Festmag

Música

Published on Junho 25th, 2017 | by Pedro Guimarães

0

Reportagem | Mastodon na Sala Tejo: O equilíbrio do riff

Os Mastodon regressaram a Portugal na passada quarta-feira para apresentar “Emperor of Sand” numa Sala Tejo muito bem composta. O público reagiu de forma efusiva aos temas mais imediatos do último disco bem como às músicas mais rudes e cruas dos primeiros discos.

Quando se pensa nas bandas de metal criadas no século XXI, que mais sucesso têm alcançado, conseguido uma carreira equilibrada na ténue linha que separa a validade criativa e o sucesso em larga escala, os Mastodon têm de estar na linha da frente. Aliando talento à perícia técnica, com um fundo de catálogo com substância e uma certa dose de risco, o percurso deste quarteto tem sido aplaudido pelo público e pela crítica. No entanto, pela moldura humana que compareceu na Sala Tejo da MEO Arena – esta apresentava-se bem preenchida mas não cheia – poder-se-á achar que o crescimento da banda, que já nos tinha visitado em outras ocasiões (em Lisboa tinham dado já sete concertos), terá chegado a um ponto de provável estagnação. É também um facto que a oferta de concertos é cada vez maior, fazendo com que as pessoas tenham cada vez mais por onde escolher. Talvez ambas as justificações sejam válidas e existam ainda outras que possam explicar o porquê da Sala Tejo não se encontrar esgotada, algo que não espantaria considerando que é dos Mastodon que estamos a falar.

Numa noite quente o ambiente na Sala Tejo estava igualmente ao rubro, notando-se uma excitação nos presentes, afinal de contas a banda não nos visitava há cinco anos, tendo a última passagem ocorrido na edição de 2012 do Rock In Rio Lisboa. Depois de nas colunas se ouvir Flaming Lips e Queen, eis que o quarteto se apresentava em palco, partilhando logo que fazia demasiado tempo que não atuavam em Portugal.

O alinhamento do concerto teve uma natural incidência no último “Emperor of Sand” que não tem sido recebido de forma muito unânime por crítica e público, com sete temas desse disco a serem interpretados. Destaque para o festivo “Show Yourself”, a enérgica “Precious Stones” e o monstro cheio de groove que é “Steambreather”. De forma inesperada foi praticamente ignorado o anterior registo “Once More ‘Round The Sun”, com apenas dois temas a serem tocados (“Chimes at Midnight” e “Ember City”) e a ainda mais surpreendente ausência do excelente primeiro single, “The Motherload”.

“Blood Mountain” teve bastante protagonismo no alinhamento, com “The Wolf Is Loose” a ser cantado em uníssono pelos presentes e as poderosas “Circle of Cysquatch” e “Crystal Skull” a porem muitos corpos a mexerem-se. A contagiante “Colony of Birchmen” provocou mesmo algum crowdsurfing nos mais chegados ao palco. O restante alinhamento cobriu ainda discos como “Crack The Skye” e “The Hunter”, tendo sido com temas dos primeiros discos “Remission” e “Leviathan” cuidadosamente guardados para o final do alinhamento, que a plateia se manifestou de forma mais efusiva. Músicas como “Megalodon”, “March of the Fire Ants” e “Blood and Thunder” – esta já no encore e nem sempre tocada na digressão) fizeram as delícias dos fãs mais antigos e proporcionaram o final perfeito para a noite.

Antes os ingleses, oriundos de Brighton, Black Peaks deram um concerto interessante com uma sonoridade que cruza rock, metal e prog. A banda foi lentamente recebendo mais atenção por parte duma plateia que começava a encher, interpretando temas do seu disco de estreia editado no ano passado e intitulado “Statues”. Vale a pena descobri-los.

 

Fotografias: André Cardoso.

Os nossos agradecimentos à Prime Artists.

Tags: , , ,


About the Author



Comments are closed.

Back to Top ↑
  • PUB

    “Veracity”

    “VeraMarmelo”

    “MadeofThings”

  • Redes sociais

    Facebooktwittergoogle_plusyoutubeinstagram
  • Facebook

  • Junho 2017
    S T Q Q S S D
    « Mai   Jul »
     1234
    567891011
    12131415161718
    19202122232425
    2627282930