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Música

Published on Julho 23rd, 2017 | by Pedro Guimarães

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2 + 2 = 5 concertos a não perder | VOA Fest 2017

O VOA Fest que este ano decorre ao longo de três dias e apresenta um segundo palco, o Palco Loud!, é alvo a nossa habitual rubrica “2 + 2 = 5 concertos a não perder”. Descubram os nossos destaques.

A Quinta do Marialva em Corroios recebe em nos próximos dias 4, 5 e 6 de agosto, a segunda edição do VOA Fest. Agora com a duração de três dias, o festival tem como cabeças de cartaz os Carcass, Apocalyptica e Trivium e também um novo Palco destinado a dar a conhecer boas propostas nacionais dentro do espetro (variado) da música pesada. Tentamos de seguida destacar alguns dos concertos que terão lugar na Quinta do Marialva.

1.º The Dillinger Escape Plan | Palco Principal, dia 6 de agosto | 21:00

A passagem por Portugal da última digressão duma banda tão singular, única, extrema e importante como os The Dillinger Escape Plan não tinha como não ser a nossa primeira escolha. Caos. Confusão. Barulho. Dissonância. Matemática. Perigo. É disso tudo que tem mesmo de se falar ao mencionar o nome dos icónicos The Dillinger Escape Plan, um dos grupos mais inovadores e desafiantes surgidos no espectro da música extrema na reta final do Séc. XX. Construídos de fibra punk/hardcore, movidos a adrenalina e abençoados com uma arrogância muito própria de instrumentistas muito jovens, mas exímios na arte de debitar notas, solos e batidas à velocidade da luz, o quinteto de Nova Jérsia afirmou-se desde cedo como uma proposta incomum com uma explosiva mistura de pós-hardcore, metal, arranjos alucinados e quebras rítmicas com mais em comum com o free jazz do que com qualquer categoria do rock. Apesar de terem em bandas como Converge, Cave In ou Botch verdadeiras almas gémeas, foram os primeiros a chegar a uma audiência mais vasta graças a um contracto com a Relapse e, na senda do lançamento de bombas refratárias como «Under The Running Board» e «Calculating Infinity», o underground não mais voltou a ser o mesmo. A dada altura não havia metrópole europeia que não tivesse, pelo menos, um clone da máquina demolidora formado por Ben Weinman e companhia. Talvez por isso, a partir do exato momento em que colaboraram com o camaleónico Mike Patton no EP «Irony is a Dead Scene» e acolherem Greg Puciato como vocalista permanente em «Miss Machine», não mais voltaram a deixar de trocar de pele a cada novo passo. Álbuns como «Ire Works», «Option Paralysis» ou «One Of Us Is The Killer» mostraram-nos a explorar toda a elasticidade do seu som e, entre várias peripécias e algumas mudanças de formação, cimentaram-nos como uma das mais respeitadas bandas de peso da geração pré-MySpace. Surpresa das surpresas, em 2016 decidem anunciar um ponto final do seu percurso, mas não sem antes lançarem o explosivo «Dissociation» e embarcarem numa digressão de despedida pelo mundo. Cruzámo-nos com eles há umas semanas e acreditem, eles estão prontos para deixar tudo em cima do palco. Portugal, desta vez, não vai ficar de fora.

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2.º Carcass* e Obituary** | Palco Principal , dias 4* e 6** de agosto | 23:00*e 19:15**  

Criados em 1986, num momento em que o talentoso guitarrista Bill Steer ainda fazia parte de uma das formações mais lendárias dos Napalm Death, com quem gravou «Scum» e «From Enslavement To Obliteration», ao longo de duas décadas os Carcass transformaram-se eles próprios também em lendas, primeiro estabelecendo as regras para o híbrido de death/grind, pintado em tons de sangue e tripas, com dois títulos incontornáveis do underground dos 90s, «Reek Of Putrefaction» e «Symphonies Of Sickness»; e depois, com a sequência formada por «Necroticism – Descanting The Insalubrious» e «Heartwork», o death metal melódico, deixando uma marca indelével não só na N.W.O.S.D.M. mas também no fenómeno metalcore, mais recente. Entretanto, ainda antes da edição de «Swansong», decidiram votar-se a um longo hiato, voltando apenas ao ativo em 2007. «Surgical Steel», editado seis anos depois, foi o primeiro álbum que o quarteto formado por Steer e Jeff Walker – e que fica agora completo com Daniel Wilding na bateria e Ben Ash na segunda guitarra – gravou desde meio da década de 90, e serviu a derradeira prova de que, afinal, mesmo depois de tantos anos a julgar-se que a banda estava morta e enterrada, a dupla veterana ainda tinha um grande álbum de death metal dentro de si. Canções como «Thrasher’s Abbatoir», «Unfit For Human Consumption» ou «Captive Bolt Pistol» vieram provar que os Carcass estão focados na tarefa de provar que estão bem vivos criativamente e ainda muito longe da decomposição, mostrando-se tão letais e cirúrgicos como sempre.

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Os Obituary são hoje um dos sobreviventes irredutíveis da explosão de death metal que, ali na transição dos anos 80 para os 90s, começava a ganhar forma na Florida, nos Estados Unidos. A par dos Death, Deicide e Morbid Angel, entre outros, conquistaram uma posição de destaque inegável no cenário da música extrema e, nos tempos que correm, é justo dizer que muito do que foi feito nesse espectro durante as três últimas décadas, provavelmente não seria possível caso não existissem discos como «Slowly We Rot», «Cause Of Death» e «The End Complete». Gravados no período compreendido entre 1989 e 1992, foi com essa trilogia de registos amplamente aplaudidos e elogiados que estabeleceram reputação e definiram as regras para a sua abordagem muito própria ao género. Apoiados nos riffs bem balançados, herança dos Hellhammer e Celtic Frost, debitados por Trevor Peres, pelas batidas pulverizantes de Donald Tardy e pelo inimitável rugido gutural do seu irmão mais velho, John, o quinteto transformou-se num fenómeno underground. Votada a um autoimposto período de congelamento em 1997, a banda voltou à atividade seis anos depois, disposta a reclamar o seu lugar de destaque entre os pioneiros do death metal.

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3.º Insomnium | Palco Principal, dia 4 de agosto | 19:15

Não deixa de ser curioso que, nos tempos que correm, o melhor death metal melódico seja feito fora da Suécia. No caso dos Insomnium, na Finlândia. Mesmo ali ao lado, separados apenas por água, estes naturais de Joensuu são hoje líderes e fieis representantes de um som que, durante os anos 90, fazia de Gotemburgo o seu solo mais fértil. Foi, de resto, para chegar à primeira divisão do género que o quarteto muito tem trabalhado ao longo da última década. Criados já fora de época, em 1997 os metalheads já viviam num mundo pós-«The Jester Race», «The Gallery» e «Slaughter Of The Soul», os talentosos músicos finlandeses pegaram nas regras básicas do género e, sem quaisquer pretensões a reinventarem a roda da N.W.O.S.D.M., entre 2002 e 2011, fizeram uma sequência de sete álbuns a que ninguém, que goste deste tipo de som, poderá apontar o dedo. Em «In The Halls Of Waiting» (2002), «Since The Day It All Came Down» (2004), «Above The Weeping World» (2006), «Across The Dark» (2009) e «One For Sorrow» (2011) depuraram a fórmula e tornaram-na tão sólida quanto possível, desenvolvendo uma capacidade imensa para a composição de canções com tanto de pujante como de melódico, com tanto de agressivo como de envolvente. Em «Shadows Of The Dying Sun», há dois anos, mostraram-se por fim ao mundo com os ganchos todos nos sítios em que devem estar, materializando por fim todo o potencial que lhes andavam a vaticinar há anos. Para 2016 reservaram o seu registo mais ambicioso de sempre, «Winter’s Gate» é um tema único de 40 minutos, que revela a versatilidade dos quatro músicos e prova que, afinal, até num espectro em que tudo parecia ter sido já inventado, ainda é possível surpreender.

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4.º Venom | Palco Principal, dia 5 de agosto | 21:00

“Lay down your soul to the gods rock’n’roll… Black metal!!!” Quem, por esta altura, não conhece o famoso tema e disco de 1982? Por esta altura, os Venom já dispensam quaisquer apresentações e, apesar de todas as transformações estéticas e sonoras que o estilo foi sofrendo com o passar dos anos, foram eles próprios que estabeleceram as regras básicas para o estilo ao lançarem o seu segundo álbum. Já um ano antes, com a estreia «Welcome to Hell», o trio oriundo de Newcastle tinha pegado na fórmula da, em ebulição na altura, N.W.O.B.H.M. e, injetando-lhe aquela garra incontida do punk, criou um som ainda mais pesado e extremo que, uns tempos depois, acabaria por dar origem ao thrash. Famosos pelos espetáculos memoráveis, em que os lasers competiam por atenção com a descarga decibélica protagonizada pelo grupo, o trio Cronos, Mantas e Abaddon transformou-se num enorme fenómeno de popularidade, acabando por influenciar o surgimento de nomes tão famosos como Metallica ou Slayer. De 1979 a 1993, quando se separaram pela primeira vez, os Venom transformaram-se numa das instituições mais emblemáticas da música extrema e, já depois de se ter estado afastado durante um período, o inimitável Cronos decidiu tomar de novo as rédeas do projeto em 1995. Após uma demasiado breve reunião com Mantas e Abaddon, durante as últimas duas décadas o baixista e vocalista tem mantido presença assídua, e muito aplaudida, nos palcos e nos escaparates.

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5.º Process of Guilt | Palco Principal, dia 4 de agosto | 17:00

Tendo aperfeiçoado a sua expressão musical distinta e inimitável ao longo de um caminho que abrange já uma carreira de quinze anos, os Process Of Guilt são atualmente uma das principais forças motrizes no underground português. Entregando riffs massivos e pesados apoiados numa secção rítmica punitivamente precisa, quase-industrial, a banda lisboeta possui uma intensidade única que atrai ouvintes de um amplo espectro de géneros e sub-géneros da música extrema. Amplamente experimentados quando se trata de tocar ao vivo – tendo partilhado palcos com bandas de nomeada como Godflesh, Cult of Luna ou Napalm Death – as suas performances são exibições puras de ferocidade, que não deixam ninguém indiferente. Com o lançamento de seu terceiro longa-duração «FÆMIN», em 2012, o quarteto formado por Hugo Santos, Nuno David, Custódio Rato e Gonçalo Correia deu finalmente o há muito merecido salto para o reconhecimento internacional – o álbum sucessor de «Erosion» e «Renounce» valeu-lhes duas digressões europeias como cabeças-de-cartaz e um cobiçado slot na edição de 2013 do festival Roadburn, onde atuaram perante uma multidão totalmente rendida à descarga monolítica do quarteto nacional. Já após a edição de um split com os suíços Rorcal, há dois anos, 2017 marca o regresso dos músicos aos discos de longa-duração, com o colossal «Black Earth» a capturar uma vez mais as vibrações orgânicas e industriais já presentes em «FÆMIN» e desenvolvendo-as ainda mais na construção de uma besta hipnótica de proporções gigantescas.

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6.º Death Angel | Palco Principal, dia 5 de agosto | 19:15

Criados em 1982, quando os membros fundadores da banda eram ainda adolescentes, os Death Angel são uma das pérolas mais brilhantes saídas do fenómeno thrash metal da Bay Area de São Francisco durante a sua época áurea. Rotulados como “os meninos pródigos do movimento”, pese a tenra idade com que deram os primeiros passos, afirmaram-se de imediato como um caso raro de dedicação à causa. «The Ultra-Violence», álbum de estreia, editado em 1987, afirmou-os desde logo como uma proposta a ter seriamente em conta num universo que, na altura, já incluía nomes tão respeitados e aplaudidos como Testament, Exodus e Possessed. Apoiados em «Frolic Through The Park» e «Act III», entre 1988 e 1990 estabelecerem-se como uma banda incrivelmente enérgica em palco e, contra as expectativas, quando já tinham um culto à sua volta, decidiram colocar o seu crescimento em stand by na viragem para os anos 90. Exatamente uma década de silêncio depois, voltam então à carga com alguns concertos de reunião e, em 2004, oficializam o muito antecipado regresso com a edição do aplaudido «The Art Of Dying». Desde então têm sabido manter um percurso consistente, apoiado numa sequência de lançamentos que, apesar de vários acertos de formação, provam que o quinteto liderado por Rob Cavestany e Mark Osegueda continua a manter a mesma capacidade para escrever thrash furioso e inventivo, que – apoiado numa técnica muito apurada e numa criatividade aparentemente sem limites – continua a renegar os conceitos mais óbvios e previsíveis do género em que se inserem.

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7.º Trivium | Palco Principal, dia 6 de agosto | 23:00

Provenientes do centro da Florida, nos Estados Unidos, os Trivium tomaram forma em 2000 e, de um momento para o outro, apanharam a onda gerada pelo enterro do nu-metal e consequente florescer do fenómeno metalcore. Não demoraram a lançar «Ember To Inferno», o muito aplaudido álbum de estreia do grupo idealizado pelo jovem vocalista e guitarrista Matt Heafy, em Outubro de 2003. Apoiados no enorme talento técnico e composicional do seu estratega, num mundo pós-sucesso estratosférico de «Alive Or Just Breathing», foram rapidamente “agarrados” pela Roadrunner Records, numa movimentação que marcaria de forma indelével o crescimento que sofreram nos anos seguintes. Com a formação estabilizada, lançam «Ascendancy» em Março de 2005 e saltam num ápice dos players do MySpace para as capas de revistas como a Metal Hammer e Kerrang!. Com mais de um milhão de discos vendidos a nível mundial, o último registo de estúdio do quinteto norte-americano, «Silence In The Snow», foi editado em Outubro de 2015 e prova uma vez mais que, com um pé na velha escola e outro bem firme no presente dos metais pesados, não há quem lhes faça frente quando se fala de metal moderno, fiel às raízes e com tanto de acutilante como de melódico.

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8.º Terror Empire | Palco Principal, dia 5 de agosto | 17:00

Os Terror Empire são uma banda de thrash metal de Coimbra, criada em 2009. Lançando o EP de estreia, «Face The Terror», em 2012, o quinteto começou de imediato a espalhar o seu nome de norte a sul do país, sendo que todo o trabalho árduo acabou por resultar na assinatura de um contrato com a Nordavind Records. Foi com o selo da independente de Ovar que «The Empire Strikes Back» foi, por fim, lançado a 23 de Fevereiro de 2015, constituindo um petardo de thrash inconformista, numa explosiva bomba refratária de batidas rápidas, influências de death metal e uma abordagem vocal corrosiva. Com o vídeo-clip do single «The Route Of The Damned» a servir de mote para a campanha, o grupo fez-se à estrada para apoiar a distribuição mundial do álbum com vários espetáculos em Portugal e Espanha. O novo “Obscurity Rising” teve edição no passado dia 14.

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Esta edição do VOA Fest conta com um segundo Palco com a curadoria da revista Loud!, destinado a dar a descobrir recentes e variadas propostas nacionais. Assim, no Palco Loud! marcarão presença duas das melhores bandas portuguesas da atualidade, falamos do misterioso e hipnótico híbrido death/black metal dos The Ominous Circle e do black metal conceptual dos Névoa. Mas haverão outros pontos de interesse, desde o rock’nroll com laivos de psicadelismo dos The Black Wizards, passando pelas atmosferas desafiantes dos Earth Drive, pela agressividade cerebral dos Don’t Disturb My Circles, pelo death/grind letal dos Grog, pelo crossover pujante dos Rasgo, pelo heavy metal dos Cruz de Ferro, terminando no peso contemporâneo dos Adamantine.

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Podem consultar aqui os horários do festival.

Os bilhetes valem 65€ (passe) e 35€ (diário), mais informações na página do festival no facebook .

Fonte: Adaptado do comunicado de imprensa.

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