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Música

Published on Maio 14th, 2017 | by António José Antunes

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Reportagem | Douglas Dare no CAV: confortável melodia

Numa noite em que na rua reinava o ruído e o caos, a Lugar Comum deu a mão ao londrino Douglas Dare que nos encheu a alma de sossego musical. Foi ontem à noite no Centro de Artes Visuais em Coimbra.

O primeiro trabalho “Whelm”, lançado em 2014, valeu a Douglas Dare algumas comparações a James Blake, contribuindo para isso o material denso, a sua voz larga e o piano descompensado. Aliado a tudo isto juntou-se uma eletrónica de pulsação sombria, onde nem sempre o óbvio foi o caminho certo. A música de Douglas Dare é ampla e vasta, não fica ali fechado num espartilho e nem num cerco cerrado E a liberdade que deu às suas composições anteviam o que viria a seguir.

Com “Aforger” (2016) a sua imagem e som ficaram muito mais expostos. Há um manifesto aumento de sentimentos e a música ganha maior perímetro e maior consistência, e com isso retornam as comparações (Anohni, Buckley, Yorke, Bird, etc). Mas “Aforger” é muito mais que isso; com este disco Douglas sacode dos ombros essa responsabilidade e agarra-se ao lirismo contemporâneo da pop, dando-lhe um sentido de vida solitário e obscuro. A sua música torna-se efetivamente dele.

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A dar continuidade ao ciclo Indie Songs Don’t Lie, a Lugar Comum em conjunto com o Centro de Artes Visuais e os Encontros de Fotografia, trouxeram até nós a mais recente coqueluche da Erased Tapes Records. Num sábado à noite e com a possibilidade de juntar ao concerto de Douglas Dare  a brilhante exposição de fotografia do CAV a sala ficou cheia e bem composta de curiosidade para assistir ao vivo à apresentação de “Aforger”.

Sem qualquer receio e atirando-se de cabeça à sua tarefa, Douglas Dare apenas acompanhado do seu piano, foi oferecendo às cerca de seis dezenas de pessoas em perfeito silêncio contemplativo, todo o seu saber. “Lungful”, do  primeiro álbum “Whelm”, foi o cartão de visita, para logo de seguida apresentar “Doublethink”, “New York”, “Oh Father” e “The Edge” temas todos retirados do álbum do ano passado “Aforger”. 

Douglas Dare para além da capacidade musical e voz cristalina, tem uma capacidade de interação e de simpatia fora do comum. Conversa, sorri, conta histórias, liberta receios, é naturalmente simpático e isso é-nos transmitido de uma forma tão natural que rapidamente o achamos um de nós.

O concerto prosseguia com uma excelente cover de “Lionsong” de Bjork , para logo regressar aos seus originais com “London’s Rose”, “Nile” e “Swim” do álbum de 2014 “Whelm”. Apresentando os Radiohead como a sua banda favorita, lança-se a nova cover, desta vez “Daydreaming” do último álbum de originais da banda de Oxford, e o momento é magnifico e arrepiante, a roupagem dada ao tema é de uma enorme magnitude, transformando aqueles curtos minutos num momento inesquecível.

Douglas Dare que veio sem o seu acompanhante habitual, o baterista Fabian Prynn, conseguiu arrebatar o sempre fiel público que acompanha estes eventos da Lugar Comum. A Erased Tapes Records acertou, mais uma vez, ao captar esta sensibilidade de uma forma indelével, transformando todos os que a seguem numa enorme família de melómanos sem cura. Um bem-haja.

O nosso agradecimento à Lugar Comum, ao Centro de Artes Visuais e aos Encontros de Fotografia.

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