunca o cunho emocional e expressividade facial que tão bem caracteriza Matt Elliott.

A sua voz grave e inconfundível sobreposta pelos efeitos reversíveis, produzidos pelos pedais de reverse  e loops da sua guitarra acústica, foram excelentes companheiros do seu folk trágico e pessimista, por vezes animado com influências flamencas, provando que também é maleável e que consegue absorver os efeitos dos locais onde já viveu ( como por exemplo Espanha).

Matt Elliott implodiu os seus desamores e o tantrismo dos seus temas, fez-nos tão bem!

A primeira parte ficou a cargo de Sacromonte, um projeto de música experimental do compositor e produtor berlinense Alberto Lucendo a merecer reportagem na primeira pessoa num futuro próximo. Uma agradável surpresa de nuances vocais subtis que ficam sempre bem nos preliminares do grande clímax que se lhe seguiu.

Fotografias de Mário Antunes

Os nossos agradecimentos ao Auditório de Espinho – Academia

 

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